Gonçalo Ramos está a viver um momento complicado no AC Milan e as críticas começam a aumentar em Itália. O avançado português voltou a passar em branco na derrota frente ao Bolonha, não conseguiu realizar um único remate e mostrou sinais evidentes de frustração. Com apenas dois golos no campeonato, um deles de penálti, o jogador mais bem pago da história do clube italiano começa a transformar-se numa dor de cabeça para Ruben Amorim. Mas há quem considere que o problema não está apenas no futebolista.
Gonçalo Ramos foi um dos piores em campo frente ao Bolonha
A derrota do AC Milan diante do Bolonha, em pleno San Siro, voltou a expor as dificuldades de Gonçalo Ramos desde que chegou ao futebol italiano.
O internacional português teve uma exibição muito discreta e foi apontado como um dos jogadores menos conseguidos da equipa, juntamente com Koni De Winter.
O dado mais preocupante é que Gonçalo Ramos terminou o encontro sem realizar um único remate à baliza adversária.
O avançado nunca conseguiu encontrar espaço para finalizar e revelou dificuldades perante a marcação dos defesas do Bolonha.
À medida que o jogo avançava, a frustração tornou-se cada vez mais visível, com o português a protestar repetidamente contra a atuação dos adversários e algumas decisões da equipa de arbitragem.
Apenas dois golos e sinais crescentes de nervosismo
A situação não é propriamente nova.
Na jornada anterior, frente à Udinese, Gonçalo Ramos já tinha demonstrado sinais de impaciência, passando parte do encontro a protestar com o árbitro devido ao tratamento recebido dos defesas adversários.
Contra o Bolonha, os protestos voltaram a repetir-se, desta vez de forma ainda mais evidente.
O comportamento tem sido associado à crescente frustração do jogador com a falta de golos.
Gonçalo Ramos soma apenas dois golos no campeonato italiano, sendo que um deles foi apontado na conversão de uma grande penalidade.
São números considerados insuficientes para um avançado contratado para assumir um papel importante no ataque do AC Milan.
A pressão aumenta ainda mais devido ao estatuto financeiro do português, apresentado como o jogador mais bem pago da história do clube.
As expectativas eram elevadas, mas a resposta dentro de campo continua longe do rendimento esperado.
Ruben Amorim também está debaixo de fogo
Apesar das críticas ao avançado, a análise ao seu rendimento aponta igualmente responsabilidades à forma como Ruben Amorim o está a utilizar.
O treinador português tem recorrido a Gonçalo Ramos em zonas mais recuadas, afastando-o frequentemente da área adversária.
Esta opção tática está a ser questionada, uma vez que o jogador apresenta características de ponta de lança e depende da presença em zonas de finalização para potenciar o seu rendimento.
Quando atua como médio ofensivo, Ramos acaba por passar demasiado tempo longe da baliza, reduzindo significativamente as oportunidades de marcar.
O problema torna-se ainda mais evidente quando se analisam os números dos últimos encontros.
Frente à Udinese, o português conseguiu realizar apenas um remate.
Contra o Bolonha, nem sequer conseguiu finalizar uma vez.
Um remate em dois jogos é um registo particularmente preocupante para um futebolista que deveria ser uma das principais referências ofensivas da equipa.
As primeiras exibições tinham deixado boas indicações
Nem tudo tem sido negativo na passagem de Gonçalo Ramos pelo AC Milan.
Nas primeiras partidas, apesar de também apresentar dificuldades na finalização, o avançado conseguiu destacar-se pela contribuição para o jogo coletivo.
Frente ao Lecce, por exemplo, protagonizou assistências de qualidade, demonstrando capacidade para participar na construção ofensiva.
Já diante da Lazio, destacou-se pelo espírito de sacrifício e pelo trabalho desenvolvido em benefício da equipa.
Essas exibições tinham permitido relativizar a falta de golos, uma vez que o português continuava a oferecer soluções importantes aos colegas.
Contudo, nas últimas jornadas, a quebra de rendimento tornou-se mais evidente e as contribuições positivas deixaram de compensar a ausência de eficácia na finalização.
Amorim tem de encontrar uma solução para o avançado português
A questão central passa agora pela posição de Gonçalo Ramos dentro da estrutura ofensiva do AC Milan.
O avançado tem sido utilizado em funções que o obrigam a afastar-se da área, precisamente a zona onde pode ser mais perigoso.
Para os críticos desta opção, Ruben Amorim precisa de aproximar o português da baliza adversária e criar condições para que receba mais bolas em situações de finalização.
O facto de Ramos ter realizado apenas um remate nos últimos dois encontros sugere que as dificuldades não se explicam exclusivamente pela sua forma individual.
Existe também uma questão tática que o treinador terá de resolver para recuperar o rendimento do internacional português.
Colocar um ponta de lança a desempenhar funções de médio ofensivo pode ajudar a equipa em determinados momentos, mas também pode retirar-lhe a presença na área necessária para marcar golos.
Gonçalo Ramos tornou-se uma dor de cabeça para o AC Milan
A situação de Gonçalo Ramos começa a representar um desafio importante para Ruben Amorim.
O jogador chegou a Milão com expectativas elevadas, mas ainda não conseguiu afirmar-se como a referência goleadora que o clube pretendia.
Os dois golos no campeonato, a ausência de remates frente ao Bolonha e os sinais de nervosismo são indicadores de um momento delicado.
Contudo, reduzir tudo a uma crise individual poderá ser uma análise incompleta.
Se Gonçalo Ramos continuar a atuar longe da área adversária, dificilmente conseguirá aumentar significativamente o número de oportunidades de finalização.
Ruben Amorim terá agora de decidir se mantém a atual utilização do avançado ou se altera a sua posição para tentar recuperar a eficácia que o português já demonstrou noutras fases da carreira.
Para já, uma coisa é evidente: o AC Milan tem um problema no ataque e Gonçalo Ramos está no centro de uma discussão que também envolve diretamente as escolhas do treinador português.


