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    Cristiano Ronaldo quebra o silêncio e revela tudo: “O selecionador tinha-me falhado com a sua palavra”

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    By DESP365 on 6 de Outubro, 2026 Info Desporto
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    Cristiano Ronaldo cumpriu a promessa e contou a sua versão de tudo o que aconteceu no último estágio da Seleção Nacional. Num extenso comunicado divulgado esta segunda-feira, 6 de outubro, o capitão português revela conversas privadas com Jorge Jesus, explica por que abandonou o estágio, admite os próprios erros, pede desculpa aos adeptos e aos companheiros e esclarece aquela que talvez seja a maior dúvida de todas: pretende continuar disponível para representar Portugal.

    O avançado de 41 anos garante que a rutura não aconteceu por ter ficado no banco diante da Noruega, mas por considerar que Jorge Jesus faltou duas vezes à palavra que lhe tinha dado.

    E Ronaldo revela ainda aquilo que, segundo a sua versão, tinha ficado previamente combinado entre ambos antes da polémica explodir.

    Ronaldo revela que esteve perto de deixar a Seleção depois do Mundial

    O comunicado começa com uma revelação importante. Cristiano Ronaldo conta que, depois do Mundial de 2026, chegou a preparar uma carta de despedida aos portugueses, que ainda guarda.

    Segundo o capitão, foi Pedro Proença quem, no voo de regresso dos Estados Unidos, lhe pediu insistentemente que reconsiderasse a decisão porque a Federação Portuguesa de Futebol queria que continuasse na equipa nacional. :chatgpt-content-reference{index=”0″}

    O presidente da FPF terá depois pedido a opinião de Ronaldo sobre Jorge Jesus, que estava entre os nomes ponderados para assumir a Seleção.

    “Respondi ao Presidente da Federação que, em minha opinião, seria a escolha certa. Por isso, no dia em que o atual Selecionador foi apresentado fiquei genuinamente feliz pela escolha.”

    O plano que Jorge Jesus apresentou a Cristiano

    Ronaldo explica que, poucos dias depois, recebeu um contacto de Jesus e os dois acabaram por encontrar-se pessoalmente na Cidade do Futebol.

    Foi nessa reunião que, segundo CR7, o selecionador lhe apresentou um plano detalhado para gerir a sua utilização.

    Jesus terá dito que contava com Ronaldo e que a presença do capitão era “fundamental” para o projeto. O plano passaria por Ronaldo disputar o primeiro e o último encontro deste ciclo, com várias alterações na equipa entre partidas por razões de gestão física. :chatgpt-content-reference{index=”1″}

    Jesus terá inclusivamente colocado a possibilidade de Ronaldo não viajar para a Noruega e Dinamarca e permanecer em Portugal.

    Foi Cristiano quem recusou.

    “Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo.”

    Segundo Ronaldo, Jesus concordou com essa posição. O capitão acrescenta um detalhe importante: Simão Coutinho, diretor desportivo do Al Nassr, acompanhou a conversa.

    Antes do estágio, Jesus foi a casa de Ronaldo

    O comunicado revela ainda uma segunda reunião entre os dois.

    Na véspera do início do estágio, Jorge Jesus terá ido a casa de Cristiano Ronaldo, em Lisboa, para uma nova conversa.

    CR7 descreve o encontro como tranquilo e garante que os princípios anteriormente definidos foram mantidos.

    Ronaldo foi depois titular no primeiro encontro e acabou substituído. Sublinha que não criou qualquer problema e que foi ele próprio quem entregou a braçadeira a Bruno Fernandes. :chatgpt-content-reference{index=”2″}

    Ronaldo diz que nem sequer esperava jogar na Noruega

    É aqui que surge uma das revelações mais importantes de todo o comunicado.

    Ao contrário da ideia de que Ronaldo poderia estar insatisfeito por começar no banco diante da Noruega, o avançado garante que já estava preparado para não disputar esse encontro.

    À hora de almoço do próprio dia do jogo, um adjunto terá informado Ronaldo de que Jorge Jesus queria falar com ele.

    Segundo CR7, foi então o próprio selecionador quem lhe perguntou se estava em condições de disputar aproximadamente 30 minutos.

    “Eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com os meus companheiros como sempre e a pensar que não jogaria naquele dia. Sem nenhum problema.”

    Ronaldo respondeu afirmativamente, apesar de explicar que isso não estava previsto no seu plano de recuperação. Segundo o capitão, Jesus respondeu-lhe então que estivesse preparado porque jogaria 30 minutos. :chatgpt-content-reference{index=”3″}

    “O selecionador tinha-me falhado com a sua palavra”

    Ronaldo começou a aquecer ao intervalo.

    Os minutos passaram e nunca entrou.

    É precisamente aqui que Cristiano coloca a origem do conflito:

    “O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra.”

    Depois do apito final, Ronaldo dirigiu-se para o balneário e não acompanhou os colegas no agradecimento aos adeptos.

    E, neste ponto, assume totalmente a responsabilidade.

    “Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido.”

    O capitão pede desculpa aos portugueses presentes no estádio, aos adeptos e até às pessoas de outras nacionalidades que possam ter-se deslocado ao recinto especificamente para o ver. :chatgpt-content-reference{index=”4″}

    A reunião secreta 48 horas depois

    Mas aquilo que Ronaldo revela sobre os acontecimentos seguintes poderá tornar-se no ponto mais polémico de todo o comunicado.

    Segundo CR7, 48 horas depois houve uma reunião entre Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus e Simão Coutinho.

    O capitão descreve-a como uma conversa “profunda, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro”.

    Ronaldo garante que os três concordaram que existia apenas uma forma de encerrar definitivamente a polémica: Jesus deveria dizer publicamente aquilo que acabara de dizer em privado. :chatgpt-content-reference{index=”5″}

    Segundo Cristiano, ficaria esclarecido que nunca exigira minutos, que o plano de utilização tinha partido do selecionador e que Jesus reconheceria como um erro tê-lo colocado a aquecer para depois não o utilizar.

    Ronaldo afirma ainda que a reunião terminou com Jesus a pedir-lhe um abraço e a prometer que explicaria tudo na conferência de imprensa.

    Ficaria também combinado que Cristiano não jogaria contra a Dinamarca e regressaria para disputar o encontro no Estádio do Dragão.

    Existiu mesmo um documento preparado para Jorge Jesus

    O comunicado esclarece também uma das questões que surgiu nas últimas horas.

    Ronaldo confirma que, depois daquela reunião, houve uma videoconferência entre Jorge Jesus, Simão Coutinho e Tiago Craveiro.

    Foi então produzido um pequeno documento, validado pelo próprio Cristiano e entregue ao selecionador, segundo afirma, a pedido deste. :chatgpt-content-reference{index=”6″}

    CR7 publica agora o conteúdo dessas notas.

    Entre os pontos previstos estava o reconhecimento de que o plano de utilização tinha partido de Jesus, que Ronaldo nunca tinha questionado as opções do treinador e que tinha sido “exemplar, leal e profissional”.

    Outro dos pontos dizia:

    “Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.”

    E existia ainda uma declaração inequívoca sobre a continuidade do capitão:

    “Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito.”

    As notas contemplavam igualmente uma defesa de Ronaldo relativamente ao facto de não ter cumprimentado os adeptos, recordando a sua longa história ao serviço da Seleção. :chatgpt-content-reference{index=”7″}

    Ronaldo responde à acusação sobre o alegado pedido de desculpas

    É neste ponto que o comunicado ganha especial relevância depois das acusações feitas por Carlos Padrão sobre um alegado “guião” destinado a obrigar Jorge Jesus a pedir desculpa.

    Cristiano Ronaldo é taxativo:

    “Nenhuma destas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa.”

    Ou seja, segundo a versão agora apresentada pelo capitão, o documento existiu, mas não incluía qualquer pedido de desculpas de Jorge Jesus a Ronaldo. :chatgpt-content-reference{index=”8″}

    A conferência de imprensa mudou tudo

    Ronaldo garante que aquilo que depois ouviu publicamente de Jorge Jesus não correspondeu ao conteúdo da conversa privada entre ambos.

    “A postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera.”

    Para Cristiano, esta representou a segunda quebra da palavra dada pelo selecionador.

    Foi então que tomou a decisão que desencadeou toda a tempestade:

    “Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas.”

    Ronaldo revela conversa com Pedro Proença e Jorge Jesus

    O capitão conta ainda que, na manhã da conferência de imprensa, falou diretamente com Pedro Proença e Jorge Jesus.

    Segundo Ronaldo, disse-lhes que, se já não o quisessem na Seleção, bastava serem francos.

    Nesse cenário, estaria disposto a aceitar a decisão e a preparar uma despedida sem conflitos.

    A resposta, garante, foi dada pelos dois em simultâneo:

    “Não. Que o meu lugar era na Seleção Nacional.”

    Ronaldo insiste que nunca interferiu nas decisões técnicas ou táticas dos treinadores com quem trabalhou ao longo de quase 25 anos de carreira. :chatgpt-content-reference{index=”9″}

    Pedido de desculpas aos companheiros

    Mas Cristiano não utiliza o comunicado apenas para acusar Jorge Jesus de lhe ter faltado à palavra.

    O avançado assume também que errou ao abandonar o estágio.

    “Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio.”

    Apesar daquilo que descreve como uma “absoluta quebra de confiança” na palavra do selecionador, Ronaldo reconhece que não deveria ter saído.

    “A responsabilidade é exclusivamente minha.”

    Explica que considerou que permanecer no grupo naquele momento poderia prejudicar a equipa e decidiu fazer aquilo que sempre tinha dito que faria quando deixasse de se sentir útil: pegar nas malas e sair. :chatgpt-content-reference{index=”10″}

    Ronaldo pede à FPF para o castigar — sem atenuantes

    E há outra declaração surpreendente.

    Cristiano Ronaldo considera que abandonar o estágio deve ter consequências disciplinares e pede à própria Federação que avalie a situação.

    “A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes.”

    O capitão vai ainda mais longe ao considerar que o seu estatuto não deve protegê-lo.

    “Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante.”

    E termina esse raciocínio precisamente com o princípio que Jorge Jesus tem repetido desde o início da polémica:

    “Independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos.”

    Ronaldo assume, assim, que deve ser castigado pela decisão de abandonar o estágio. :chatgpt-content-reference{index=”11″}

    E afinal Cristiano Ronaldo vai voltar à Seleção?

    O final do comunicado responde à pergunta que tem dominado os últimos dias.

    Ronaldo aborda as notícias sobre um eventual jogo de despedida e deixa claro que, neste momento, não está a pensar na Seleção apenas para se despedir.

    O capitão garante que haverá oportunidade para realizar “um ou mais jogos de despedida”, mas recorda que, quando pensa na equipa nacional, continua a pensar essencialmente numa coisa:

    Competir.

    Ronaldo recorda inclusivamente o momento da morte do pai, quando estava concentrado com Portugal e decidiu permanecer junto da Seleção até ao encontro do dia seguinte.

    E termina com a declaração que praticamente encerra, pelo menos da sua parte, as especulações sobre uma retirada imediata:

    “Se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção.”

    Ou seja, Cristiano Ronaldo não anuncia a retirada e não coloca publicamente a saída de Jorge Jesus como condição para regressar. Pelo contrário, assume que espera ser castigado pela FPF e garante que, depois de cumprir essa eventual suspensão, continuará disponível caso esteja em condições físicas e a competir regularmente pelo clube. :chatgpt-content-reference{index=”12″}

    Ronaldo contou a sua versão — agora todas as atenções estão em Jorge Jesus

    Depois de dias de rumores, versões contraditórias e informações provenientes dos dois lados, Cristiano Ronaldo decidiu finalmente falar na primeira pessoa.

    Admite dois erros claros: não ter agradecido aos adeptos na Noruega e ter abandonado o estágio. Pede desculpa por ambos e aceita antecipadamente uma eventual punição da Federação.

    Mas mantém igualmente uma acusação central contra Jorge Jesus: garante que o selecionador lhe deu a palavra por duas vezes e não a cumpriu.

    Primeiro, quando lhe disse que jogaria cerca de 30 minutos diante da Noruega. Depois, quando alegadamente prometeu reproduzir publicamente aquilo que os dois tinham acertado em privado.

    E Cristiano apresenta ainda a sua resposta à polémica em torno do alegado pedido de desculpas: confirma que existiu um documento previamente preparado, mas publica o conteúdo e garante que em nenhum momento estava previsto que Jorge Jesus lhe pedisse desculpa.

    O capitão falou. Explicou por que saiu. Assumiu os próprios erros. Pediu para ser castigado. E confirmou que pretende continuar disponível para Portugal.

    Depois deste comunicado, a grande questão passa a ser outra: o que terá Jorge Jesus a dizer sobre a versão apresentada por Cristiano Ronaldo?

    Comunicado na íntegra:

    “Tal como prometi, decidi contar, na primeira pessoa e de forma direta, as circunstâncias que envolveram o último estágio da Seleção Nacional. Após o Mundial 2026 preparei uma carta aos portugueses, que ainda guardo, com as palavras que lhes quero dirigir quando abandonar, definitivamente, a nossa equipa. No final da competição, logo no voo de regresso dos Estados Unidos, o Presidente da Federação pediu e insistiu que eu ponderasse a decisão de sair porque a FPF queria que eu continuasse. Logo a seguir pediu que lhe desse a minha opinião sobre o nome do atual Selecionador e que ele estava a ponderar, a par de outros nomes que não me revelou. Respondi ao Presidente da Federação que, em minha opinião, seria a escolha certa. Por isso, no dia em que o atual Selecionador foi apresentado fiquei genuinamente feliz pela escolha. Era a opção certa, como os resultados vão comprovando. Poucos dias depois recebi um primeiro contacto do novo selecionador nacional a dizer que gostava de estar comigo pessoalmente. Respondi que sim e agendámos para o final das minhas férias. Encontrámo-nos na Cidade do Futebol onde o meu clube fazia estágio de pré-temporada. O Selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto. Apresentou-me, logo ali, um plano para a minha participação. Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo. Nessa altura colocou-me a hipótese de eu não viajar com a Seleção para Noruega e Dinamarca. Propôs-me que fizesse o primeiro jogo e ficasse em Portugal, para depois me juntar de novo antes do jogo do Dragão. Recusei de imediato esta proposta. Parecia-me evidente que não a poderia aceitar. Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo. O Selecionador acabou por concordar com a minha análise. Esta conversa foi acompanhada pelo Simão Coutinho, diretor Desportivo do Al Nassr, pessoa a quem reportava o atual selecionador durante toda a época passada e um dos responsáveis pela sua contratação pelo clube em 2025. Na véspera do estágio começar o Selecionador deslocou-se a minha casa, em Lisboa, para ter nova conversa comigo, a seu pedido. A conversa foi tranquila e todos os princípios combinados em agosto foram mantidos. Joguei o jogo de Alvalade, e apesar de substituído, não fiz nenhum problema. Coloquei a braçadeira eu mesmo ao Bruno Fernandes, longe de imaginar que pudesse estar a dar os últimos passos, como atleta e capitão da Seleção Nacional. O importante desse dia, para mim, foi a nossa vitória. Ganhar é sempre bom, em Portugal e pelo meu País, ainda melhor. À hora de almoço do dia do jogo na Noruega um adjunto do selecionador do veio à mesa onde o grupo estava a almoçar e informou-me que o Selecionador me queria falar. Para minha absoluta surpresa, o selecionador perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos. Eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com os meus companheiros como sempre e a pensar que não jogaria naquele dia. Sem nenhum problema. Este pedido era algo fora do meu plano de recuperação física e de treino – porque apenas iria jogar dia 4 no Dragão – mas obviamente disse que sim. Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 min. O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra. No fim do jogo só queria que tudo acabasse com a vitória e ficar sozinho. Não fui cumprimentar os adeptos. Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido. Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos adeptos e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido. Passado 48 horas tivemos uma conversa, eu, o Selecionador e o Simão Coutinho uma vez que tinha sido ele a acompanhar as nossas conversas de Agosto. Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro. Concordamos que só havia uma maneira de encerrar este “caso”: que o Selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na Sala de Imprensa. O que foi combinado era simples: o Selecionador começaria a conferência de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade. Diria que nunca pedi para jogar minutos nenhuns, que foi o Selecionador e mais ninguém, quem me propôs o plano para este estágio e que foi um erro colocar-me a aquecer para não entrar e que se voltasse a acontecer não o faria. Acabamos essa reunião com o Selecionador a pedir-me um abraço, a prometer-me que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava. Eu não jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Dragão. Tudo isto na presença do Simão Coutinho, sempre. A pedido do selecionador, decorreu depois uma reunião entre ele mesmo, o Simão Coutinho e o Tiago Craveiro em videoconferência, em que se resumiu aquilo que falámos. Foi produzido um pequeno documento que eu mesmo validei e que, com o meu conhecimento, foi entregue ao Selecionador, tal como ele havia solicitado. A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera. As notas que validei eram as seguintes: “Acho importante, até porque é a verdade, esclarecer algumas coisas antes de falar da Dinamarca: 1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, esta época desportiva, na Seleção Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa. 2. Sei o quanto ele vive e Ama a Seleção e o peso que tem no Mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na Seleção há 24 anos consecutivos. 3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite. 4. Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional. 5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou. 6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria. 7. Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui também. 8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falámos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso.” Nenhuma destas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa. Era a segunda vez, que me estava a faltar à palavra dada. Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade. Aliás, numa conversa que mantive com o Presidente da FPF e com o Selecionador na manhã do dia dessa conferência de imprensa, podem confirmar seguramente, reafirmei que se não me quisessem ali mo dissessem. Bastava serem francos comigo. Eu aceitaria isso e prometi que prepararíamos algo bonito, como sonho que aconteça, e ninguém ficaria zangado. Lembro-me como se fosse hoje. Responderam em uníssono que não. Que o meu lugar era na Seleção Nacional. Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. Aceito é melhor ou pior o que me propõem fazer. Respeito a decisão e quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali. Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio. Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador, como poderá testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha. Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí. A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos. A este propósito, tenho ouvido muito falar em jogos de despedida, que tenho que ter uma despedida digna e que a Federação me quer dar essa oportunidade. Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ninguém dá nada a ninguém. Posso prometer a todos os meus fãs, naturalmente e em especial a todos os portugueses, que faremos um ou mais jogos de despedida, haverá tempo para isso. Mas quando penso na seleção o que eu penso mesmo é em competir. Foi nisso que pensei no dia em que me deram a notícia da morte do meu Pai. Estava em estágio da nossa Seleção e lá decidi ficar até terminar o jogo do dia seguinte. Fiz por isso pelo País o que jamais faria por clube algum. Portanto se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção. Esta é, acreditem, a mais pura das verdades. Cristiano Ronaldo 6 de Outubro de 2026”

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