Cristiano Ronaldo poderá ficar sem a despedida oficial da Seleção Nacional que muitos adeptos esperavam. Depois de 23 anos ao serviço de Portugal, o avançado anunciou a retirada internacional numa altura em que Jorge Jesus se preparava para voltar a convocá-lo. Agora, o jornalista português Pedro Sepúlveda revelou à rádio britânica talkSPORT novos detalhes sobre os bastidores da decisão e garantiu que, enquanto o atual selecionador permanecer no cargo, não haverá um jogo especial para homenagear o antigo capitão. Uma situação que contrasta com a despedida de Lionel Messi da Argentina e que promete alimentar ainda mais a polémica.
A retirada internacional de Cristiano Ronaldo continua a provocar reações dentro e fora de Portugal. O avançado de 41 anos anunciou na quinta-feira o fim de uma ligação de 23 anos à Seleção Nacional, durante a qual disputou 234 encontros e marcou 146 golos.
A decisão surgiu depois de um conflito com Jorge Jesus, que se agravou na sequência do abandono não autorizado de uma concentração da equipa das quinas.
O episódio resultou numa suspensão de 30 dias, entretanto cumprida, e numa multa de 255 euros.
Apesar de a sanção já ter terminado, Cristiano Ronaldo optou por não regressar à Seleção Nacional. E, segundo as informações agora divulgadas pela talkSPORT, a decisão foi tomada precisamente quando Jorge Jesus se preparava para o incluir na próxima convocatória.
Jorge Jesus preparava o regresso de Cristiano Ronaldo
Em declarações ao programa “Hawksbee and Jacobs”, da talkSPORT, o jornalista português Pedro Sepúlveda revelou que Cristiano Ronaldo tinha conhecimento de que o seu nome constava da lista de jogadores que Jorge Jesus pretendia convocar para a próxima pausa internacional.
Segundo o jornalista, o selecionador contava com o avançado para os próximos compromissos da equipa portuguesa.
“Ronaldo sabia que Jorge Jesus tinha o nome dele na lista para amanhã e Jorge Jesus estava à espera de convocá-lo para esta próxima pausa internacional.”
Contudo, o jogador decidiu antecipar-se ao anúncio da convocatória e comunicar publicamente o fim da carreira internacional.
Pedro Sepúlveda considera que a escolha do momento não foi uma coincidência.
Na sua análise, Ronaldo quis evitar uma situação em que o seu nome voltasse a surgir entre os convocados, apesar de entender que já não existiam condições para continuar a trabalhar com Jorge Jesus.
“Ronaldo quis fazer esta declaração porque considera que não existem condições para regressar à Seleção Nacional enquanto Jorge Jesus for o treinador.”
De acordo com esta versão, a retirada internacional não terá resultado de uma impossibilidade física ou de uma decisão exclusivamente desportiva, mas também da convicção de que a relação com o selecionador não poderia ser recuperada.
Ronaldo acredita que não tem tempo para esperar pela saída de Jorge Jesus
Outro dos aspetos destacados por Pedro Sepúlveda está relacionado com a duração prevista da permanência de Jorge Jesus à frente da Seleção Nacional.
Segundo o jornalista, Cristiano Ronaldo sabe que o treinador deverá continuar no cargo durante mais de um ano.
Esse fator terá pesado na decisão do avançado, tendo em conta que já tem 41 anos e se aproxima da fase final da carreira profissional.
“Ele sabe que Jorge Jesus vai continuar durante mais de um ano e sabe que, daqui a um ano, provavelmente já nem estará a jogar futebol.”
Na perspetiva apresentada por Pedro Sepúlveda, esperar por uma eventual mudança de selecionador poderia significar adiar o regresso até uma altura em que Ronaldo já não estivesse em atividade.
O avançado terá, por isso, preferido encerrar imediatamente o percurso internacional, em vez de prolongar uma situação de incerteza.
Importa sublinhar que esta é a interpretação apresentada pelo jornalista à talkSPORT, não uma explicação confirmada diretamente por Cristiano Ronaldo.
Pedro Sepúlveda garante que não haverá jogo de despedida enquanto Jorge Jesus estiver no cargo
A revelação mais surpreendente da entrevista esteve relacionada com a possibilidade de a Federação Portuguesa de Futebol organizar um encontro especial para homenagear Cristiano Ronaldo.
Depois de mais de duas décadas a representar Portugal, seria natural que muitos adeptos esperassem uma despedida oficial dentro de campo, com o avançado a vestir pela última vez a camisola da Seleção Nacional.
Contudo, Pedro Sepúlveda mostrou-se categórico ao abordar esse cenário.
“Posso garantir que Ronaldo não voltará a vestir oficialmente a camisola portuguesa.”
O jornalista foi ainda mais longe, afirmando que a realização de um encontro de homenagem está fora dos planos enquanto Jorge Jesus continuar como selecionador.
“Posso garantir que, até Jorge Jesus deixar a Seleção Nacional, esse último jogo amigável para todos se despedirem de Cristiano Ronaldo não vai acontecer.”
As declarações apontam para a possibilidade de Cristiano Ronaldo terminar a ligação à Seleção Nacional sem uma última aparição perante os adeptos portugueses.
Apesar da convicção demonstrada por Pedro Sepúlveda, a informação não corresponde a um anúncio oficial da Federação Portuguesa de Futebol. Até ao momento referido pela talkSPORT, não tinha sido comunicada uma decisão formal sobre a organização de um jogo de despedida.
Despedida de Ronaldo contrasta com a homenagem a Lionel Messi
A situação ganha particular relevância quando comparada com a despedida de Lionel Messi da seleção argentina.
O antigo capitão da Argentina teve a oportunidade de disputar o seu último encontro internacional perante dezenas de milhares de adeptos, em Buenos Aires, durante o mês de outubro.
Foi a sua 208.ª e última internacionalização, num momento marcado pela emoção e pelo reconhecimento público de uma carreira histórica.
No caso de Cristiano Ronaldo, o cenário apresentado pela talkSPORT é bastante diferente.
O português anunciou a retirada através de uma publicação nas redes sociais, depois de um período de tensão com o selecionador, e poderá não voltar a entrar em campo com a camisola da equipa das quinas.
Para um jogador que representou Portugal durante 23 anos, conquistou o Campeonato da Europa de 2016 e duas Ligas das Nações, a ausência de uma homenagem oficial dentro de campo seria um desfecho particularmente marcante.
Contudo, a eventual realização de uma cerimónia ou de outro tipo de homenagem continua a ser uma questão distinta da organização de um jogo de despedida.
Pedro Proença e Jorge Jesus terão convencido Ronaldo a continuar depois do Mundial
Durante a entrevista, Pedro Sepúlveda revelou ainda outro pormenor sobre os acontecimentos que antecederam a retirada internacional.
Segundo o jornalista, Cristiano Ronaldo tinha inicialmente decidido terminar o percurso na Seleção Nacional depois do Campeonato do Mundo de 2026.
Contudo, essa intenção terá sido alterada após conversas com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e Jorge Jesus.
“Ronaldo queria retirar-se depois do Mundial. Tinha tomado essa decisão e depois Pedro Proença, o novo presidente da Federação, juntamente com Jorge Jesus, convenceram-no a continuar.”
Esta revelação acrescenta uma nova dimensão ao conflito.
De acordo com Pedro Sepúlveda, Ronaldo terá aceitado prolongar a carreira internacional depois de ser convencido pelos responsáveis federativos e pela equipa técnica.
Mas os acontecimentos posteriores terão provocado um sentimento de desilusão no avançado.
“Na cabeça de Ronaldo, depois de o terem convencido, tomaram a decisão de lhe fazer isto sem o defenderem.”
O jornalista sugere, assim, que Cristiano Ronaldo se terá sentido desprotegido pelas mesmas pessoas que anteriormente o incentivaram a continuar a representar Portugal.
Esta versão ajuda a explicar a dimensão do desentendimento, embora não exista, nas declarações divulgadas, uma confirmação direta de Ronaldo sobre as conversas com Pedro Proença e Jorge Jesus.
“Portugal estará sempre em mim”: a mensagem emotiva de Cristiano Ronaldo
O anúncio da retirada internacional foi feito pelo próprio Cristiano Ronaldo através de uma longa publicação nas redes sociais, acompanhada pela frase “Portugal estará sempre em mim”.
Na mensagem, o avançado dirigiu-se diretamente aos portugueses e recordou o significado de representar a Seleção Nacional durante mais de duas décadas.
“Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisola número sete da nossa Seleção Nacional.”
Ronaldo destacou que nunca considerou a camisola um símbolo exclusivamente seu, mas antes uma responsabilidade que teve o privilégio de assumir ao longo de 23 anos.
“Nunca senti que ela me pertencesse apenas a mim, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo aos estádios de todo o mundo.”
O avançado explicou ainda que a decisão de abandonar a Seleção Nacional não foi fácil.
“Hoje chegou o momento de a passar ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça, também se tomam com o coração.”
A mensagem terminou com uma referência ao início do percurso internacional, em agosto de 2003.
“Uma viagem que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre chegou ao fim.”
O futuro da homenagem a Cristiano Ronaldo permanece em aberto
As informações divulgadas pela talkSPORT reforçam a ideia de que o conflito entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus terá desempenhado um papel decisivo no momento escolhido para a retirada internacional.
Segundo Pedro Sepúlveda, o avançado sabia que estava prestes a ser convocado, mas considerava que não existiam condições para regressar à Seleção Nacional enquanto o atual treinador permanecesse no cargo.
O jornalista garante também que não haverá um jogo de despedida durante o período de Jorge Jesus à frente da equipa das quinas.
Contudo, a Federação Portuguesa de Futebol não anunciou oficialmente que esteja excluída a possibilidade de organizar uma homenagem ao antigo capitão.
Para já, Cristiano Ronaldo encerrou uma ligação de 23 anos à Seleção Nacional sem a despedida em campo que muitos adeptos gostariam de testemunhar. E, se as informações avançadas por Pedro Sepúlveda à talkSPORT se confirmarem, essa última homenagem poderá ter de esperar pela saída de Jorge Jesus.


