Paulo Futre aproveitou uma noite de homenagem para lançar uma proposta que promete dar muito que falar no futebol português. O antigo internacional defendeu que a Federação Portuguesa de Futebol deve tomar uma decisão histórica em relação a Cristiano Ronaldo e deixou uma mensagem clara sobre a forma como o capitão merece terminar a carreira na Seleção Nacional.
As declarações foram feitas esta quinta-feira, 15 de outubro, durante a VII Gala dos Prémios Empresariais da Fundação do Desporto, cerimónia em que Futre foi distinguido com o Prémio Ibérico Fundación Patrocina un Deportista.
O antigo jogador do FC Porto e do Atlético de Madrid recordou vários momentos da carreira, mas foi quando abordou a polémica entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus que provocou aplausos e gargalhadas na sala.
Paulo Futre defende decisão histórica sobre Cristiano Ronaldo
Durante o discurso de agradecimento, Paulo Futre dirigiu-se diretamente a Fernando Gomes, atual presidente do Comité Olímpico de Portugal e antigo presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
Depois de o considerar o “melhor presidente da Federação Portuguesa de Futebol de sempre”, lançou-lhe uma pergunta inesperada.
“Diga, presidente, se ainda estivesse na FPF retirava a camisola 7? Presidente, não responda, eu retirava.”
Futre não ficou por aí e voltou a insistir na ideia de que a camisola eternizada por Cristiano Ronaldo deveria deixar de ser utilizada na Seleção Nacional.
“E repito, a camisola 7 tem de ser retirada da Seleção, o Cristiano tem de sair em grande e não tenho nada contra o Jorge Jesus.”
A proposta representa uma homenagem ao legado de Cristiano Ronaldo, que transformou o número 7 num dos símbolos mais reconhecidos do futebol português.
Não existe, contudo, qualquer indicação de que a Federação Portuguesa de Futebol esteja a ponderar oficialmente retirar o número.
“Cristiano tem de sair em grande”
As palavras de Paulo Futre surgem numa altura em que o futuro de Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional continua envolvido em incerteza.
O conflito com Jorge Jesus, na sequência do último estágio da equipa das quinas, abriu uma discussão sobre a continuidade do capitão e a forma como poderá terminar a sua carreira internacional.
Futre considera que a importância histórica de Ronaldo merece um reconhecimento à altura dos seus feitos.
Ao mesmo tempo, fez questão de esclarecer que a sua posição não representa um ataque ao selecionador nacional.
“Não tenho nada contra o Jorge Jesus”, sublinhou o antigo internacional português.
A mensagem foi recebida com aplausos e momentos de boa disposição durante a cerimónia.
Futre também abandonou a Seleção depois de uma decisão do treinador
O antigo extremo conhece de perto a frustração de um jogador habituado a ser titular quando descobre que vai ficar no banco de suplentes.
Durante a intervenção, Paulo Futre recordou um episódio vivido em 1995, quando representava o AC Milan e foi surpreendido por uma decisão do então selecionador António Oliveira.
Na altura, Futre soube que não seria titular durante a palestra do treinador perante os restantes jogadores.
“O António Oliveira não me disse que não ia jogar, eu era jogador do AC Milan e não gostei. Soube que não ia jogar na palestra com os outros jogadores. Como não gostei, a quente, fui-me embora.”
O episódio apresenta semelhanças com a atual polémica envolvendo Cristiano Ronaldo, embora as circunstâncias dos dois casos sejam diferentes.
Ao recordar a sua própria experiência, Futre mostrou conhecer a reação emocional que pode surgir quando um futebolista não aceita uma decisão técnica.
Uma homenagem especial numa noite de emoções
Paulo Futre recebeu o Prémio Ibérico Fundación Patrocina un Deportista das mãos do secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias.
A VII Gala dos Prémios Empresariais da Fundação do Desporto distinguiu o contributo de empresas e entidades privadas para o desenvolvimento desportivo, reconhecendo também personalidades que marcaram o desporto.
Depois da homenagem, o antigo internacional português participou em vários momentos de convívio, distribuindo apertos de mão e tirando fotografias com os presentes.
Mas foi a proposta relacionada com Cristiano Ronaldo que acabou por marcar o discurso.
Será que a camisola 7 de Portugal deve ser retirada?
A ideia lançada por Paulo Futre promete dividir opiniões.
Por um lado, retirar definitivamente o número 7 seria uma forma de homenagear um futebolista que marcou uma era na Seleção Nacional e conquistou títulos históricos ao serviço de Portugal.
Por outro, a decisão impediria futuros internacionais de utilizarem um número que também faz parte da história da equipa das quinas.
Para Futre, porém, não há dúvidas: Cristiano Ronaldo merece uma despedida em grande e a camisola 7 deve ser retirada em sua homenagem.
Uma posição que ganha especial significado numa altura em que o futuro do capitão na Seleção Nacional permanece por esclarecer.


