Nem depois de anunciar o fim da carreira internacional Cristiano Ronaldo escapou às comparações com Lionel Messi. Desta vez, foi a imprensa britânica a lançar uma análise particularmente dura à despedida do capitão português. Num artigo publicado no jornal The Sun, o jornalista Martin Lipton defende que Ronaldo terminou novamente atrás do argentino, não pelos recordes individuais, mas pela forma como ambos encerraram os respetivos percursos nas seleções. O comentador reconhece a dimensão histórica de CR7, mas considera que o adeus à equipa das quinas ficou marcado por um desfecho amargo, agravado pelo conflito com Jorge Jesus.
A retirada de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional continua a dominar a atualidade desportiva internacional. Depois de 23 anos, 234 internacionalizações e 146 golos, o avançado do Al-Nassr colocou um ponto final na ligação à equipa das quinas, numa decisão que provocou reações dentro e fora de Portugal.
Entre as análises mais contundentes está a de Martin Lipton, jornalista do The Sun, que estabeleceu um paralelismo entre as despedidas internacionais de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.
Na opinião do jornalista britânico, o português voltou a ficar atrás do argentino, desta vez no momento de abandonar a respetiva seleção.
O argumento central da análise não está relacionado com a qualidade individual dos dois futebolistas, mas com as conquistas alcançadas e, sobretudo, com as circunstâncias que rodearam as suas despedidas.
The Sun coloca Ronaldo atrás de Messi até na despedida
Martin Lipton começa por recordar que Cristiano Ronaldo anunciou o fim da carreira internacional cerca de dois meses depois de Lionel Messi ter confirmado que não voltaria a representar a Argentina.
O jornalista considera que os dois jogadores, protagonistas de uma das maiores rivalidades da história do futebol, acabaram por ter despedidas profundamente diferentes.
No caso de Messi, destaca uma saída marcada pelo reconhecimento e pela celebração de um percurso coroado com os principais títulos internacionais.
O argentino conquistou a Copa América em 2021, venceu o Campeonato do Mundo em 2022 e voltou a erguer o troféu continental em 2024.
Já no caso de Cristiano Ronaldo, o jornalista sublinha que o percurso internacional terminou num ambiente de tensão com o selecionador Jorge Jesus.
Para o The Sun, a diferença entre os dois não está apenas no palmarés, mas também na imagem deixada no momento da despedida.
Trata-se, naturalmente, de uma avaliação opinativa do jornalista britânico, numa comparação que continua a dividir adeptos e comentadores em todo o mundo.
Jornalista elogia Ronaldo, mas deixa crítica contundente
Apesar do tom crítico do artigo, Martin Lipton faz questão de reconhecer a dimensão histórica de Cristiano Ronaldo e a importância que teve para o futebol mundial.
O jornalista considera que ninguém pode colocar seriamente em causa o estatuto do internacional português entre os maiores jogadores de sempre.
Na sua análise, descreve Ronaldo como uma força da natureza e um talento excecional, destacando também as conquistas alcançadas ao serviço dos clubes por onde passou.
Contudo, considera que o percurso com a camisola de Portugal poderia ter terminado de outra forma.
“Ninguém em pleno juízo nega a dimensão de Ronaldo. É, sem dúvida, um dos maiores jogadores de todos os tempos.”
O jornalista acrescenta que os títulos conquistados pelos clubes e a personalidade competitiva do português permanecerão na memória dos adeptos.
Mas deixa uma crítica direta às circunstâncias da retirada internacional.
Na perspetiva de Lipton, é simultaneamente triste e previsível que uma carreira desta dimensão termine envolvida num conflito com Jorge Jesus.
O jornalista entende que a polémica dos últimos meses acabou por retirar brilho a uma despedida que poderia ter sido uma celebração nacional.
Os títulos de Portugal não chegaram para convencer o The Sun
Na comparação com Lionel Messi, Martin Lipton também analisa as conquistas de Cristiano Ronaldo ao serviço da Seleção Nacional.
O jornalista recorda que o avançado esteve presente na histórica conquista do Campeonato da Europa de 2016, quando Portugal derrotou a França na final disputada em Paris.
Contudo, destaca que Ronaldo acabou por abandonar o encontro ainda durante a primeira parte, devido a uma lesão no joelho.
O capitão disputou apenas cerca de 25 minutos da final, antes de ser substituído, embora tenha acompanhado o restante encontro junto ao banco de suplentes.
O artigo menciona também as duas conquistas da Liga das Nações, em 2019 e 2025, que completaram o palmarés internacional do avançado.
Apesar destes três títulos, o jornalista considera que o currículo de Ronaldo pela Seleção Nacional fica aquém do alcançado por Messi com a Argentina.
A diferença mais significativa, na sua análise, é a conquista do Campeonato do Mundo, troféu que o português nunca conseguiu levantar.
Enquanto Messi terminou a carreira internacional com um título mundial, Cristiano Ronaldo despediu-se sem conseguir concretizar aquele que foi um dos grandes objetivos da sua carreira.
O Mundial continua a ser a grande diferença entre Ronaldo e Messi
Martin Lipton dedica também parte da análise ao desempenho de Cristiano Ronaldo nos Campeonatos do Mundo.
Segundo os números apresentados no artigo, o português participou em seis edições da competição, somando 27 encontros e 11 golos.
O jornalista considera que, apesar da longevidade e dos recordes alcançados, Ronaldo nunca conseguiu ter num Mundial o impacto que ambicionava.
O melhor resultado coletivo aconteceu logo na primeira participação, em 2006, quando Portugal chegou às meias-finais e acabou eliminado pela França.
Nas participações seguintes, a Seleção Nacional não conseguiu atingir a final da competição.
Para Lipton, esta ausência de uma conquista mundial representa uma diferença importante quando se compara o percurso internacional de Ronaldo com o de Messi.
O argentino conseguiu conquistar o Mundial de 2022, no Qatar, depois de uma campanha em que assumiu um papel decisivo na caminhada da Argentina até ao título.
O jornalista britânico considera que o troféu mundial acabou por proporcionar a Messi uma despedida mais completa do ponto de vista desportivo.
A análise, contudo, não diminui os recordes de Cristiano Ronaldo, que terminou a carreira internacional como o futebolista masculino com mais jogos e mais golos por seleções.
Conflito com Jorge Jesus transformou a despedida num caso polémico
O ponto mais crítico do artigo do The Sun está relacionado com a forma como Cristiano Ronaldo abandonou a Seleção Nacional.
O jornalista considera que uma carreira internacional tão longa e marcante merecia um encerramento diferente.
Em vez de uma despedida festiva perante os adeptos, o capitão anunciou a retirada através de um vídeo publicado nas redes sociais, depois de várias semanas de polémica com Jorge Jesus.
A relação entre jogador e selecionador deteriorou-se na sequência dos acontecimentos registados durante o estágio de setembro, quando Ronaldo abandonou a concentração da equipa portuguesa.
O episódio levou à aplicação de uma suspensão de 30 dias ao avançado, que terminou pouco antes do anúncio da retirada internacional.
Segundo informações divulgadas pela imprensa portuguesa, Ronaldo e Jorge Jesus não voltaram a conversar depois dos acontecimentos de 30 de setembro.
O capitão também não terá respondido às mensagens enviadas pelo selecionador nas semanas seguintes.
Martin Lipton interpreta a ausência de qualquer referência a Jorge Jesus no vídeo de despedida como um último sinal do afastamento entre ambos.
Para o jornalista britânico, o conflito acabou por marcar negativamente o capítulo final de uma carreira internacional que atravessou mais de duas décadas.
Messi teve uma despedida emotiva, Ronaldo saiu em clima de tensão
Outro dos argumentos apresentados pelo The Sun está relacionado com a reação dos respetivos selecionadores.
Martin Lipton recorda a emoção demonstrada por Lionel Scaloni quando confrontado com a possibilidade de Lionel Messi abandonar a Seleção Argentina.
O treinador argentino chegou a emocionar-se ao abordar o fim do percurso internacional do capitão, numa demonstração da ligação construída entre ambos.
O jornalista contrapõe esse cenário à situação vivida por Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus.
No caso português, a despedida aconteceu depois de uma rutura entre jogador e treinador, sem que os dois tivessem conseguido restabelecer o diálogo.
Segundo o Observador, estava prevista uma chamada telefónica entre Ronaldo e Jorge Jesus, com a mediação de Pedro Proença, mas a conversa acabou por não acontecer.
O mesmo jornal avançou que o capitão não pretendia voltar a falar com o selecionador.
Entretanto, Jorge Jesus reagiu à retirada através de uma breve declaração à NOW.
“Eu pedi para ele ficar.”
As palavras do treinador demonstraram que pretendia continuar a contar com Cristiano Ronaldo, mas não alteraram a decisão do avançado.
Para Martin Lipton, esta diferença entre as despedidas dos dois jogadores simboliza o contraste entre um final marcado pela celebração e outro dominado pela polémica.
The Sun acredita que Ronaldo poderá arrepender-se da forma como saiu
Na parte final do artigo, o jornalista britânico deixa uma reflexão particularmente dura sobre a relação de Cristiano Ronaldo com a passagem do tempo.
Martin Lipton considera que nenhum futebolista português, nem mesmo Eusébio, conseguiu dominar durante tanto tempo a atenção mediática e o debate em torno da Seleção Nacional.
Reconhece que o impacto de Ronaldo foi extraordinário e que dificilmente será repetido por outro jogador.
No entanto, acredita que o capitão poderá vir a lamentar as circunstâncias que marcaram o fim da carreira internacional.
O jornalista sugere que Ronaldo tentou resistir à passagem do tempo, um adversário que nenhum desportista consegue vencer definitivamente.
Na sua perspetiva, independentemente das homenagens que venham a ser organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol, o conflito que antecedeu a retirada continuará associado à despedida.
É uma conclusão severa, que coloca em causa não o legado desportivo de Cristiano Ronaldo, mas a forma como escolheu encerrar a ligação à Seleção Nacional.
Uma carreira histórica que termina sob o olhar crítico da imprensa internacional
Apesar das críticas do The Sun, Cristiano Ronaldo despede-se da Seleção Nacional com um percurso que marcou profundamente a história do futebol português.
O avançado deixa 234 internacionalizações, 146 golos, um Campeonato da Europa e duas Ligas das Nações, além de inúmeros recordes individuais.
Durante 23 anos, foi uma das principais referências da equipa das quinas e desempenhou um papel central na transformação de Portugal numa seleção capaz de conquistar títulos internacionais.
A comparação com Lionel Messi continuará, inevitavelmente, a acompanhar os dois jogadores, mesmo depois de ambos terem encerrado as respetivas carreiras internacionais.
Para Martin Lipton, a despedida do argentino foi mais feliz e completa, enquanto a de Ronaldo ficou marcada por um desfecho amargo.
Contudo, essa é a interpretação do jornalista britânico, não uma conclusão definitiva sobre o valor ou o legado dos dois futebolistas.
O que o artigo do The Sun deixa claro é que a retirada de Cristiano Ronaldo não está a ser analisada apenas pelos números e pelos títulos. A forma como terminou a relação com Jorge Jesus tornou-se também parte da discussão internacional sobre o adeus de um dos maiores jogadores da história.


