A polémica entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus continua a provocar fortes reações, mas desta vez é Pedro Proença quem está no centro das críticas. José Carlos Freitas, comentador da SIC, acusou o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) de nunca ter defendido publicamente o selecionador nacional e de tratar o capitão português como se fosse intocável.
As críticas surgem depois de Pedro Proença ter manifestado a vontade de ver Cristiano Ronaldo regressar à Seleção Nacional já em novembro, apesar do processo disciplinar instaurado ao avançado na sequência do abandono do estágio.
“Pedro Proença nunca saiu em defesa do selecionador nacional”
Durante a sua intervenção na SIC Notícias, José Carlos Freitas questionou a postura do presidente da FPF ao longo de toda a controvérsia.
O comentador considera que Pedro Proença tem demonstrado uma preocupação constante com o regresso de Cristiano Ronaldo, mas nunca adotou uma posição pública clara em defesa de Jorge Jesus.
“A questão de Pedro Proença é que em momento algum saiu em defesa do selecionador nacional. Todas as declarações dele são no sentido de todos quererem o capitão de volta, sem apontar nenhuma falha ao comportamento de Ronaldo.”
José Carlos Freitas foi ainda mais longe, colocando em causa a forma como o presidente da Federação tem abordado o comportamento do internacional português.
“Em momento algum Pedro Proença criticou o capitão (…) Parece que é intocável no pensamento do presidente da federação.”
Para o comentador, a ausência de uma defesa pública do selecionador nacional contrasta com as sucessivas manifestações de vontade de recuperar Cristiano Ronaldo.
Proença acusado de interferir nas decisões de Jorge Jesus
Uma das críticas mais contundentes de José Carlos Freitas prende-se com a possibilidade de Pedro Proença estar a ultrapassar os limites das suas funções enquanto presidente da FPF.
No sábado, Proença afirmou que todas as partes pretendem o regresso de Cristiano Ronaldo à Seleção em novembro, incluindo a Federação, Jorge Jesus, o próprio capitão e os restantes jogadores.
O dirigente defendeu ainda que o momento exige “tranquilidade” e “serenidade”.
Contudo, José Carlos Freitas entende que estas declarações podem representar uma intromissão na autonomia do selecionador nacional.
“Está quase que a impor o nome do jogador na próxima lista de convocados.”
A crítica é particularmente relevante porque a convocatória da Seleção Nacional deve resultar das decisões técnicas do selecionador, independentemente da importância ou do estatuto de qualquer jogador.
Comentador recorda processo disciplinar que ainda não arrancou
Outro dos pontos levantados por José Carlos Freitas está relacionado com o processo disciplinar instaurado a Cristiano Ronaldo pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol.
O procedimento foi aberto depois de o capitão ter abandonado a concentração da Seleção Nacional, na sequência do desentendimento com Jorge Jesus.
Segundo a informação avançada pela SIC Notícias, o processo tem caráter de urgência, mas ainda não tinha começado com a audição das partes envolvidas.
Para o comentador, este é um detalhe que Pedro Proença parece estar a desvalorizar quando manifesta publicamente a intenção de ver Ronaldo regressar já em novembro.
Antes de qualquer regresso, existe um procedimento disciplinar que terá de seguir os seus trâmites e cujo desfecho ainda é desconhecido.
José Carlos Freitas não acredita no regresso sem retratação pública
José Carlos Freitas mostrou-se também cético quanto à possibilidade de Cristiano Ronaldo voltar a ser convocado por Jorge Jesus sem uma retratação pública relativamente ao comportamento que esteve na origem da polémica.
Na sua perspetiva, o selecionador dificilmente aceitará o regresso do capitão sem que a situação seja devidamente esclarecida.
Esta avaliação surge apesar de Cristiano Ronaldo já ter reconhecido publicamente que errou ao abandonar o estágio da Seleção Nacional.
O avançado pediu desculpa aos companheiros, mas manteve as críticas a Jorge Jesus, a quem acusou de não ter cumprido compromissos assumidos durante a gestão do episódio.
O conflito continua, assim, por resolver, com dúvidas sobre as condições em que poderá acontecer uma reconciliação entre o capitão e o selecionador.
Pedro Proença cada vez mais pressionado pela gestão do caso Ronaldo
As declarações de José Carlos Freitas acrescentam um novo capítulo à polémica que tem marcado a atualidade da Seleção Nacional.
O comentador da SIC Notícias não coloca apenas em causa a gestão do conflito entre Ronaldo e Jorge Jesus. Questiona também a postura institucional do presidente da FPF.
Para José Carlos Freitas, Pedro Proença deveria ter demonstrado maior firmeza na defesa da autoridade do selecionador nacional, em vez de concentrar as suas intervenções públicas na vontade de recuperar o capitão.
O ponto central das críticas é claro: enquanto Cristiano Ronaldo continua a receber manifestações públicas de apoio ao seu regresso, Jorge Jesus não teve, na opinião do comentador, uma defesa igualmente clara por parte do presidente da Federação.
Com o processo disciplinar ainda sem decisão e a próxima convocatória a aproximar-se, Pedro Proença enfrenta agora uma questão delicada: como promover a reconciliação sem criar a perceção de que está a condicionar as decisões do selecionador nacional?
Podes ver o vídeo aqui.


