A rivalidade entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi não se ficou pelos relvados. Rio Ferdinand revelou que o capitão português chegou a enviar-lhe mensagens irritadas depois de ouvir Gary Lineker manifestar publicamente a preferência pelo argentino no eterno debate sobre quem é o melhor jogador.
O antigo defesa do Manchester United, que partilhou o balneário com Ronaldo em Old Trafford, contou o episódio durante o Euro 2020 e utilizou-o para explicar uma das características que, na sua opinião, tornam o português diferente dos restantes: a capacidade de transformar qualquer crítica ou opinião negativa em motivação.
Mesmo depois de conquistar praticamente tudo no futebol, Ronaldo continuava atento àquilo que era dito sobre si. E uma opinião de Lineker sobre Messi foi suficiente para provocar uma reação imediata.
Lineker escolheu Messi e Ronaldo não gostou
Gary Lineker nunca escondeu a preferência por Lionel Messi quando questionado sobre o debate entre os dois gigantes do futebol mundial.
Ronaldo, segundo Ferdinand, estava atento a essas declarações.
O antigo central inglês revelou que o português lhe enviava mensagens quando ouvia Lineker defender Messi.
“Ele manda-me uma mensagem a dizer: ‘Não acredito que ele disse isso, não acredito que tenha feito isso’.”
Para Ferdinand, a reação demonstra sobretudo a extraordinária competitividade de Ronaldo.
“Ele utiliza qualquer coisa como combustível.”
Ferdinand chegou a questionar por que razão Ronaldo ainda se importava
O mais surpreendente para Rio Ferdinand era perceber que um jogador com uma carreira tão recheada continuava a dar importância a opiniões externas.
Na altura, o antigo internacional inglês admitiu que chegou a pensar precisamente nisso.
“Pensamos: ele já fez tanta coisa na vida. Porque é que te importas com aquilo que alguém diz sobre ti? Tu sabes quem és.”
A resposta, segundo Ferdinand, está numa característica muito particular da personalidade competitiva de Cristiano Ronaldo.
“É a natureza competitiva. É apenas isso. E precisamos disso.”
“Era obcecado em tornar-se o melhor”
Ferdinand conhece bem Ronaldo desde a primeira passagem do português pelo Manchester United e considera que essa mentalidade já estava presente quando o avançado ainda era muito jovem.
Ao recordar o antigo companheiro, utilizou mesmo uma palavra particularmente forte para descrever a sua relação com o sucesso.
“Era uma pessoa obcecada em tornar-se o melhor.”
Para Ferdinand, essa obsessão ajuda a explicar a longevidade de Ronaldo ao mais alto nível.
Enquanto grande parte dos futebolistas começa naturalmente a perder rendimento depois dos 30 anos, o antigo defesa considera que Ronaldo conseguiu desafiar essa tendência durante muito mais tempo.
“Depois dos 30, todos nós começámos a descer. Ele continuou. Acelerou. Desafia realmente a lógica.”
Todos os detalhes eram importantes para Ronaldo
Ferdinand destacou igualmente o trabalho realizado pelo português para prolongar a carreira, considerando que não se tratou apenas de talento.
Na sua opinião, existe naturalmente uma componente genética, mas a dedicação de Ronaldo foi determinante.
“É fruto do compromisso e também de alguma sorte genética. Mas é um futebolista fenomenal, alguém que pensa em todos os pequenos detalhes do jogo para conseguir retirar de si próprio cada gota de capacidade.”
O antigo defesa explicou ainda que Ronaldo foi adaptando a forma de jogar ao longo dos anos.
O português passou a tocar menos vezes na bola do que nos primeiros tempos da carreira, mas aumentou a presença nas zonas onde podia decidir os encontros.
Para Ferdinand, essa transformação demonstra que a evolução não aconteceu apenas fisicamente, mas também ao nível da inteligência e da preparação mental.
A rivalidade com Messi também servia de combustível
Durante mais de uma década, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi dominaram praticamente todos os grandes debates individuais do futebol mundial.
As opiniões sobre qual dos dois foi superior dividiram adeptos, antigos jogadores, treinadores e especialistas, e Ronaldo nunca escondeu a enorme confiança nas próprias capacidades.
O relato de Ferdinand mostra que o português acompanhava atentamente algumas dessas comparações e não ficava indiferente quando alguém próximo do futebol inglês escolhia Messi.
No caso de Gary Lineker, a resposta não aconteceu publicamente. Ronaldo preferiu pegar no telemóvel e escrever diretamente ao antigo companheiro do Manchester United.
E, para Ferdinand, essas mensagens ajudam a perceber uma parte essencial da mentalidade que acompanhou Cristiano Ronaldo durante toda a carreira: mesmo depois de conquistar tudo, continuava a encontrar novas razões para competir e provar que podia ser o melhor.


