O Al-Nassr goleou o Pakhtakor por 6-2, numa noite em que João Félix brilhou com dois golos e duas assistências, mas foi a ausência de Cristiano Ronaldo que acabou por dominar a conferência de imprensa. Confrontado com a ideia de que a equipa saudita se torna mais perigosa quando o capitão português não está em campo, Ange Postecoglou não hesitou em responder e deixou uma mensagem clara sobre a importância de CR7.
A formação saudita deslocou-se ao Uzbequistão para defrontar o Pakhtakor, num encontro da Liga dos Campeões Asiática Elite, e regressou a Riade com uma vitória expressiva por 6-2.
Cristiano Ronaldo não integrou a comitiva, tendo sido poupado pela equipa técnica depois de marcar três golos em apenas 15 minutos no compromisso anterior do campeonato saudita.
Apesar da ausência do internacional português, o Al-Nassr apresentou-se particularmente eficaz no ataque, somando a sexta vitória consecutiva em todas as competições.
Foi precisamente esse rendimento ofensivo que motivou uma pergunta incómoda ao treinador australiano.
Treinador adversário disse que Al-Nassr é mais perigoso sem Cristiano Ronaldo
Antes do encontro, Kamoliddin Tajiev, treinador do Pakhtakor, tinha defendido que o Al-Nassr poderia representar uma ameaça ainda maior quando Cristiano Ronaldo não estivesse em campo.
A afirmação ganhou particular destaque depois da goleada por 6-2, num jogo em que a equipa saudita demonstrou grande capacidade ofensiva mesmo sem o seu capitão.
Na conferência de imprensa, Ange Postecoglou foi confrontado com as declarações do treinador adversário.
O técnico australiano rejeitou imediatamente a ideia de que o Al-Nassr se torna mais forte sem Cristiano Ronaldo e recordou aquilo que tinha acontecido no encontro anterior.
“Mas o Cris jogou no último jogo e marcámos cinco golos.”
A resposta não ficou por aqui.
“Quer o Cris jogue ou não, o mais importante é que os jogadores que estiveram em campo hoje apresentaram um nível muito elevado.”
Postecoglou procurou, assim, afastar qualquer comparação entre o rendimento ofensivo da equipa com e sem o internacional português.
Postecoglou defende Cristiano Ronaldo e deixa resposta contundente
O treinador do Al-Nassr insistiu que a goleada frente ao Pakhtakor não deve ser interpretada como uma demonstração de que a equipa funciona melhor sem o capitão.
Postecoglou destacou a qualidade coletiva dos seus jogadores e lembrou que o adversário já tinha criado dificuldades a outras formações sauditas.
“Sabemos que o adversário tem conseguido bons resultados frente às outras equipas sauditas, por isso sabíamos que não seria fácil.”
O australiano elogiou depois o comportamento ofensivo da equipa, mas fez questão de voltar a mencionar Cristiano Ronaldo.
“O nosso futebol ofensivo, de uma forma geral, foi muito, muito bom. Tenho a certeza de que, se o Cris estivesse aqui, também teria sido muito bom.”
Uma declaração que deixou clara a posição do treinador: a ausência de Cristiano Ronaldo não foi, na sua perspetiva, a razão para a eficácia ofensiva demonstrada pelo Al-Nassr.
Postecoglou preferiu valorizar a prestação coletiva e a capacidade dos jogadores utilizados para aproveitarem a oportunidade.
“Estou satisfeito com os jogadores. Foi uma boa exibição. Marcámos seis golos. Merecemos completamente vencer o jogo.”
Com estas palavras, o treinador encerrou a discussão sobre a alegada vantagem de jogar sem o capitão português.
João Félix brilha com dois golos e duas assistências
Se Cristiano Ronaldo foi o grande ausente da noite, João Félix assumiu o protagonismo dentro das quatro linhas.
O internacional português esteve diretamente envolvido em quatro dos seis golos do Al-Nassr, terminando a partida com dois golos e duas assistências.
A primeira contribuição surgiu aos 15 minutos, quando João Félix assistiu Abdullah Al-Hamdan para o golo inaugural da formação saudita.
Apenas dois minutos depois, aos 17, o antigo jogador do Benfica voltou a estar em evidência, desta vez como finalizador, fazendo o segundo golo do Al-Nassr.
O português não ficou por aqui e, aos 32 minutos, voltou a marcar, ampliando a vantagem da equipa visitante.
Em pouco mais de meia hora, João Félix já tinha participado diretamente em três golos, com dois remates certeiros e uma assistência.
Na segunda parte, aos 53 minutos, o avançado voltou a destacar-se ao assistir Abdulelah Al-Amri para o 4-1.
Com a vitória praticamente assegurada, João Félix foi substituído aos 68 minutos, deixando o relvado depois de uma das exibições mais influentes da equipa.
O desempenho do internacional português foi decisivo para o triunfo expressivo do Al-Nassr, demonstrando a importância que pode assumir no ataque mesmo quando Cristiano Ronaldo não está disponível.
Cristiano Ronaldo foi poupado depois de um hat-trick em 15 minutos
A ausência de Cristiano Ronaldo na deslocação ao Uzbequistão não esteve relacionada com qualquer decisão disciplinar ou perda de importância na equipa.
O capitão do Al-Nassr foi poupado para recuperar fisicamente, numa estratégia de gestão de esforço que tem sido utilizada nas deslocações internacionais durante a fase de liga da competição asiática.
Aos 41 anos, o internacional português continua a ser uma das principais referências ofensivas do conjunto saudita.
No encontro anterior do campeonato, Cristiano Ronaldo tinha demonstrado a sua capacidade de finalização ao apontar três golos num espaço de apenas 15 minutos.
O Al-Nassr terminou essa partida com cinco golos marcados, um dado que Postecoglou utilizou precisamente para contrariar a ideia de que a equipa se torna mais perigosa sem o português.
O argumento do treinador foi simples: se a equipa marcou cinco golos com Cristiano Ronaldo e seis sem ele, não faz sentido atribuir a diferença exclusivamente à presença ou ausência do capitão.
A gestão física do avançado permite ainda que outros jogadores assumam maior protagonismo em determinados encontros, como aconteceu com João Félix diante do Pakhtakor.
Al-Nassr ganha terreno na Liga dos Campeões Asiática
A vitória por 6-2 no Uzbequistão teve também consequências importantes para as ambições internacionais do Al-Nassr.
Com os três pontos conquistados, a equipa orientada por Ange Postecoglou passou a somar seis pontos em três encontros disputados na fase de liga da Zona Oeste da Liga dos Campeões Asiática Elite.
O conjunto saudita tinha começado a competição com uma derrota por 4-0 frente ao Al-Ain, antes de recuperar com uma vitória por 3-1 sobre o Neftchi.
O triunfo diante do Pakhtakor permitiu consolidar essa recuperação e aproximar a equipa dos lugares de apuramento.
O Al-Nassr encontra-se a seis pontos do líder Al-Ain, numa classificação composta por 16 equipas, das quais apenas as oito primeiras garantem a passagem à fase a eliminar.
O clube saudita tem ainda um encontro em atraso frente ao Al-Wasl, depois de a partida ter sido adiada devido a problemas de viagem que impediram a formação adversária de chegar a Riade.
Entretanto, no campeonato saudita, o Al-Nassr ocupa o terceiro lugar, a apenas dois pontos da liderança.
Afinal, o Al-Nassr joga melhor sem Cristiano Ronaldo?
A goleada frente ao Pakhtakor voltou a alimentar uma discussão que acompanha frequentemente as equipas de Cristiano Ronaldo: será que os companheiros apresentam maior liberdade ofensiva quando o português não está em campo?
Os seis golos marcados no Uzbequistão demonstraram que o Al-Nassr dispõe de várias soluções ofensivas, com João Félix a assumir um papel determinante.
Contudo, uma única partida não permite concluir que a equipa seja mais forte sem o seu capitão.
Aliás, o próprio Postecoglou fez questão de recordar que Cristiano Ronaldo tinha participado na goleada anterior, em que o Al-Nassr marcou cinco golos.
Para o treinador australiano, a questão não passa por escolher entre jogar com ou sem CR7, mas por garantir que a equipa mantém um rendimento elevado independentemente dos jogadores utilizados.
“Tenho a certeza de que, se o Cris estivesse aqui, também teria sido muito bom.”
Foi esta a frase com que Postecoglou contrariou a ideia lançada pelo treinador do Pakhtakor.
Numa noite em que João Félix brilhou e o Al-Nassr marcou seis golos sem Cristiano Ronaldo, o treinador fez questão de defender publicamente o seu capitão.
A mensagem foi inequívoca: o Al-Nassr pode ganhar e marcar muitos golos sem Cristiano Ronaldo, mas isso não significa que seja uma equipa melhor quando o internacional português fica de fora.


