A retirada de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional continua a provocar reações e, desta vez, foi Nelo Vingada quem deixou uma análise que promete dar que falar. O antigo selecionador português considera que o avançado demorou demasiado tempo a tomar a decisão e acredita que o fim definitivo da carreira poderá estar mais próximo do que muitos imaginam. Numa entrevista ao portal Kooora, o treinador abordou ainda o sonho dos 1.000 golos, a possibilidade de Ronaldo jogar ao lado do filho e o seu futuro depois de abandonar os relvados.
Cristiano Ronaldo anunciou, na quinta-feira, o fim da carreira internacional, colocando um ponto final numa ligação de 23 anos à Seleção Nacional. A decisão surpreendeu os adeptos, sobretudo porque o avançado de 41 anos tinha manifestado anteriormente a intenção de continuar a representar Portugal.
O anúncio surgiu na sequência de uma crise com Jorge Jesus, depois de Ronaldo ter abandonado a concentração da Seleção Nacional em Copenhaga, sem autorização, em protesto contra declarações do selecionador.
Apesar da suspensão que se seguiu ao episódio, existia a expectativa de que o capitão do Al-Nassr pudesse regressar à equipa das quinas. No entanto, o avançado acabou por escolher um caminho diferente.
Em declarações exclusivas ao Kooora, Nelo Vingada analisou a decisão e considerou que, perante tudo o que aconteceu, a retirada internacional acabou por ser a melhor solução.
Nelo Vingada considera que Ronaldo tomou a melhor decisão
O antigo treinador da Seleção Nacional, que orientou Portugal em 1993, começou por abordar as circunstâncias que conduziram à despedida de Cristiano Ronaldo.
Para Nelo Vingada, o conflito entre o jogador e Jorge Jesus atingiu um ponto em que se tornou extremamente difícil encontrar uma solução que permitisse a continuidade do avançado.
“Olhando para os acontecimentos anteriores, considero que a decisão de terminar a carreira internacional foi a melhor, embora não haja vencedores nesta situação.”
O treinador reconheceu que a situação teve um desfecho negativo para todas as partes envolvidas, uma vez que a Seleção Nacional perdeu uma das maiores figuras da sua história e Ronaldo acabou por se despedir num contexto de polémica.
Questionado sobre a mudança de posição do avançado, que anteriormente tinha demonstrado vontade de continuar a jogar por Portugal, Nelo Vingada apontou diretamente às divergências com Jorge Jesus.
“Aconteceram algumas situações e houve um desentendimento entre o treinador e o jogador. As declarações de ambos não deixaram espaço para uma reconciliação.”
Na perspetiva de Nelo Vingada, a deterioração da relação entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus tornou praticamente impossível o regresso do avançado à Seleção Nacional.
“É uma grande perda para Portugal”
Apesar de considerar que a retirada foi a melhor solução perante as circunstâncias, Nelo Vingada não escondeu a importância da ausência de Cristiano Ronaldo.
O antigo selecionador reconheceu que Portugal perde um jogador com uma capacidade goleadora extraordinária e uma experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas.
“Claro que é uma grande perda, sobretudo porque as coisas não foram bem geridas por nenhuma das partes.”
A declaração demonstra que Nelo Vingada não atribui toda a responsabilidade pelo desfecho a Cristiano Ronaldo ou a Jorge Jesus.
O treinador considera que ambos poderiam ter contribuído para uma resolução diferente, embora reconheça que ainda existem aspetos da polémica que não foram completamente esclarecidos.
“Mas, do ponto de vista técnico, esta decisão era natural, embora aquilo que realmente aconteceu ainda não tenha sido esclarecido.”
Para Vingada, a idade de Ronaldo e a necessidade de renovação da Seleção Nacional tornavam previsível uma alteração do seu papel na equipa.
Contudo, a forma como tudo terminou acabou por transformar uma transição desportiva numa polémica de grandes dimensões.
Antigo selecionador considera que Ronaldo devia ter saído mais cedo
Uma das declarações mais surpreendentes de Nelo Vingada esteve relacionada com o momento escolhido por Cristiano Ronaldo para terminar a carreira internacional.
O treinador considera que o avançado deveria ter encerrado o percurso na Seleção Nacional depois do Campeonato do Mundo de 2026.
“Do meu ponto de vista, o momento adequado para tomar esta decisão teria sido depois do Mundial de 2026.”
Segundo Nelo Vingada, os encontros disputados posteriormente não proporcionaram a Ronaldo as condições ideais para uma despedida à altura da sua carreira.
“Os jogos seguintes não deram a Ronaldo a melhor oportunidade para terminar a carreira internacional da forma que merece. Por isso, considero que esta decisão chegou tarde.”
A opinião do antigo selecionador contrasta com a ideia de que Cristiano Ronaldo deveria ter continuado a representar Portugal durante mais algum tempo.
Vingada acredita que o final do Campeonato do Mundo teria sido um momento mais apropriado para encerrar um percurso que incluiu a conquista do Euro 2016 e de duas Ligas das Nações.
Na sua análise, o problema não esteve necessariamente na decisão de abandonar a Seleção Nacional, mas no facto de a despedida ter acontecido depois de uma crise que acabou por ofuscar o legado do avançado.
Os 1.000 golos podem determinar o fim da carreira de Cristiano Ronaldo
Embora tenha terminado a carreira internacional, Cristiano Ronaldo continua a representar o Al-Nassr, na Arábia Saudita, e mantém objetivos importantes por alcançar.
Entre eles está a marca dos 1.000 golos oficiais, um dos desafios mais ambiciosos da fase final da sua carreira.
Nelo Vingada acredita que este objetivo poderá ter um papel decisivo na escolha do momento em que Ronaldo abandonará definitivamente o futebol.
“Ele deve continuar a jogar no Al-Nassr para alcançar o objetivo dos 1.000 golos o mais rapidamente possível. Penso que, quando atingir essa marca, poderá estar perto do fim da carreira como jogador.”
O antigo selecionador não apresentou uma data concreta para a retirada definitiva, mas associou-a à concretização de uma meta que Ronaldo tem perseguido nos últimos anos.
A possibilidade de alcançar os 1.000 golos representa um incentivo adicional para o avançado continuar em atividade, mesmo depois de ter encerrado o percurso na Seleção Nacional.
Contudo, trata-se de uma previsão de Nelo Vingada e não de uma decisão anunciada pelo próprio Cristiano Ronaldo.
Jogar ao lado do filho no Al-Nassr continua a ser uma possibilidade
Outro dos temas abordados na entrevista foi a possibilidade de Cristiano Ronaldo partilhar o relvado com o filho, Cristiano Ronaldo Júnior.
Nelo Vingada acredita que esse poderá ser um dos desejos que ainda motivam o avançado a prolongar a carreira.
“Também acredito que ele tem vontade de jogar ao lado do filho no Al-Nassr.”
A possibilidade de pai e filho atuarem juntos numa equipa profissional seria um momento particularmente especial na carreira de Cristiano Ronaldo.
O avançado já demonstrou em diferentes ocasiões o orgulho que sente no percurso futebolístico do filho, que procura construir a sua própria carreira.
No entanto, para que esse cenário se concretize, seria necessário que ambos reunissem condições desportivas para integrar a mesma equipa principal.
Nelo Vingada considera que o desejo de partilhar o campo com Cristiano Ronaldo Júnior poderá ser mais um motivo para o português adiar a despedida definitiva dos relvados.
Cristiano Ronaldo não deverá regressar à Seleção Nacional como treinador
Na parte final da entrevista, Nelo Vingada foi questionado sobre a possibilidade de Cristiano Ronaldo regressar à estrutura da Seleção Nacional depois de terminar a carreira como jogador.
O antigo selecionador mostrou-se pouco convencido de que o avançado venha a assumir funções técnicas ou administrativas na Federação Portuguesa de Futebol.
Na sua opinião, os objetivos de Ronaldo depois da retirada definitiva deverão estar mais direcionados para atividades fora do futebol.
Esta previsão afasta, pelo menos na perspetiva de Nelo Vingada, a possibilidade de o antigo capitão regressar à equipa das quinas como selecionador, treinador ou dirigente.
Apesar da enorme experiência acumulada ao longo da carreira, o antigo internacional português nunca anunciou planos concretos para seguir uma carreira técnica.
O seu futuro permanece, por isso, em aberto.
Para Nelo Vingada, a ligação de Cristiano Ronaldo à Seleção Nacional poderá ter terminado definitivamente, não apenas enquanto jogador, mas também no que diz respeito a uma eventual participação futura na estrutura técnica ou administrativa.
Uma despedida que continua a dividir opiniões
As declarações de Nelo Vingada juntam-se às várias reações que têm surgido desde o anúncio da retirada internacional de Cristiano Ronaldo.
Enquanto algumas figuras do futebol português consideram que o avançado deveria ter recebido um tratamento diferente, outras defendem que o momento de encerrar o percurso na Seleção Nacional já tinha chegado.
O antigo selecionador apresenta uma posição que combina as duas perspetivas.
Por um lado, reconhece que a saída representa uma perda importante para Portugal e critica a forma como o conflito foi gerido. Por outro, considera que a retirada era natural do ponto de vista técnico e que deveria ter acontecido depois do Mundial de 2026.
Quanto ao futuro, Nelo Vingada acredita que Cristiano Ronaldo continuará concentrado no Al-Nassr, procurando alcançar os 1.000 golos e, eventualmente, concretizar o desejo de jogar ao lado do filho.
Mas a previsão mais surpreendente está relacionada com o que acontecerá depois: Nelo Vingada não acredita que Cristiano Ronaldo venha a regressar à Seleção Nacional para assumir funções de treinador ou dirigente, considerando que o antigo capitão poderá escolher um futuro longe dos bancos e das estruturas do futebol.


