Gonçalo Ramos decidiu falar abertamente sobre o seu papel na Seleção Nacional e deixou uma mensagem que promete dar que falar. A poucos dias de Jorge Jesus anunciar a convocatória de novembro, o avançado do AC Milan assumiu que quer ser titular por Portugal, recordou as oportunidades perdidas nos últimos grandes torneios e abordou diretamente a possibilidade de jogar ao lado de Cristiano Ronaldo. Tudo isto numa altura em que o regresso do capitão continua envolvido em polémica.
Gonçalo Ramos deixa mensagem clara sobre a titularidade
Em entrevista ao Canal 11, Gonçalo Ramos não escondeu a ambição de assumir um papel mais importante na Seleção Nacional.
O avançado português, atualmente ao serviço do AC Milan, foi particularmente direto quando questionado sobre a concorrência no ataque da equipa das quinas.
“Quero ser titular na Seleção. Passei a mensagem de que se há alguém que deve jogar… sou eu. O mister e o país inteiro conseguem perceber. O importante é eu jogar.”
As declarações surgem num momento especialmente sensível, quando Jorge Jesus prepara a convocatória para os próximos compromissos internacionais e Cristiano Ronaldo continua a ser uma das principais incógnitas.
Embora não tenha atacado diretamente o capitão, Gonçalo Ramos deixou claro que considera ter argumentos para merecer mais minutos.
Gonçalo Ramos: "Quero ser titular na Seleção. Passei a mensagem de que se há alguém que deve jogar…sou eu. O mister e o país inteiro conseguem perceber. O importante é eu jogar. Não quero que saia alguém em específico, isso é decisão do selecionador"
"Respeitamos o estatuto do Cris, mas acho que, muitas vezes, poderíamos jogar juntos. Podíamos estar a recompensar a boa forma, os meus golos, não abdicando do Cris. Tanto que já aconteceu jogarmos juntos. Há um jogo no Dragão contra a Eslováquia em que jogámos juntos, fizemos um grande jogo. Não só eu e ele, a equipa toda. É possível, não tem de se abdicar de um para jogar o outro. Há todas as possibilidades, para mim o importante é eu jogar mas não quero que saia ninguém em específico, é uma decisão do míster."
"Não tenho mágoa com Roberto Martínez, mas perdi o Euro 2024, porque só joguei 15 minutos contra a Geórgia, um jogo que já não contava para nada. No Mundial 2026 marquei à Croácia, mas pouco mais joguei. Para mim foi chato, sei que podia ter ajudado muito. Perdi duas grandes competições que já não voltam."
Via: @Canal_11Oficial
— Cabine Desportiva (@CabineSport) October 29, 2026
“Respeitamos o estatuto do Cris, mas…”
O antigo avançado do Benfica fez questão de demonstrar respeito pela carreira e pelo estatuto de Cristiano Ronaldo.
Contudo, defendeu que a presença do capitão não deve impedir que outros jogadores em bom momento tenham oportunidades.
“Respeitamos o estatuto do Cris, mas acho que, muitas vezes, poderíamos jogar juntos. Podíamos estar a recompensar a boa forma, os meus golos, não abdicando do Cris.”
Gonçalo Ramos considera que a Seleção não precisa necessariamente de escolher entre os dois avançados.
Para sustentar essa posição, recordou um encontro disputado no Estádio do Dragão frente à Eslováquia, em que ambos estiveram em campo.
“Há um jogo no Dragão contra a Eslováquia em que jogámos juntos, fizemos um grande jogo. Não só eu e ele, a equipa toda. É possível, não tem de se abdicar de um para jogar o outro.”
A mensagem é clara: Ramos quer jogar mais, mas acredita que isso pode acontecer sem afastar Cristiano Ronaldo da equipa.
Avançado recorda duas grandes competições que sente ter perdido
Um dos momentos mais marcantes da entrevista surgiu quando Gonçalo Ramos abordou a falta de oportunidades durante o período em que Roberto Martínez orientou a Seleção Nacional.
O avançado admitiu a frustração de ter passado pelo Europeu de 2024 e pelo Mundial de 2026 sem conseguir a participação que desejava.
“Não tenho mágoa com Roberto Martínez, mas perdi o Euro 2024, porque só joguei 15 minutos contra a Geórgia, um jogo que já não contava para nada.”
O internacional português recordou também a experiência no último Campeonato do Mundo.
“No Mundial 2026 marquei à Croácia, mas pouco mais joguei. Para mim foi chato, sei que podia ter ajudado muito. Perdi duas grandes competições que já não voltam.”
As palavras revelam a insatisfação de um jogador que acredita ter tido capacidade para contribuir mais nas duas competições.
Durante esses torneios, Cristiano Ronaldo foi a principal referência ofensiva da Seleção, enquanto Ramos permaneceu grande parte do tempo entre as alternativas.
Declarações surgem em plena polémica entre Ronaldo e Jorge Jesus
O momento escolhido por Gonçalo Ramos para falar sobre a titularidade torna as declarações particularmente relevantes.
Cristiano Ronaldo abandonou o estágio da Seleção em setembro, depois de um desentendimento com Jorge Jesus relacionado com a sua utilização.
O capitão acusou publicamente o selecionador de não cumprir acordos estabelecidos, numa situação que levou a Federação Portuguesa de Futebol a instaurar um processo disciplinar.
Ronaldo acabou castigado com 30 dias de suspensão e ainda não regressou à equipa nacional.
Apesar disso, o jogador do Al Nassr integra a pré-lista de convocados para os próximos encontros com a Dinamarca e o País de Gales.
Segundo informações divulgadas pela imprensa saudita, o capitão ainda não terá aceite as condições definidas por Jorge Jesus para regressar.
Não existe, contudo, confirmação oficial de que a sua presença na convocatória esteja garantida.
Jorge Jesus perante uma decisão delicada
As declarações de Gonçalo Ramos colocam novamente em destaque uma das principais questões da Seleção Nacional: quem deve ocupar a posição de ponta de lança?
O avançado do AC Milan assume que pretende ser titular, mas também defende uma solução que permita a utilização simultânea de Cristiano Ronaldo.
Essa possibilidade poderia oferecer a Jorge Jesus uma alternativa tática, embora implicasse ajustes na organização ofensiva da equipa.
Por outro lado, a eventual convocatória de Ronaldo voltará a colocar sob atenção pública a relação entre o capitão e o selecionador.
Gonçalo Ramos não exigiu a saída de Cristiano Ronaldo, mas deixou evidente que já não se contenta com um papel secundário na Seleção.
Depois de duas grandes competições em que considera ter sido pouco utilizado, o avançado quer aproveitar as próximas oportunidades para conquistar definitivamente o seu espaço.
Convocatória de novembro promete trazer respostas
Jorge Jesus deverá anunciar a convocatória da Seleção Nacional a 6 de novembro, tendo em vista os encontros com a Dinamarca e o País de Gales.
Até lá, continuará a existir expectativa em torno do eventual regresso de Cristiano Ronaldo e das opções ofensivas do selecionador.
As declarações de Gonçalo Ramos acrescentam um novo elemento a essa discussão.
“Se há alguém que deve jogar… sou eu.”
A frase resume a ambição do avançado português, que acredita ter chegado o momento de assumir maiores responsabilidades na equipa das quinas.
Agora, a decisão pertence a Jorge Jesus, que terá de conciliar a qualidade das opções disponíveis, o rendimento dos jogadores e a gestão de um balneário que atravessou recentemente momentos de tensão.
Uma coisa é certa: Gonçalo Ramos quer deixar de ser apenas uma alternativa e está disposto a lutar pela titularidade, mesmo que isso signifique disputar espaço com Cristiano Ronaldo.


