Há uma reviravolta importante na crise que está a abalar a Seleção Nacional. Jorge Jesus aceitou sentar-se à mesa para tentar resolver o conflito com Cristiano Ronaldo, numa altura em que a Federação Portuguesa de Futebol procura desesperadamente impedir que a rutura termine com o adeus definitivo do capitão às Quinas.
Depois de dias marcados por declarações duras, pela saída de Cristiano Ronaldo do estágio e por uma polémica que rapidamente ultrapassou as quatro linhas, o selecionador nacional mostrou agora disponibilidade para participar numa reunião de emergência destinada a aproximar novamente as duas partes.
A iniciativa está a ser conduzida pela Federação Portuguesa de Futebol, mas ainda existe um obstáculo decisivo: Cristiano Ronaldo ainda terá de aceitar participar no encontro.
Jorge Jesus aceita sentar-se à mesa
A diplomacia de bastidores na Cidade do Futebol conseguiu aquilo que pode ser considerado o primeiro avanço verdadeiramente significativo desde o início da crise.
Jorge Jesus deu luz verde à realização de uma reunião para tentar reaproximar posições com Cristiano Ronaldo, aceitando a mediação proposta pela FPF.
A disponibilidade do selecionador ganha particular importância depois de tudo aquilo que aconteceu nos últimos dias.
Jesus tinha assumido publicamente uma posição de enorme firmeza relativamente à gestão da equipa, deixando claro que é o treinador quem decide quem joga, quem fica no banco e quando cada jogador é utilizado.
Agora, porém, aceita conversar diretamente com Ronaldo numa tentativa de encontrar uma solução para um conflito que ameaça terminar definitivamente um dos ciclos mais importantes da história da Seleção Nacional.
A bola está agora do lado de Cristiano Ronaldo
Apesar da abertura de Jorge Jesus, a reunião ainda não está garantida.
A FPF aguarda agora por um sinal de Cristiano Ronaldo.
O organismo federativo pretende juntar as partes e procurar uma solução que permita baixar a tensão, recuperar a estabilidade e, sobretudo, perceber se ainda existe espaço para o capitão voltar à Seleção Nacional.
Depois de Jorge Jesus ter aceitado participar, será a resposta de Ronaldo que determinará se a tentativa de reconciliação avança.
O cenário coloca assim CR7 perante uma decisão particularmente importante: aceitar sentar-se à mesa com o selecionador ou manter a posição assumida quando abandonou o estágio.
Uma crise que já ultrapassou o balneário
O problema deixou há muito de estar limitado à relação entre jogador e treinador.
A saída de Cristiano Ronaldo provocou uma enorme divisão na opinião pública portuguesa e transformou-se num assunto de dimensão nacional.
Em Lisboa chegaram mesmo a surgir cartazes de apoio ao capitão, alguns deles particularmente críticos em relação à forma como Jorge Jesus geriu toda a situação.
O ambiente de tensão também se fez sentir na chegada da comitiva portuguesa ao Porto, demonstrando que o caso continua muito longe de estar encerrado.
A dimensão alcançada pela polémica ajuda a explicar a tentativa da Federação de encontrar uma saída diplomática antes que as posições se tornem definitivamente irreconciliáveis.
FPF quer evitar um adeus desta forma
Para a Federação, existe muito mais em causa do que resolver uma simples divergência entre um treinador e um jogador.
Cristiano Ronaldo representa mais de duas décadas da história recente da Seleção Nacional e uma eventual despedida neste contexto deixaria inevitavelmente uma marca amarga no final da sua trajetória internacional.
É precisamente esse cenário que a estrutura federativa procura evitar.
A mediação pretende criar condições para que Ronaldo e Jesus possam expor diretamente as respetivas posições e perceber se ainda existe uma base mínima para reconstruir a relação.
Isso não significa, naturalmente, que Cristiano Ronaldo esteja de regresso à Seleção. Neste momento, nem sequer significa que a reunião vá efetivamente acontecer.
Significa apenas que Jorge Jesus já aceitou conversar e que a FPF está à espera da resposta do capitão.
Ronaldo tem agora a palavra
Depois de vários dias em que Jorge Jesus assumiu publicamente uma posição de autoridade perante o conflito, a disponibilidade para esta reunião representa uma mudança importante no desenvolvimento do caso.
O selecionador aceita agora participar numa tentativa formal de reconciliação promovida pela Federação.
Falta saber aquilo que fará Cristiano Ronaldo.
Se aceitar o encontro, poderá abrir-se uma porta que parecia praticamente fechada depois da saída intempestiva do estágio. Se recusar, a possibilidade de uma rutura definitiva ganhará ainda mais força.
Jorge Jesus já deu o primeiro passo. A FPF está preparada para mediar. Agora, toda a atenção está virada para Cristiano Ronaldo e para uma resposta que pode decidir se ainda existe futuro para o capitão na Seleção Nacional.


