A despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional continua a provocar reações no mundo do futebol e Ruben Amorim foi uma das mais recentes figuras a pronunciar-se sobre o assunto. O treinador português, atualmente ao comando do AC Milan, não escondeu o desconforto com as circunstâncias que rodearam a retirada do capitão e deixou uma reflexão sobre o legado do avançado do Al-Nassr. Apesar de lamentar a forma como tudo terminou, Amorim fez questão de recordar a importância extraordinária de Ronaldo para Portugal, dentro e fora dos relvados.
O anúncio da retirada internacional de Cristiano Ronaldo, feito a 5 de novembro de 2026, marcou o fim de uma ligação de 23 anos à Seleção Nacional.
Aos 41 anos, o avançado decidiu encerrar um percurso histórico com a camisola das quinas, deixando para trás 234 internacionalizações, 146 golos e três títulos internacionais.
Contudo, a despedida ficou envolvida numa polémica relacionada com o afastamento entre o capitão e o selecionador Jorge Jesus, circunstância que também não passou despercebida a Ruben Amorim.
Em declarações à Sky Sport, na antevisão ao encontro do AC Milan frente ao Ferencváros, a contar para a Liga Europa, o treinador português abordou o fim da carreira internacional de Ronaldo e reconheceu que o desfecho esteve longe de ser o ideal.
Ruben Amorim lamenta a forma como Cristiano Ronaldo deixou a Seleção
Questionado sobre a decisão do antigo avançado do Manchester United e do Real Madrid, Ruben Amorim começou por reconhecer que as circunstâncias da despedida não foram as mais desejáveis.
“Esta não é a melhor forma de terminar a carreira na Seleção Nacional, mas aquilo que ele fez pelo nosso país é evidente para toda a gente.”
A declaração surge numa altura em que continuam a ser discutidos os acontecimentos que antecederam a retirada de Cristiano Ronaldo.
O capitão português terminou a ligação à Seleção depois de um período de tensão com Jorge Jesus, que se agravou na sequência do abandono de um estágio internacional.
Apesar de não ter aprofundado os detalhes do conflito, Ruben Amorim reconheceu que o encerramento de uma carreira tão importante poderia ter acontecido num ambiente diferente.
O treinador do AC Milan preferiu, contudo, concentrar-se no legado construído por Cristiano Ronaldo ao longo de mais de duas décadas, sublinhando que os últimos acontecimentos não apagam tudo o que o avançado fez por Portugal.
“Muitas pessoas conhecem Portugal por causa de Ronaldo”
Ruben Amorim foi ainda mais longe ao destacar a influência que Cristiano Ronaldo teve na projeção internacional de Portugal.
Na opinião do treinador, o impacto do capitão ultrapassa largamente o futebol e ajudou a tornar o país conhecido em diferentes partes do mundo.
“O mundo inteiro conhece-o. O futebol é uma montra e muitas pessoas conhecem Portugal através de Ronaldo.”
As palavras de Amorim refletem a dimensão global alcançada pelo avançado, que se tornou numa das figuras mais reconhecidas do desporto mundial.
Ao longo da carreira, Cristiano Ronaldo representou clubes como Sporting, Manchester United, Real Madrid, Juventus e Al-Nassr, conquistando títulos e estabelecendo recordes que contribuíram para a sua notoriedade internacional.
Paralelamente, manteve uma ligação à Seleção Nacional durante 23 anos, tornando-se no principal rosto do futebol português em várias gerações.
Para Ruben Amorim, esta influência representa um contributo que continuará a ter importância mesmo depois do fim da carreira internacional.
“Jogou ao lado de muitos jogadores importantes. Mesmo depois de se retirar, continuará a contribuir para o nosso país fora de campo.”
O treinador acredita, assim, que Cristiano Ronaldo continuará a ser uma figura relevante para Portugal, independentemente de já não representar a equipa das quinas.
Uma despedida marcada pelo conflito com Jorge Jesus
A retirada de Cristiano Ronaldo surgiu depois de várias semanas de polémica com o selecionador nacional.
O conflito terá começado durante um estágio da Seleção, quando o avançado ficou desagradado com a gestão da sua utilização por parte de Jorge Jesus.
A situação agravou-se quando Ronaldo abandonou a concentração antes de um encontro frente à Dinamarca, episódio que acabou por ter consequências disciplinares.
O capitão foi alvo de uma suspensão de 30 dias aplicada pela Federação Portuguesa de Futebol, castigo que terminou pouco antes do anúncio da retirada internacional.
Segundo informações divulgadas pela imprensa portuguesa, Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus deixaram de manter contacto direto depois dos acontecimentos registados no final de setembro.
O selecionador terá tentado falar com o jogador nas semanas seguintes, mas as mensagens enviadas não obtiveram resposta.
Entretanto, Ronaldo anunciou o fim da carreira internacional através de um vídeo publicado nas redes sociais, sem fazer qualquer referência direta a Jorge Jesus.
Foi precisamente este contexto que levou Ruben Amorim a reconhecer que a despedida do capitão não aconteceu da melhor forma.
Apesar disso, o treinador do AC Milan evitou transformar a sua reação numa crítica pessoal ao avançado, preferindo destacar a importância do percurso realizado ao serviço da Seleção Nacional.
234 jogos, 146 golos e três títulos com Portugal
Cristiano Ronaldo encerra a carreira internacional com números que o colocam entre os maiores futebolistas da história.
O avançado disputou 234 encontros pela Seleção Nacional e marcou 146 golos, estabelecendo recordes mundiais de internacionalizações e golos no futebol masculino de seleções.
Ao longo de 23 anos, participou em várias fases finais de Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo, assumindo um papel central na evolução competitiva da equipa portuguesa.
A maior conquista aconteceu em 2016, quando Portugal venceu o Campeonato da Europa, derrotando a França na final disputada em Paris.
Três anos depois, Ronaldo voltou a erguer um troféu internacional, desta vez na primeira edição da Liga das Nações, conquistada em 2019.
Em 2025, a Seleção Nacional voltou a vencer a competição, acrescentando mais um título ao palmarés do capitão.
O avançado termina, assim, a carreira internacional com um Campeonato da Europa e duas Ligas das Nações, além de um conjunto de recordes individuais que dificilmente serão igualados a curto prazo.
Para Ruben Amorim, estes feitos representam um legado que deve ser valorizado independentemente da polémica que marcou a despedida.
FPF quer homenagear Cristiano Ronaldo
Apesar das circunstâncias da retirada, a Federação Portuguesa de Futebol já manifestou a intenção de organizar uma homenagem ao capitão.
O objetivo passa por reconhecer o contributo de Cristiano Ronaldo para a história da Seleção Nacional e para a projeção internacional do futebol português.
Contudo, os moldes dessa homenagem ainda não estão definidos.
Segundo informações avançadas pelo Observador, Ronaldo não pretende, pelo menos nesta fase, regressar à equipa das quinas para disputar um último jogo de despedida.
Esta posição poderá obrigar a Federação a procurar uma alternativa para assinalar o fim da carreira internacional do jogador.
Uma cerimónia oficial ou outro tipo de reconhecimento institucional continuam a ser possibilidades, embora não exista confirmação sobre qualquer iniciativa concreta.
A vontade da FPF é evitar que uma carreira de 23 anos termine associada exclusivamente ao conflito que marcou as últimas semanas.
Saída de Ronaldo também representa um desafio comercial para Portugal
Para além das consequências desportivas, a retirada de Cristiano Ronaldo poderá ter impacto na dimensão comercial da Seleção Nacional.
O especialista em marketing desportivo Daniel Sá considera que o avançado foi o maior ativo individual alguma vez associado à equipa das quinas.
Um estudo do IPAM, divulgado em 2025, avaliou a marca CR7 em cerca de 850 milhões de euros, representando um crescimento de 325% face a 2020.
Estes números ajudam a compreender a dimensão económica e mediática de Cristiano Ronaldo, cuja notoriedade contribuiu para aumentar a visibilidade internacional de Portugal.
A presença do capitão teve influência na comercialização de camisolas, no interesse dos patrocinadores e na capacidade de atrair atenções para os encontros da Seleção Nacional.
No entanto, Daniel Sá não antecipa um colapso financeiro imediato para a Federação Portuguesa de Futebol.
O especialista explica que os principais contratos de patrocínio estão associados à Seleção Nacional enquanto instituição e não exclusivamente a Cristiano Ronaldo.
Os maiores desafios poderão surgir na venda de camisolas, sobretudo as que exibem o histórico número 7, e na procura internacional de bilhetes para os jogos de Portugal.
Na opinião do especialista, a prioridade não deverá ser encontrar um substituto direto para Ronaldo, mas construir uma identidade coletiva capaz de preservar a força comercial e a projeção internacional da Seleção Nacional.
Ruben Amorim acredita que Ronaldo continuará a ajudar Portugal
Depois de abordar a despedida do capitão, Ruben Amorim voltou a concentrar atenções nos compromissos desportivos do AC Milan.
O treinador português prepara a equipa italiana para o encontro frente ao Ferencváros, a contar para a Liga Europa, numa fase importante da temporada europeia.
Ainda assim, as declarações sobre Cristiano Ronaldo demonstram que o anúncio da retirada internacional continua a provocar reações entre algumas das principais figuras do futebol português.
Amorim não escondeu que gostaria de ter visto um final diferente para o percurso do avançado na Seleção Nacional.
Mas fez questão de recordar que Cristiano Ronaldo foi muito mais do que um goleador ou um capitão de equipa.
Durante mais de duas décadas, tornou-se numa referência mundial e ajudou a projetar Portugal para uma dimensão internacional sem precedentes no futebol.
“Esta não é a melhor forma de terminar a carreira na Seleção Nacional”, reconheceu Ruben Amorim. Mas, para o treinador português, há algo que a polémica não consegue apagar: tudo o que Cristiano Ronaldo conquistou e a importância que continuará a ter para Portugal, mesmo longe dos relvados internacionais.


