Quem é, neste momento, o melhor guarda-redes do mundo? A resposta está longe de ser consensual. O Mundial 2026 mexeu com a hierarquia, algumas das grandes figuras da última década começam a perder terreno e uma nova geração já ameaça tomar conta das balizas dos maiores clubes europeus.
Há, no entanto, algo que não mudou: nenhuma grande equipa consegue lutar regularmente por títulos sem segurança entre os postes. E no futebol moderno já não chega simplesmente defender.
O guarda-redes de elite tem de participar na construção, jogar sob pressão, controlar a profundidade atrás da defesa, dominar a área e, quando tudo falha, fazer aquela defesa que parecia impossível.
Para elaborar este ranking foram considerados cinco fatores principais: jogos sem sofrer golos, importância dentro da equipa, rendimento pela seleção, qualidade com os pés e capacidade de defesa entre os postes. O Mundial 2026 teve igualmente um peso importante na avaliação. As estatísticas da época 2026/27 estão atualizadas a 25 de setembro de 2026.
20. Robin Roefs — Sunderland
Uma das grandes revelações dos últimos tempos. O neerlandês chegou ao Sunderland vindo do NEC Nijmegen por cerca de nove milhões de libras e rapidamente demonstrou que estava preparado para a Premier League.
Aos 23 anos, destaca-se pela segurança entre os postes e pela qualidade do pé esquerdo, sendo capaz de iniciar rapidamente os contra-ataques.
2026/27: 6 jogos, 10 golos sofridos e 2 jogos sem sofrer.
19. Marco Carnesecchi — Atalanta
Continua estranhamente longe dos holofotes apesar da regularidade apresentada na Serie A. Aos 26 anos, Carnesecchi consolidou-se na Atalanta e tem sido associado a vários grandes clubes europeus.
A concorrência de Gianluigi Donnarumma tem dificultado a entrada na seleção principal italiana, apesar das 22 internacionalizações pelos sub-21.
2026/27: 7 jogos, 7 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
18. Gregor Kobel — Borussia Dortmund
Kobel já tinha demonstrado o seu enorme valor na caminhada do Dortmund até à final da Champions de 2023/24 e confirmou novamente o estatuto no Mundial 2026.
Depois da saída de Yann Sommer, assumiu definitivamente a baliza da Suíça e terminou a competição entre os cinco primeiros dos Power Rankings da FIFA para guarda-redes. Está também nomeado para o Troféu Yashin.
2026/27: 6 jogos, 6 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
17. Yassine Bounou — Al-Hilal
“Bono” continua a aparecer nos grandes momentos. Aos 35 anos, voltou a deixar a sua marca no Mundial 2026 ao defender uma grande penalidade de Kylian Mbappé nos quartos de final frente à França.
O marroquino tornou-se assim o primeiro guarda-redes a defender quatro penáltis em Mundiais, incluindo desempates.
2026/27: 7 jogos, apenas 4 golos sofridos e 4 jogos sem sofrer.
16. Manuel Neuer — Bayern Munique
O homem que ajudou a revolucionar a posição continua entre a elite aos 40 anos. Neuer mantém uma extraordinária capacidade para controlar o espaço nas costas da defesa, embora o Mundial 2026 tenha reforçado a sensação de que os melhores anos ficaram definitivamente para trás.
2026/27: 5 jogos, 2 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
15. Matvey Safonov — Paris Saint-Germain
Substituir Donnarumma parecia uma missão quase impossível, mas Safonov conseguiu conquistar espaço no PSG depois de ultrapassar Lucas Chevalier na hierarquia.
Foi importante em mais uma época vitoriosa dos parisienses e está entre os nomeados para o Troféu Yashin.
2026/27: 8 jogos, 10 golos sofridos e 1 jogo sem sofrer.
14. Mile Svilar — Roma
A história de Svilar mudou completamente desde os tempos do Benfica. O jovem que viveu momentos complicados na Luz transformou-se num dos guarda-redes mais seguros da Serie A.
Foi eleito melhor guarda-redes do campeonato italiano em 2024/25 e 2025/26 e, aos 27 anos, destaca-se sobretudo pelos reflexos e pela capacidade de responder nos momentos decisivos.
2026/27: 6 jogos, 4 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
13. Unai Simón — Athletic Club
O campeão mundial e vencedor da Luva de Ouro do Mundial 2026 aparece apenas no 13.º lugar.
Luis de la Fuente preferiu Simón a David Raya e a escolha dificilmente poderia ter resultado melhor: sofreu apenas um golo em oito encontros e tornou-se o segundo espanhol a conquistar a Luva de Ouro depois de Iker Casillas.
2026/27: 6 jogos, 6 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
12. Yann Sommer — Club Brugge
Aos 37 anos, Sommer deixou o Inter e rumou ao futebol belga. Levou consigo um currículo impressionante em Milão, com dois campeonatos italianos, uma Taça de Itália e duas presenças em finais da Liga dos Campeões.
2026/27: 9 jogos, 7 golos sofridos e 5 jogos sem sofrer.
11. Diogo Costa — FC Porto
É provavelmente uma das posições mais polémicas deste ranking. Diogo Costa fica às portas do top 10 apesar de ter realizado um extraordinário Mundial 2026.
O guarda-redes do FC Porto terminou mesmo no primeiro lugar dos Power Rankings da FIFA para a posição durante o Mundial, à frente de Emiliano Martínez e Jordan Pickford.
Depois de ter sido o guarda-redes menos batido da Liga portuguesa na temporada anterior, arrancou ainda 2026/27 com cinco encontros consecutivos sem sofrer golos.
Continua igualmente a destacar-se na defesa de grandes penalidades e tem contrato com o FC Porto até 2030.
2026/27: 9 jogos, 5 golos sofridos e 5 jogos sem sofrer.
10. Jordan Pickford — Everton
Durante muito tempo existiu a ideia de que Pickford conseguia ser melhor por Inglaterra do que pelo Everton. Essa discussão praticamente desapareceu.
Aos 32 anos, tornou-se um dos guarda-redes mais consistentes da Premier League e terminou o Mundial 2026 no terceiro lugar dos Power Rankings da FIFA.
2026/27: 7 jogos, apenas 3 golos sofridos e 5 jogos sem sofrer.
9. Mike Maignan — AC Milan
Maignan conseguiu uma missão que parecia complicada: fazer os adeptos do Milan esquecerem a saída de Donnarumma.
Foi determinante na conquista do primeiro campeonato italiano dos rossoneri em mais de uma década e continua entre os melhores guarda-redes europeus.
2026/27: 6 jogos, 6 golos sofridos e 2 jogos sem sofrer.
8. Senne Lammens — Manchester United
Depois de anos de instabilidade na baliza, o Manchester United encontrou finalmente segurança.
Lammens trouxe simplicidade e consistência a uma posição que se tinha transformado num problema desde a saída de David De Gea. O impacto foi tal que acabou eleito Contratação da Época na Premier League.
2026/27: 6 jogos, 8 golos sofridos e 1 jogo sem sofrer.
7. Emiliano Martínez — Chelsea
Poucos guarda-redes são tão capazes de transformar um grande momento numa batalha psicológica.
Emiliano Martínez ficou eternamente ligado à conquista argentina do Mundial 2022 e voltou a conduzir a Albiceleste à final em 2026, desta vez perdida diante de Espanha no prolongamento.
Aos 34 anos, deixou o Aston Villa e mudou-se para o Chelsea.
2026/27: 4 jogos, 10 golos sofridos e ainda nenhum jogo sem sofrer.
6. Jan Oblak — Atlético Madrid
O rendimento pode já não ser exatamente aquele que apresentou no auge, mas Oblak continua entre os melhores.
Seis Troféus Zamora e mais de uma década como referência do Atlético dizem praticamente tudo sobre a consistência do esloveno.
2026/27: 8 jogos, 9 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
5. Joan García — Barcelona
A ascensão foi impressionante. Depois de brilhar no Espanyol, Joan García chegou ao Barcelona e conseguiu retirar naturalmente o lugar a Marc-André ter Stegen.
Na primeira temporada no Camp Nou conquistou o Troféu Zamora, sofrendo apenas 21 golos em 30 partidas, e recebeu a primeira nomeação para o Troféu Yashin.
2026/27: 7 jogos, 6 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
4. Alisson Becker — Liverpool
Continua a ser um dos modelos de referência para aquilo que se pretende de um guarda-redes moderno.
Alisson combina serenidade, reflexos, capacidade de jogar fora da baliza e enorme qualidade com os pés. Aos 33 anos, porém, as lesões recentes começaram a levantar dúvidas sobre se o brasileiro já terá ultrapassado o ponto máximo da carreira.
2026/27: 6 jogos, 5 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
3. Gianluigi Donnarumma — Manchester City
Donnarumma demorou algum tempo a atingir no PSG aquilo que dele se esperava desde os tempos do Milan, mas acabou por confirmar todo o potencial.
Depois de ser determinante na primeira Liga dos Campeões conquistada pelo PSG e ganhar o segundo Troféu Yashin, mudou-se para o Manchester City.
Na primeira temporada em Inglaterra conseguiu 15 jogos sem sofrer na Premier League e conquistou a Taça da Liga e a Taça de Inglaterra.
2026/27: 7 jogos, 8 golos sofridos e 3 jogos sem sofrer.
2. David Raya — Arsenal
O espanhol chegou ao Arsenal para competir com Aaron Ramsdale e precisou apenas de algumas semanas para conquistar definitivamente o lugar.
Três temporadas depois, soma três Luvas de Ouro consecutivas da Premier League.
Em 2025/26 terminou 28 dos 51 jogos sem sofrer golos e foi uma das grandes figuras do Arsenal na conquista do primeiro título inglês em 22 anos.
2026/27: 7 jogos, apenas 4 golos sofridos e 5 jogos sem sofrer.
1. Thibaut Courtois — Real Madrid
No topo continua Thibaut Courtois.
O belga já construiu um currículo que o coloca entre os grandes guarda-redes da era moderna e continua a ser decisivo para o Real Madrid.
A exibição na final da Liga dos Campeões de 2022 diante do Liverpool permanece como um dos momentos mais impressionantes da carreira, mas talvez o maior testemunho da sua importância tenha surgido depois da grave lesão sofrida em 2023/24.
Courtois regressou de uma rotura do ligamento cruzado anterior ainda a tempo de voltar a fechar a baliza numa final da Champions, frente ao Borussia Dortmund.
Quando Courtois não está na baliza do Real Madrid, a diferença continua a sentir-se. Está novamente nomeado para o Troféu Yashin e mantém-se, neste ranking, como a referência mundial da posição.
2026/27: 8 jogos, 9 golos sofridos e 1 jogo sem sofrer.
Troféu Yashin 2026: há duas ausências que dão que falar
O Troféu Yashin 2026 será entregue a 26 de outubro, durante a gala da Bola de Ouro, em Londres.
Os dez nomeados são Yassine Bounou, Thibaut Courtois, Joan García, Gregor Kobel, Emiliano Martínez, Édouard Mendy, David Raya, Matvey Safonov, Unai Simón e Vozinha, veterano de Cabo Verde que se destacou no Mundial.
Mas existem duas ausências particularmente surpreendentes: Gianluigi Donnarumma, vencedor do prémio em 2025, e Diogo Costa, apesar do enorme Mundial realizado pelo internacional português.
E é precisamente a posição de Diogo Costa que promete gerar mais discussão entre os adeptos portugueses. O guarda-redes do FC Porto aparece apenas em 11.º neste ranking, apesar de ter terminado o Mundial 2026 no topo dos Power Rankings da FIFA para a posição.
Courtois, Raya e Donnarumma formam o pódio, mas entre os veteranos que resistem e a nova geração que já está a chegar ao topo, a luta pelo estatuto de melhor guarda-redes do mundo está mais aberta do que há muito tempo.


