Cristiano Ronaldo voltou a estar no centro de uma polémica internacional. Gareth Southgate, antigo selecionador de Inglaterra, colocou em causa a forma como a FIFA geriu o castigo disciplinar aplicado ao capitão português antes do Mundial 2026 e sugeriu que a decisão poderia ter sido diferente se estivesse envolvido um jogador com menor notoriedade.
As declarações foram feitas no programa “The Amol Rajan Connection”, onde Southgate abordou a independência dos processos disciplinares no futebol e questionou a possibilidade de as grandes estrelas beneficiarem de um tratamento diferente.
“Se não fosse Cristiano Ronaldo, acho que isso não teria acontecido”
Gareth Southgate não escondeu as dúvidas sobre a decisão que permitiu a Cristiano Ronaldo participar desde o início no Mundial 2026.
O antigo selecionador inglês reconheceu a qualidade do internacional português, mas deixou uma afirmação particularmente contundente.
“Se não fosse Cristiano Ronaldo – e acho que ele é um jogador maravilhoso, já agora —, não acredito que isso tivesse acontecido.”
Para Southgate, o problema não está na qualidade de Ronaldo, mas na necessidade de garantir que todos os jogadores são sujeitos aos mesmos critérios disciplinares.
As declarações representam uma suspeita levantada pelo antigo treinador, não uma prova de que a FIFA tenha favorecido deliberadamente o capitão português.
Expulsão frente à Irlanda esteve na origem da polémica
O caso remonta a novembro de 2025, quando Cristiano Ronaldo foi expulso durante o encontro entre Portugal e a República da Irlanda, de qualificação para o Campeonato do Mundo.
O avançado do Al Nassr recebeu ordem de expulsão depois de atingir o defesa Dara O’Shea com o cotovelo, num lance considerado conduta violenta.
The video from this angle shows that this Referee deserves a lifetime ban for giving Cristiano Ronaldo a red card for this. The Ireland footballer held onto Ronaldo’s shirt and then dived shamelessly when Ronaldo reacted.
https://t.co/hyI271kAhf— Dex (@DextterUtd) November 14, 2025
A infração colocou Ronaldo perante uma suspensão de três jogos, que poderia comprometer a sua participação nos primeiros encontros da Seleção Nacional no Mundial 2026.
No entanto, a Comissão Disciplinar da FIFA decidiu que o português cumpriria apenas um jogo de suspensão efetiva, ficando os restantes dois suspensos durante um período probatório de um ano.
Na prática, a decisão permitiu que Cristiano Ronaldo estivesse disponível para representar Portugal desde o início da competição.
Southgate aponta o dedo à FIFA e recorda presença de Ronaldo num evento
Durante a entrevista, Gareth Southgate defendeu que as decisões disciplinares devem permanecer exclusivamente nas mãos dos árbitros e dos órgãos competentes.
“Bem, estamos a interferir com a arbitragem do jogo. Há um árbitro, depois há uma comissão disciplinar, e deveria ficar por aí.”
O antigo selecionador inglês recordou ainda que Cristiano Ronaldo participou num evento que lhe pareceu estar associado à FIFA, numa altura em que a suspensão ainda estava por resolver.
“Ainda antes do Mundial, Cristiano Ronaldo tinha uma suspensão pendente. Participou num evento que parecia estar ligado à FIFA e, eis que, acabou por poder jogar no primeiro encontro do Mundial.”
Southgate estabeleceu, assim, uma ligação entre a sequência dos acontecimentos e as dúvidas sobre a independência do processo.
Contudo, a participação de Ronaldo num evento não demonstra, por si só, que tenha existido qualquer interferência na decisão disciplinar.
“Estamos a entrar numa zona cinzenta”
O antigo treinador de Inglaterra considera que decisões deste género podem comprometer a perceção de imparcialidade das instituições responsáveis pela aplicação dos regulamentos.
“Estamos já a entrar numa zona cinzenta relativamente àquilo em que interferimos e àquilo que deixamos que o próprio jogo decida, seguindo a sua ordem natural.”
Na perspetiva de Southgate, o futebol deve evitar situações que levantem dúvidas sobre a igualdade de tratamento entre jogadores.
A crítica centra-se sobretudo na transparência e na consistência das decisões disciplinares, especialmente quando envolvem figuras de enorme projeção internacional.
Mas a FIFA podia suspender parte do castigo?
Apesar das críticas, existe um detalhe regulamentar importante.
O artigo 27.º do Código Disciplinar da FIFA prevê a possibilidade de suspender, total ou parcialmente, a execução de determinadas sanções durante um período probatório.
Foi esse mecanismo que permitiu que Cristiano Ronaldo cumprisse apenas um jogo de suspensão efetiva, ficando os restantes dois sujeitos às condições estabelecidas pela entidade disciplinar.
Segundo as informações divulgadas sobre o processo, o historial disciplinar do avançado, incluindo o seu percurso de mais de 200 internacionalizações, terá sido considerado na avaliação.
Por isso, a existência de uma suspensão parcial não significa automaticamente que tenha ocorrido uma violação dos regulamentos.
A questão levantada por Southgate é diferente: saber se um jogador menos mediático teria beneficiado da mesma interpretação das regras em circunstâncias semelhantes.
Nova polémica volta a colocar Cristiano Ronaldo sob escrutínio
As declarações de Gareth Southgate acrescentam um novo capítulo à discussão sobre a influência das grandes estrelas nas decisões das organizações internacionais de futebol.
O antigo selecionador inglês não apresentou provas de interferência direta na Comissão Disciplinar da FIFA, mas considera que a forma como o processo foi resolvido merece ser questionada.
O ponto mais polémico da sua intervenção resume-se a uma pergunta: teria a FIFA tomado exatamente a mesma decisão se o jogador envolvido não fosse Cristiano Ronaldo?
Para Southgate, a resposta é negativa. Já do ponto de vista regulamentar, a FIFA dispunha de um mecanismo que permitia suspender parcialmente a execução do castigo.
Entre as suspeitas de favorecimento e a aplicação das normas disciplinares, a decisão continua a alimentar o debate sobre a transparência e a igualdade de tratamento no futebol internacional.


