A polémica entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus acaba de ganhar uma nova dimensão internacional. Arturo Vidal decidiu quebrar o silêncio sobre a saída do capitão português do estágio da Seleção Nacional e não poupou nas palavras. O internacional chileno considera “vergonhosa” a forma como toda a situação foi conduzida e aponta diretamente ao selecionador nacional, defendendo que Ronaldo conquistou um estatuto que lhe dá o direito de ser tratado de maneira diferente.
Os acontecimentos dos últimos dias continuam a provocar reações muito para além das fronteiras portuguesas.
Depois de Cristiano Ronaldo ter abandonado o estágio da Seleção Nacional antes do encontro com a Dinamarca, multiplicaram-se as opiniões sobre quem esteve certo no braço de ferro entre o capitão e Jorge Jesus.
Agora foi a vez de Arturo Vidal entrar diretamente na discussão.
E o antigo jogador de clubes como Juventus, Bayern Munique, Barcelona e Inter de Milão não teve dúvidas sobre o lado que escolheu.
Arturo Vidal não poupou Jorge Jesus
Atualmente ao serviço do Colo-Colo, Vidal foi confrontado com toda a polémica e mostrou-se profundamente desagradado com a forma como Cristiano Ronaldo acabou por deixar a concentração portuguesa.
Em declarações ao jornal A Bola, o médio chileno começou por classificar toda a situação como algo difícil de compreender tendo em conta a dimensão de CR7 no futebol mundial.
“Sinceramente, isto é vergonhoso. Um jogador como Cristiano, que é um dos quatro melhores jogadores da história do futebol, e toda a gente o colocaria em primeiro, segundo ou terceiro, sair desta maneira da Seleção… Isto é muito mau”, afirmou.
Mas Vidal não ficou por aqui.
O chileno direcionou depois as críticas para Jorge Jesus e deixou claro que, na sua opinião, o selecionador português não esteve bem na gestão do caso.
“O treinador ficou muito mal”
Para Arturo Vidal, a importância histórica de Cristiano Ronaldo para Portugal deveria obrigar a um cuidado especial na forma como o capitão é gerido nesta fase da carreira.
“Acho que o treinador ficou muito mal. Cristiano tem de ser cuidado e protegido, porque é um jogador que deu tudo por Portugal e tornou a Seleção numa das melhores equipas do mundo”, disparou.
As declarações chegam numa altura particularmente delicada.
Portugal venceu a Dinamarca por 4-2 já sem Cristiano Ronaldo na concentração, mas a excelente resposta da equipa dentro de campo não conseguiu colocar um ponto final na polémica.
Pelo contrário, o futuro internacional do avançado continua envolvido numa enorme incerteza.
Vidal vai ainda mais longe: “Cristiano tem o direito de fazer o que quiser”
Foi, no entanto, na parte seguinte da resposta que Arturo Vidal deixou a declaração mais forte.
O chileno considera que o estatuto conquistado por Ronaldo ao longo de mais de duas décadas lhe permite ter um tratamento diferente daquele que seria dado a um jogador comum.
“Um jogador destes não pode sair desta maneira. Cristiano tem o direito de fazer o que quiser. Aquilo que deu ao futebol e à Seleção de Portugal foi levá-la para outro nível. Há treinadores que não respeitam estas coisas”, afirmou Vidal.
A última frase não deixa muitas dúvidas sobre o destinatário da crítica.
Vidal considera que Jorge Jesus deveria ter tido em conta não apenas o rendimento atual do avançado, mas também toda a dimensão histórica que Cristiano Ronaldo conquistou ao serviço de Portugal.
Uma posição completamente diferente da de Jorge Jesus
As palavras de Vidal entram diretamente em choque com a mensagem que Jorge Jesus transmitiu publicamente durante os últimos dias.
O selecionador português tem insistido na ideia de que é o treinador quem toma as decisões desportivas e que nenhum jogador, independentemente do respetivo estatuto, pode alterar aquilo que entende ser melhor para a equipa.
Essa posição ganhou particular destaque depois de Ronaldo ter permanecido no banco durante toda a vitória por 2-1 diante da Noruega.
O capitão português esteve a realizar exercícios de aquecimento durante uma parte considerável do encontro, mas Jorge Jesus acabou por não o lançar.
Depois do apito final, Ronaldo seguiu rapidamente para o balneário, não permanecendo no relvado com os restantes companheiros.
Foi o início de vários dias de enorme tensão.
Da suplência à saída do estágio
Nos dias seguintes, Cristiano Ronaldo não participou normalmente nos trabalhos coletivos da Seleção, tendo realizado trabalho específico.
A situação levou inclusivamente Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, a juntar-se à concentração e a participar numa conversa destinada a tentar resolver o problema.
Mas a polémica acabaria por atingir outro nível depois da conferência de imprensa de Jorge Jesus.
O selecionador foi taxativo ao explicar a sua autoridade sobre as decisões da equipa, deixando claro que nenhum jogador nem qualquer dirigente mudaria as suas ideias.
Pouco depois, Cristiano Ronaldo decidiu abandonar o estágio.
O próprio avançado confirmou publicamente a decisão e prometeu revelar mais tarde aos portugueses as razões que estiveram na origem da sua saída.
Vidal considera que o passado de Ronaldo tem de pesar
É precisamente neste ponto que Arturo Vidal apresenta uma visão completamente diferente da defendida pelo selecionador nacional.
Para o chileno, Cristiano Ronaldo não pode ser analisado apenas como mais um jogador do plantel.
CR7 representa mais de duas décadas de história da Seleção, tornou-se o melhor marcador português e esteve diretamente ligado a alguns dos maiores momentos do futebol nacional.
Foi capitão na conquista do Europeu de 2016 e fez igualmente parte das conquistas portuguesas na Liga das Nações.
Vidal entende, por isso, que existe uma dimensão humana e histórica que um treinador não pode ignorar quando gere um jogador desta importância.
Na opinião do chileno, proteger Ronaldo não significa necessariamente colocá-lo sempre a jogar, mas reconhecer o peso de tudo aquilo que construiu ao serviço de Portugal.
O caso Ronaldo divide completamente o mundo do futebol
A intervenção de Arturo Vidal demonstra também como o caso está longe de gerar consenso.
Por um lado, existe quem defenda que Jorge Jesus fez exatamente aquilo que qualquer treinador deve fazer: escolher os jogadores que considera mais adequados para cada partida, independentemente do nome escrito nas costas da camisola.
Por outro, figuras como Vidal consideram que Cristiano Ronaldo atingiu um patamar tão elevado na história do futebol que a sua gestão exige um tratamento especial.
É uma discussão que ultrapassa a simples questão de saber se Ronaldo deveria ou não ter entrado diante da Noruega.
O verdadeiro debate passou a ser outro: até onde deve chegar a autoridade de um treinador quando tem no balneário uma das maiores figuras da história do futebol?
Vidal coloca-se claramente ao lado de Cristiano Ronaldo
Arturo Vidal não deixou margem para grandes dúvidas.
Para o chileno, Cristiano Ronaldo merece ser protegido e respeitado tendo em conta tudo aquilo que fez por Portugal.
E ao afirmar que existem treinadores que “não respeitam estas coisas”, o antigo jogador do Barcelona e da Juventus colocou ainda mais pressão sobre Jorge Jesus.
A polémica surge precisamente quando a Federação Portuguesa de Futebol procura encontrar uma solução para impedir que a relação entre as várias partes termine definitivamente desta forma.
Depois de mais de duas décadas ao serviço da Seleção Nacional, um eventual fim da carreira internacional de Cristiano Ronaldo nestas circunstâncias representaria um desfecho que poucos poderiam imaginar.
A guerra está longe de terminar
Dentro de campo, Portugal continua a vencer. Fora dele, porém, o caso Cristiano Ronaldo continua a dominar praticamente todas as atenções.
O capitão prometeu contar “a verdade” aos portugueses. Jorge Jesus também já indicou que pretende explicar publicamente a sua versão dos acontecimentos.
Agora, Arturo Vidal decidiu entrar na discussão e deixou uma posição particularmente forte.
Para o chileno, o problema não está no comportamento de Cristiano Ronaldo, mas na forma como uma figura daquela dimensão foi gerida pelo selecionador português.
E a frase mais polémica dificilmente poderia ser mais clara:
“Cristiano tem o direito de fazer o que quiser.”
Resta perceber se a tentativa de pacificação conseguirá aproximar Ronaldo e Jorge Jesus ou se aquilo que aconteceu nos últimos dias marcou definitivamente o fim de uma relação que parecia sólida.
Uma coisa é certa: depois das palavras explosivas de Arturo Vidal, o caso está ainda mais longe de ficar encerrado.


