O Benfica decidiu levar a batalha do clássico para os gabinetes. Depois da derrota por 3-1 frente ao FC Porto no Estádio do Dragão, a SAD encarnada apresentou uma participação junto do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, requerendo a abertura de processos disciplinares e a aplicação de sanções relativamente a quatro situações que considera inadmissíveis.
A exposição surge depois de vários dias de forte contestação por parte dos responsáveis benfiquistas, com Rui Costa e Marco Silva a criticarem publicamente acontecimentos relacionados com o clássico.
Na participação apresentada, o Benfica concentra-se em quatro pontos concretos: o comportamento de um elemento do banco portista, o lançamento de uma garrafa por Gabri Veiga, a animação e sonorização do Estádio do Dragão e as imagens do banco encarnado divulgadas pelo Porto Canal.
1. Gestos de elemento do banco do FC Porto
O primeiro ponto da exposição está relacionado com o comportamento de elementos presentes no banco portista.
O Benfica destaca “nomeadamente o roupeiro”, acusando-o de ter realizado gestos ofensivos na direção do banco encarnado.
O episódio terá acontecido depois do segundo golo do FC Porto, que voltou a colocar os dragões em vantagem depois de o Benfica ter conseguido chegar à igualdade.
Os encarnados pretendem que o comportamento seja analisado pelo Conselho de Disciplina e que sejam retiradas as respetivas consequências caso seja considerada a existência de uma infração disciplinar.
2. Benfica pede castigo para Gabri Veiga
Gabri Veiga é outro dos nomes diretamente visados pela participação.
O Benfica pede a instauração de um processo ao médio espanhol devido ao momento em que este arremessou uma garrafa de água na direção do banco encarnado.
“Castigo para Gabri Veiga” é a posição defendida pela SAD liderada por Rui Costa.
Entretanto, novas imagens do episódio mostraram o momento em que o jogador lança a garrafa para aquela zona durante uma fase de grande tensão junto aos bancos. Nas imagens divulgadas, não se encontrava ninguém no local concreto onde a garrafa acabou por ser lançada.
Caberá ao Conselho de Disciplina analisar o episódio e determinar se existe fundamento para uma sanção.
3. Música no Dragão pode levar Benfica a pedir interdição
O terceiro ponto poderá ter consequências particularmente relevantes.
O Benfica contesta a animação e sonorização utilizada no Estádio do Dragão, considerando que existiram comportamentos provocatórios e desrespeitosos para com os adeptos encarnados.
Um dos exemplos apresentados é a reprodução da música “Doidas andam as galinhas” através do sistema de som do estádio.
A música foi ouvida enquanto os adeptos benfiquistas ainda permaneciam nas bancadas, por ainda não terem recebido autorização para abandonar o recinto.
Na interpretação da SAD encarnada, esta e outras situações relacionadas com a animação do estádio poderão justificar sanções que cheguem à interdição do Estádio do Dragão.
Trata-se, contudo, de uma pretensão do Benfica que terá agora de ser apreciada pelos órgãos disciplinares.
4. Benfica questiona imagens divulgadas pelo Porto Canal
O quarto e último ponto está relacionado com as imagens do banco de suplentes do Benfica captadas durante o clássico e posteriormente divulgadas pelo Porto Canal.
Os encarnados querem perceber em que circunstâncias foram obtidas essas imagens e pretendem que seja averiguada a respetiva licitude e enquadramento legal.
A SAD benfiquista considera existir a possibilidade de ter ocorrido uma utilização indevida das imagens posteriormente colocadas no domínio público.
Também neste caso caberá às entidades competentes avaliar as circunstâncias concretas da captação e utilização das imagens.
Rui Costa já tinha mostrado revolta no Dragão
A participação surge depois de uma semana marcada pela escalada da contestação do Benfica.
Ainda no Estádio do Dragão, Rui Costa criticou publicamente a arbitragem de Miguel Nogueira, falando numa “dualidade de critérios tremenda”.
Marco Silva também deixou críticas, apontando para aquilo que considera ser um condicionamento dos árbitros quando atuam no Estádio do Dragão.
Já na segunda-feira, Rui Costa não esteve presente na Gala Portugal Football Globes, ausência que foi interpretada no contexto do descontentamento encarnado.
“Coisas normalíssimas”: Benfica respondeu nas redes sociais
O clube da Luz levou igualmente a contestação para as plataformas digitais.
O Benfica publicou um vídeo com vários momentos polémicos do clássico acompanhado pela frase “coisas normalíssimas”, numa resposta irónica à discussão em torno das declarações de Francesco Farioli sobre as “coisas estranhas” no futebol português.
No vídeo, os encarnados destacaram o pisão de Gabri Veiga sobre Alexander Bah logo aos cinco minutos, uma falta de Alberto Costa sobre João Palhinha e outro lance entre Alberto Costa e Gianluca Prestianni que deixou o argentino a sangrar.
Foram igualmente mostrados um alegado empurrão de Kiwior sobre Bah e uma entrada de William Gomes sobre Prestianni.
Na segunda parte, o Benfica destacou ainda um possível penálti de Kiwior sobre Rafa Silva, contestou uma infração assinalada a João Palhinha e recuperou o lance entre Samu e Bah já durante o período de compensação.
Clássico terminou no relvado, mas a guerra continua
O FC Porto venceu o clássico por 3-1, mas os acontecimentos do Dragão continuam assim a alimentar a rivalidade entre os dois clubes.
A participação apresentada pelo Benfica tem quatro pontos concretos: os alegados gestos ofensivos de um elemento do banco portista, o lançamento da garrafa por Gabri Veiga, a animação e sonorização do estádio e as imagens do banco encarnado divulgadas pelo Porto Canal.
O Benfica pretende a abertura de processos disciplinares e a aplicação de sanções, admitindo inclusivamente que os acontecimentos relacionados com a animação do recinto possam justificar a interdição do Estádio do Dragão.
Os pedidos apresentados pelos encarnados não significam, por si só, que qualquer castigo venha a ser aplicado. Caberá agora ao Conselho de Disciplina analisar os factos, os elementos apresentados e o respetivo enquadramento regulamentar antes de tomar qualquer decisão.


