A retirada de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional continua a provocar reações inesperadas. Depois de mais de duas décadas a representar Portugal, o internacional português anunciou o fim da sua carreira com a camisola das quinas, uma decisão que levou uma companhia aérea a prestar-lhe uma homenagem absolutamente invulgar. A iniciativa envolve um lugar específico nos aviões e tem uma ligação muito especial à terra natal do antigo capitão português.
Cristiano Ronaldo anunciou na quinta-feira que não voltará a representar a Seleção Nacional, colocando um ponto final numa carreira internacional marcada por recordes, títulos e momentos históricos.
A decisão surgiu na sequência de um desentendimento com o selecionador Jorge Jesus, depois de o avançado ter permanecido no banco de suplentes durante toda a vitória de Portugal sobre a Noruega, por 2-1.
O jogador acabou por abandonar o estágio da Seleção Nacional e foi posteriormente sancionado pela Federação Portuguesa de Futebol com uma multa e uma suspensão.
Depois de divulgar um comunicado de 1740 palavras, Cristiano Ronaldo confirmou a retirada através de um vídeo de aproximadamente cinco minutos, encerrando um percurso internacional com 234 internacionalizações e 146 golos.
Agora, uma companhia aérea decidiu assinalar o momento de uma forma que está a surpreender os adeptos.
Companhia aérea retira lugar dos aviões em homenagem a Cristiano Ronaldo
A Transavia, companhia aérea neerlandesa que opera voos para cerca de 110 destinos na Europa e no Norte de África, anunciou uma iniciativa especial para homenagear Cristiano Ronaldo.
A empresa decidiu retirar o lugar 7C da disponibilidade de reserva nos voos com destino ao Funchal, na Madeira, terra natal do antigo capitão da Seleção Nacional.
A escolha não foi feita ao acaso.
O número 7 tornou-se inseparável da imagem de Cristiano Ronaldo ao longo da carreira, dando origem à mundialmente conhecida designação CR7.
Já a letra C completa a referência simbólica ao nome do jogador, transformando o lugar 7C numa homenagem ao internacional português.
A iniciativa foi anunciada através da conta oficial da Transavia no Instagram, numa publicação acompanhada por uma imagem da camisola número 7 de Portugal pendurada no lugar do corredor.
“CR7 pendura as botas, e os nossos lugares 7C também deixam de estar disponíveis nos voos para o Funchal.”
Com esta decisão, o lugar deixa de poder ser reservado pelos passageiros nos voos abrangidos pela homenagem.
Uma forma original de assinalar a despedida de um dos maiores símbolos do futebol português, precisamente nas ligações aéreas à ilha onde nasceu.
A publicação pode ser consultada na conta oficial da Transavia no Instagram.
Cristiano Ronaldo poderá ficar sem jogo de despedida por Portugal
A homenagem da companhia aérea surge numa altura em que continuam a existir dúvidas sobre a possibilidade de Cristiano Ronaldo receber um jogo de despedida oficial pela Seleção Nacional.
Apesar da dimensão histórica do seu percurso, não está previsto, para já, um encontro especial que permita ao avançado despedir-se dos adeptos portugueses dentro das quatro linhas.
A situação está relacionada com o ambiente de tensão que marcou os últimos momentos do jogador ao serviço da equipa das quinas.
Jorge Jesus já reagiu publicamente à decisão de Ronaldo, afastando qualquer sentimento de culpa pelo desfecho.
“Talvez as coisas tenham sido precipitadas, mas não por minha causa. Ele já tinha na cabeça que, mais cedo ou mais tarde, este momento chegaria. Ia acontecer sempre durante o meu período como selecionador. Não me sinto culpado pela sua saída.”
O treinador português garantiu ainda que respeita a decisão do avançado e a importância que teve na história da Seleção Nacional.
“Respeito a sua decisão e, naturalmente, a história que construiu com a Seleção Nacional. Ao longo deste ano e meio, construí uma forte amizade com ele. Do ponto de vista desportivo, tomou agora uma decisão diferente, que respeito profundamente.”
As declarações surgem depois de um período de polémica em torno da utilização de Cristiano Ronaldo e da relação entre o jogador e o selecionador.
Portugal não pode retirar a camisola 7 de Cristiano Ronaldo
A iniciativa da Transavia levanta também uma questão curiosa: será possível retirar definitivamente a camisola número 7 da Seleção Nacional, como forma de homenagear Cristiano Ronaldo?
A resposta é negativa.
Apesar de o número 7 estar profundamente associado ao avançado português, os regulamentos da FIFA não permitem que as seleções nacionais retirem permanentemente determinados números nas competições oficiais.
Nas provas em que é obrigatória a utilização dos números de 1 a 26, todos têm de estar disponíveis para atribuição aos jogadores convocados.
Isso significa que a camisola 7 de Portugal terá necessariamente de voltar a ser utilizada por outro internacional português, mesmo depois da retirada de Cristiano Ronaldo.
A situação é diferente daquela que se verifica em alguns clubes, onde determinados números podem ser retirados como forma de homenagem a jogadores históricos.
O mesmo problema coloca-se à Argentina, depois da retirada internacional de Lionel Messi.
A seleção argentina tem adiado a atribuição da camisola do antigo capitão a outro jogador, aproveitando o facto de os próximos compromissos serem particulares, nos quais existe maior flexibilidade na numeração.
Portugal, pelo contrário, prepara-se para disputar encontros oficiais da Liga das Nações, o que obriga ao cumprimento das regras de numeração da competição.
Quem vai herdar o número 7 de Cristiano Ronaldo?
Com a saída definitiva de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional, outro jogador terá de assumir a responsabilidade de utilizar uma das camisolas mais emblemáticas da história do futebol português.
Nos dois encontros mais recentes, o número 7 foi atribuído a Rafael Leão, extremo do Galatasaray.
O internacional português surge, assim, como um dos jogadores que poderão continuar a utilizar o número que Ronaldo tornou famoso em todo o mundo.
Naturalmente, vestir a camisola 7 não significa assumir automaticamente o estatuto ou as responsabilidades que Cristiano Ronaldo teve durante mais de duas décadas.
O avançado deixa um legado difícil de igualar, não apenas pelos 146 golos marcados, mas também pelos títulos conquistados e pela influência que exerceu no crescimento internacional da Seleção Nacional.
Uma homenagem diferente para uma carreira histórica
Enquanto a Seleção Nacional se prepara para iniciar uma nova etapa sem Cristiano Ronaldo, as homenagens ao antigo capitão continuam a surgir de diferentes formas.
A decisão da Transavia destaca-se pela originalidade e pela ligação à Madeira, região onde o jogador nasceu e deu os primeiros passos no futebol.
Ao impedir a reserva do lugar 7C nos voos para o Funchal, a companhia aérea criou uma referência simbólica ao número que acompanhou Ronaldo durante grande parte da carreira.
O número 7 continuará a ser utilizado na Seleção Nacional, mas, nos voos da Transavia para a Madeira, o lugar 7C passa a representar uma homenagem ao futebolista português.
Uma despedida invulgar para um jogador que marcou uma geração e cuja influência ultrapassou, há muito, as fronteiras do futebol.


