A derrota do FC Porto frente ao Betis, por 3-2, acabou por ser apenas uma parte de uma noite negra em Sevilha. Dois adeptos portistas foram detidos pela polícia espanhola na sequência de uma violenta agressão a um segurança do Estádio de La Cartuja, que ficou inconsciente e sofreu uma fratura na mandíbula. Horas antes, um grupo de adeptos também terá provocado estragos significativos num estabelecimento da cidade.
Os incidentes ocorreram na quarta-feira, 14 de outubro, antes do encontro da segunda jornada da Liga dos Campeões, e estão a gerar forte repercussão na imprensa espanhola.
Segundo o Diario de Sevilla, os episódios envolveram adeptos associados ao FC Porto e obrigaram à intervenção das autoridades.
Segurança agredido com violência à entrada do estádio
O episódio mais grave aconteceu junto à porta 12 do Estádio de La Cartuja, destinada à entrada dos adeptos visitantes.
De acordo com o jornal espanhol, um adepto do FC Porto terá tentado saltar a barreira de controlo de acesso ao recinto, levando um segurança a intervir.
Foi nesse momento que um segundo indivíduo terá atingido o trabalhador com um murro.
O segurança caiu ao chão, perdeu os sentidos e sofreu uma fratura na mandíbula.
O relato publicado pelo Diario de Sevilla é ainda mais perturbador: um dos alegados agressores terá pontapeado o trabalhador quando este já se encontrava caído.
A violência do episódio levou à intervenção da Policía Nacional, que procedeu à detenção de dois adeptos portistas suspeitos de envolvimento na agressão.
Dois adeptos do FC Porto detidos pela polícia espanhola
Segundo as informações divulgadas, os dois detidos deveriam ser presentes a um juiz esta sexta-feira, 16 de outubro.
Até ao momento, não são conhecidas as medidas de coação eventualmente aplicadas, nem a qualificação jurídica definitiva dos factos.
As detenções representam um desenvolvimento policial importante, mas a responsabilidade criminal dos suspeitos terá de ser apurada pelas autoridades e pela justiça espanhola.
O estado de saúde do segurança, que sofreu uma fratura na mandíbula e perdeu os sentidos após a agressão, constitui uma das consequências mais graves dos acontecimentos relatados.
Bar vandalizado: copos partidos, computador danificado e proprietário ferido
A violência não se terá limitado às imediações do estádio.
Horas antes do início do encontro, um grupo de adeptos radicais associados ao FC Porto terá provocado vários incidentes no bar Amanecer Country Mex, em Sevilha.
Segundo o proprietário do estabelecimento, Ángel Galván, os indivíduos causaram danos nas instalações, envolveram-se em confrontos com funcionários e clientes e abandonaram o local sem pagar uma conta superior a 100 euros.
O balanço apresentado pelo empresário inclui:
- Entre 40 e 50 copos partidos;
- Um vidro destruído;
- Um computador danificado;
- Estragos nas casas de banho;
- Uma conta superior a 100 euros que terá ficado por pagar.
O próprio Ángel Galván terá sido atingido por garrafas e copos, sofrendo um corte no queixo e uma pancada na cabeça.
Perante a situação, a polícia foi chamada ao estabelecimento.
As acusações relativas aos incidentes no bar baseiam-se no relato do proprietário, não sendo conhecida, para já, uma decisão judicial sobre os acontecimentos.
Uma vergonha que prejudica a imagem do futebol português
O futebol vive da paixão dos adeptos, das deslocações europeias e da rivalidade saudável entre clubes. Mas nada disso pode servir de desculpa para agressões a trabalhadores, destruição de estabelecimentos comerciais ou violência contra quem está simplesmente a desempenhar as suas funções.
Um segurança que acaba inconsciente, com a mandíbula partida, não faz parte de qualquer rivalidade futebolística. É uma vítima de violência que merece proteção e justiça.
O mesmo se aplica aos funcionários e clientes de um bar que, segundo os relatos, se viram envolvidos em confrontos antes de um jogo de futebol.
Estes comportamentos, caso se confirmem, são absolutamente condenáveis e representam uma vergonha para quem os pratica.
Também importa fazer uma distinção fundamental: os incidentes atribuídos a um grupo de adeptos não podem servir para responsabilizar todos os portistas que viajaram até Sevilha.
Milhares de adeptos acompanham as suas equipas em deslocações europeias sem provocar problemas. A esmagadora maioria vai aos estádios para apoiar, cantar e viver o futebol.
É precisamente essa maioria que acaba por ver a sua imagem prejudicada pelos atos de uma minoria violenta.
Portugal prepara o Mundial 2030 e estes episódios não ajudam
Os acontecimentos surgem numa altura em que Portugal se prepara para organizar o Campeonato do Mundo de 2030 em conjunto com Espanha e Marrocos.
A organização de um evento desta dimensão exige confiança na segurança, no comportamento dos adeptos e na capacidade de proporcionar um ambiente de festa.
Naturalmente, os incidentes de Sevilha não representam o futebol português no seu conjunto. Mas contribuem para alimentar uma imagem negativa que o país e os seus adeptos não merecem.
O futebol português tem de ser reconhecido pela qualidade das suas equipas, pelo talento dos seus jogadores e pela paixão dos seus adeptos, não por agressões e destruição nas cidades que recebem os seus clubes.
FC Porto pode enfrentar consequências disciplinares?
Além da investigação das autoridades espanholas, os incidentes poderão vir a ter repercussões no plano desportivo.
A UEFA dispõe de mecanismos disciplinares para sancionar comportamentos inadequados dos adeptos, incluindo situações de violência relacionadas com encontros das suas competições.
Dependendo dos factos apurados e do eventual enquadramento disciplinar, poderão estar em causa multas ou outras medidas.
No entanto, não existe, nas informações disponíveis, confirmação de que a UEFA tenha aberto um processo disciplinar ao FC Porto por estes acontecimentos.
Qualquer eventual sanção dependerá de uma avaliação dos incidentes e da responsabilidade que possa ser atribuída ao clube.
A derrota passou para segundo plano
O FC Porto saiu de Sevilha derrotado pelo Betis, por 3-2, mas os acontecimentos fora das quatro linhas acabaram por assumir uma gravidade muito superior à de qualquer resultado desportivo.
Uma derrota pode ser ultrapassada no jogo seguinte. Uma agressão que deixa um trabalhador inconsciente e com a mandíbula partida tem consequências que vão muito além do futebol.
Os responsáveis pelos atos de violência devem responder individualmente perante a justiça, caso os factos sejam comprovados. E os adeptos que apoiaram pacificamente o FC Porto não merecem ser confundidos com quem transformou uma deslocação europeia numa sucessão de incidentes.
Porque perder um jogo faz parte do futebol. Agredir pessoas e destruir estabelecimentos não.


