José Mourinho não poupou palavras depois da derrota do Real Madrid no dérbi frente ao Atlético de Madrid. O treinador português apontou diretamente à equipa de arbitragem, classificou Ortiz Arias como um árbitro “medíocre” e levantou várias dúvidas sobre a escolha feita para um encontro desta dimensão.
O técnico merengue mostrou-se particularmente revoltado com a expulsão de Dean Huijsen no início da segunda parte e com a consequente grande penalidade convertida por Grimaldo, mas as críticas não ficaram por aí.
Mourinho questionou também a escolha de Trujillo para o VAR e acabou por recuperar uma velha crítica ao futebol espanhol.
“A LaLiga continua igual ao que deixei para trás.”
Mourinho levou dois prints para a conferência de imprensa e arrasou a arbitragem. pic.twitter.com/Z8i8OOjalA
— B24 (@B24PT) September 20, 2026
Mourinho estranha nomeação do árbitro
Na conferência de imprensa, o português começou por apontar diretamente à Comissão de Designação, considerando estranho que a identidade do árbitro fosse conhecida com maior antecedência do que considera habitual.
“Quem deve estar contente, além do Atlético, é a Comissão de Designação. Foi tudo muito estranho. Uma semana antes já se sabia quem era o árbitro, quando normalmente isso só se sabe 24 horas antes.”
Mourinho prosseguiu as críticas, apontando para a idade e experiência de Ortiz Arias.
“Além disso, o árbitro tem 41 anos e não é internacional, pelo que não deve ser um grande árbitro. Depois, o coitado não aguentou a pressão.”
“É um árbitro medíocre”
O treinador do Real Madrid subiu ainda mais o tom quando analisou a experiência do árbitro para dirigir um dérbi desta dimensão.
“O árbitro não tinha experiência para arbitrar um dérbi. Tem 41 anos. É um árbitro medíocre que só arbitrou jogos de pouca importância. Parabéns à comissão de arbitragem por esta nomeação.”
Mourinho não se limitou, contudo, ao trabalho do árbitro principal. O português direcionou também as críticas para Trujillo, responsável pelo VAR.
O técnico recordou anteriores encontros do Real Madrid nos quais o mesmo árbitro esteve envolvido e deixou no ar fortes reservas relativamente à escolha.
“O senhor Trujillo tem, de facto, um passado com o Real Madrid. Na Taça, em Girona, no Osasuna. É um árbitro do VAR com um longo historial.”
Mourinho esclarece: “Não quero dizer que isto tenha sido preparado”
Apesar da dureza das declarações, Mourinho fez questão de estabelecer um limite às acusações e afirmou não acreditar que aquilo que aconteceu tenha sido deliberadamente preparado.
“Se nos deixarem competir em igualdade de condições, fá-lo-emos. Não quero dizer que isto tenha sido preparado, quero acreditar que se enganaram.”
O treinador insistiu, ainda assim, que considera terem existido erros nas escolhas realizadas para a equipa de arbitragem.
“Que o Comité se enganou ao colocar um de 41 anos e outro que tem um historial contra o Real Madrid.”
“Neste estádio acontecem coisas que não são normais”
Mourinho foi ainda mais longe e recuperou outros episódios relacionados com jogos realizados no Metropolitano, defendendo que já ocorreram decisões difíceis de compreender.
“Neste estádio acontecem coisas que não são normais. O golo anulado ao Osasuna é uma piada, o que aconteceu em San Sebastián…”
Foi então que o português deixou uma das frases mais fortes de toda a conferência de imprensa.
“A LaLiga continua igual ao que deixei para trás. Vamos lutar. Os meus rapazes vão-se embora tristes.”
Expulsão de Huijsen incendiou o dérbi
No centro da revolta madridista esteve a expulsão de Dean Huijsen no início da segunda parte e a grande penalidade que se seguiu, convertida por Grimaldo.
Existiram ainda outros lances polémicos nos quais Mourinho considerou que deveriam ter sido exibidos cartões, contribuindo para aumentar a insatisfação do treinador com a atuação da equipa de arbitragem.
O primeiro dérbi de Madrid de Mourinho desde o regresso a Espanha terminou, assim, da pior forma para o português: derrota no Metropolitano e uma conferência de imprensa explosiva, com críticas ao árbitro, ao VAR e à própria estrutura responsável pelas nomeações.
E Mourinho terminou com uma mensagem que promete alimentar a polémica nos próximos dias: acredita que o Real Madrid conseguirá competir, mas exige que o faça em “igualdade de condições”.


