A batalha judicial entre Cristiano Ronaldo e a Juventus está longe de terminar. Apesar de duas decisões favoráveis ao internacional português, o clube italiano decidiu avançar para a mais alta instância judicial do país, numa tentativa de evitar o pagamento de 9,8 milhões de euros relativos a salários em atraso. O processo, que remonta à pandemia de Covid-19, entra agora numa nova fase.
Segundo informações avançadas pela imprensa italiana, nomeadamente pelo jornal La Gazzetta dello Sport, a Juventus apresentou um recurso junto do Tribunal de Cassação, procurando reverter a decisão que obriga o clube a indemnizar o antigo avançado.
O mais surpreendente é que Cristiano Ronaldo já venceu duas etapas desta disputa judicial, mas a Juventus continua determinada a contestar o pagamento.
Juventus leva disputa com Ronaldo à mais alta instância judicial
A decisão de avançar com um novo recurso foi confirmada no relatório financeiro da Juventus relativo à temporada 2025/2026.
De acordo com o documento, o clube apresentou o recurso ao Tribunal de Cassação em 27 de março de 2026, encontrando-se ainda a aguardar a marcação da audiência.
O Tribunal de Cassação representa a última instância de recurso do sistema judicial italiano e tem como principal função analisar questões relacionadas com a aplicação da lei.
Por isso, a decisão de recorrer não significa necessariamente que todo o processo será novamente julgado desde o início.
O objetivo da Juventus é conseguir a anulação da decisão que a obriga a pagar 9,8 milhões de euros ao antigo jogador, acrescidos de juros e atualizações previstas.
Tudo começou com um acordo secreto durante a pandemia
A origem do conflito remonta ao período da pandemia de Covid-19, quando os clubes europeus enfrentaram dificuldades financeiras devido à interrupção das competições e à ausência de público nos estádios.
Na altura, a Juventus negociou com vários jogadores mecanismos de adiamento do pagamento de salários.
Cristiano Ronaldo estava entre os futebolistas abrangidos por esses entendimentos.
Segundo os elementos conhecidos do processo, o clube italiano comprometeu-se a pagar ao internacional português aproximadamente 19,5 milhões de euros em remunerações diferidas.
O documento que sustentava esse compromisso acabaria por ficar conhecido como a “carta de Ronaldo”.
O acordo foi descoberto durante uma investigação às práticas financeiras da Juventus, nomeadamente às chamadas “manobras salariais” realizadas durante a pandemia.
Entretanto, Cristiano Ronaldo deixou Turim em 2021 para regressar ao Manchester United, mas a questão dos valores alegadamente em dívida permaneceu por resolver.
Ronaldo venceu a primeira batalha em abril de 2024
O primeiro grande desenvolvimento judicial surgiu em abril de 2024.
Um tribunal arbitral decidiu, por maioria, que a Juventus deveria pagar a Cristiano Ronaldo aproximadamente 9,8 milhões de euros, acrescidos de juros e dos ajustamentos aplicáveis.
O montante correspondia a cerca de metade dos 19,5 milhões de euros inicialmente reclamados pelo internacional português.
A decisão representou uma vitória importante para Ronaldo, embora o tribunal não tenha reconhecido integralmente as suas pretensões.
O painel arbitral também concluiu que não existiam provas de que a Juventus tivesse enganado deliberadamente o jogador.
Outro elemento considerado foi o facto de Ronaldo não ter reclamado aqueles valores no momento em que abandonou o clube italiano, em 2021.
Apesar dessas considerações, a decisão estabeleceu a obrigação de pagamento de cerca de metade do montante reclamado.
Juventus voltou a perder em janeiro de 2026
Inconformada com a decisão arbitral, a Juventus apresentou uma impugnação junto do Tribunal do Trabalho de Turim.
Contudo, em janeiro de 2026, a justiça italiana voltou a decidir favoravelmente a Cristiano Ronaldo.
O tribunal rejeitou a contestação apresentada pelo clube e manteve a decisão que determinava o pagamento dos 9,8 milhões de euros.
Foi a segunda decisão desfavorável à Juventus no mesmo processo.
Apesar disso, os responsáveis do clube entenderam que ainda existiam fundamentos jurídicos para prosseguir a disputa.
Daí o recurso agora confirmado ao Tribunal de Cassação, que poderá determinar se a decisão anterior deve ser mantida ou revista nos termos legalmente admissíveis.
Juventus garante que novo recurso não terá impacto financeiro adicional
O relatório financeiro da Juventus inclui também uma informação relevante para os investidores.
O clube esclarece que os encargos associados à decisão judicial já foram reconhecidos nas suas contas desde o exercício financeiro de 2023/2024.
Isto significa que, segundo a informação contabilística divulgada, o processo não deverá provocar novos encargos nas demonstrações financeiras atuais ou futuras relativamente aos valores já provisionados.
A Juventus procura, assim, continuar a defender a sua posição em tribunal sem apresentar o litígio como uma nova ameaça às suas contas.
Naturalmente, o resultado final do recurso continua por conhecer.
Ronaldo pode voltar a vencer a Juventus nos tribunais?
Depois de duas decisões favoráveis, Cristiano Ronaldo chega a esta fase do processo com uma posição judicial reforçada.
No entanto, o recurso ao Tribunal de Cassação significa que a disputa ainda não está definitivamente encerrada.
O tribunal terá de analisar os fundamentos jurídicos apresentados pela Juventus e decidir se existem motivos para alterar o desfecho das decisões anteriores.
Até ao momento, não foi divulgada uma data para a audiência.
O que está em causa são quase 10 milhões de euros que a justiça italiana já considerou devidos a Cristiano Ronaldo, mas cujo pagamento continua a ser contestado pelo seu antigo clube.
O português representou a Juventus entre 2018 e 2021, período em que conquistou dois campeonatos italianos e se afirmou como uma das principais figuras da equipa.
Cinco anos depois da sua saída de Turim, a relação entre as duas partes continua a ter um capítulo por encerrar.
A Juventus já perdeu duas batalhas judiciais frente a Cristiano Ronaldo. Agora, aposta na última instância para tentar mudar o desfecho de uma disputa milionária que começou durante a pandemia.


