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    Ruben Amorim toma decisão inesperada com Modric e explica o que está a acontecer no Milan

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    By Redação on 14 de Setembro, 2026 Info Desporto
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    Luka Modric desafiou a idade durante anos, mas a chegada de Rúben Amorim ao Milan trouxe um problema inesperado para o lendário médio croata. Aos 41 anos, Modric está a descobrir que as exigências do modelo do treinador português são muito diferentes daquelas a que estava habituado e a substituição ao intervalo frente à Lazio tornou o problema impossível de ignorar.

    Depois de uma excelente temporada 2025/26, na qual chegou mesmo a integrar a equipa do ano da Serie A, o antigo jogador do Real Madrid perdeu algum protagonismo desde que Amorim assumiu o comando dos rossoneri.

    E o próprio treinador português já explicou porquê.

    Modric brilhava com Allegri, mas tudo mudou com Amorim

    Na última temporada, Massimiliano Allegri encontrou uma fórmula que permitiu explorar praticamente todas as principais qualidades de Modric.

    O croata atuava como um organizador de jogo numa posição mais recuada, tendo liberdade para controlar o ritmo da partida e utilizar a extraordinária qualidade que mantém com bola.

    Ao seu lado estava Adrien Rabiot, jogador com características físicas diferentes e capaz de assumir grande parte do trabalho mais exigente no meio-campo.

    O resultado foi impressionante.

    Apesar da idade, Modric realizou uma temporada de grande nível e acabou escolhido para a equipa do ano da Serie A.

    A chegada de Rúben Amorim, porém, alterou completamente o contexto.

    O futebol de Amorim exige algo que Modric já não consegue oferecer constantemente

    Rúben Amorim pretende uma equipa intensa, agressiva na pressão e com jogadores capazes de percorrer muitos metros quando a posse de bola muda de equipa.

    É precisamente aí que começam as dificuldades para Modric.

    O problema não está na qualidade técnica do croata, mas na capacidade física necessária para acompanhar determinados tipos de jogo durante 90 minutos.

    Modric começou no banco na primeira jornada da Serie A e foi posteriormente titular diante de Venezia e Juventus.

    Voltou ao onze no encontro frente à Lazio, mas a primeira parte correu muito mal ao Milan.

    Os rossoneri chegaram ao intervalo a perder por 2-0 e Amorim tomou uma decisão que chamou imediatamente a atenção: retirou Modric e lançou Yunus Musah.

    Amorim tirou Modric ao intervalo e o Milan transformou-se

    Musah apresenta características praticamente opostas às de Modric.

    Não possui a mesma capacidade técnica ou visão de jogo do croata, mas oferece intensidade, velocidade, capacidade física e maior disponibilidade para percorrer metros no meio-campo.

    E a alteração coincidiu com uma transformação do Milan.

    A equipa italiana apareceu muito mais agressiva na segunda parte e conseguiu recuperar de uma desvantagem de dois golos.

    Diego Moreira marcou duas vezes e permitiu aos rossoneri chegarem ao 2-2.

    Depois do encontro, Amorim foi confrontado com a decisão de retirar Modric e explicou detalhadamente aquilo que aconteceu.

    Amorim explica: “Se o jogo se transformar numa corrida, é impossível para ele”

    O treinador português deixou claro que Modric continua a ter qualidades que considera extremamente importantes, mas reconheceu igualmente que existem condições específicas para conseguir tirar o melhor rendimento do veterano.

    “Temos de ser realmente bons com a bola para fazer com que Luka se sinta confortável no jogo. Se transformarmos a partida em constantes perdas de bola e corridas frenéticas, não é o tipo de jogo indicado para ele.”

    Foi precisamente por essa razão que Amorim decidiu lançar Musah.

    “Foi por isso que mudámos a nossa abordagem na segunda parte ao colocar Musah. Percebemos que precisávamos de um pouco mais de velocidade no meio-campo.”

    Mas o treinador português identificou ainda outro problema tático.

    Modric estava demasiado perto dos centrais

    Segundo Amorim, o croata estava a baixar excessivamente no terreno para receber a bola junto dos defesas.

    Isso permitia ao Milan ter jogadores suficientes para iniciar a construção, mas provocava outro problema: faltavam futebolistas posicionados entre as linhas adversárias.

    “Penso que Luka estava a baixar demasiado para junto dos defesas centrais, deixando-nos com quatro jogadores para iniciar o ataque e menos homens entre linhas.”

    Amorim deixou depois aquela que talvez seja a explicação mais reveladora sobre o futuro de Modric dentro do seu sistema.

    “Podemos jogar com Luka, mas, para isso, temos de transformar o jogo numa partida de posse dominante e controlo. Se se transformar num jogo de corrida, é impossível para ele.”

    Amorim reconhece aquilo que Modric já não consegue fazer

    Antes do encontro com a Lazio, o técnico português já tinha falado abertamente sobre as limitações físicas do antigo jogador do Real Madrid.

    Amorim reconheceu que Modric já não consegue pressionar constantemente, mas contrapôs essa limitação com aquilo que continua a oferecer quando o Milan tem a bola.

    “Luka não consegue pressionar constantemente, mas dita sempre o ritmo do jogo e compreende-o melhor do que qualquer outra pessoa.”

    Para Amorim, trata-se essencialmente de encontrar um equilíbrio.

    “Como treinador, tenho de escolher. Com ele podemos perder alguma coisa na pressão, mas com bola temos mais controlo. Luka dá-nos algo extra com bola e eu quero uma equipa que domine a posse.”

    Amorim tem agora um verdadeiro dilema com Modric

    É precisamente aqui que surge um dos primeiros grandes desafios de Rúben Amorim no Milan.

    Como encaixar um dos médios mais talentosos da história recente do futebol num sistema que exige precisamente algumas das características que, aos 41 anos, Modric já não consegue oferecer durante todo o encontro?

    A qualidade técnica continua lá. A inteligência também. A capacidade para controlar o ritmo de uma partida dificilmente desaparece.

    Mas as pernas já não são as mesmas.

    Amorim terá, por isso, de decidir se adapta determinados aspetos do seu futebol para aproveitar aquilo que Modric ainda pode oferecer ou se utiliza o croata apenas nos encontros em que espera conseguir controlar a posse e reduzir as constantes transições.

    A substituição ao intervalo frente à Lazio pode ter sido o primeiro grande sinal dessa nova realidade.

    Modric continua a ser Modric quando tem a bola nos pés. O problema para Rúben Amorim começa precisamente quando deixa de a ter.

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