O FC Porto garantiu a presença na Final Four da Taça da Liga, mas a vitória por 1-0 frente ao Académico de Viseu ficou marcada por uma decisão de arbitragem que está a provocar discussão. Um penálti assinalado por mão de Hugo Gambor, confirmado pelo VAR, permitiu aos dragões resolver a eliminatória. O problema? As imagens levantaram dúvidas, os viseenses protestaram e nem os especialistas de arbitragem apresentam uma leitura consensual.
Penálti aos 43 minutos decide eliminatória no Dragão
O encontro entre FC Porto e Académico de Viseu ficou decidido ainda na primeira parte, num lance que promete continuar a alimentar a polémica em torno da arbitragem portuguesa.
Aos 43 minutos, Martim Fernandes cruzou para a área e a bola acabou por atingir o braço de Hugo Gambor, defesa da formação viseense.
O árbitro Sérgio Guelho considerou existir motivo para grande penalidade e apontou para a marca dos onze metros. A decisão foi confirmada pelo videoárbitro.
Santiago Giménez assumiu a responsabilidade da cobrança e não desperdiçou, marcando o único golo do encontro e garantindo a passagem do FC Porto à Final Four da Taça da Liga.
O triunfo representou também a 50.ª vitória de Francesco Farioli ao serviço dos dragões.
Académico, Penálti, H. Gambor, 43m
Penalti para o FC Porto. Cruzamento para a área, Juan Soriano sai dos postes e soca a bola que acaba por bater no braço de Gambor com Sérgio Guelho a assinalar
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Bola terá tocado primeiro no corpo e só depois no braço
O principal motivo de discussão está relacionado com a trajetória da bola antes de atingir o braço do defesa do Académico de Viseu.
Segundo o LusoNotícias, as repetições televisivas mostram que a bola terá tocado primeiro no corpo de Hugo Gambor e apenas depois no braço, uma sequência que poderá ser relevante na interpretação do lance.
Contudo, o contacto prévio com o corpo não determina, por si só, que uma grande penalidade esteja incorretamente assinalada. A posição do braço, o movimento do jogador e a forma como este ocupa espaço são igualmente relevantes para a avaliação.
Foi precisamente a interpretação destes elementos que gerou opiniões diferentes entre os especialistas.
Especialistas divididos sobre decisão do árbitro
Na Sport TV, o antigo árbitro Jorge Faustino reconheceu a dificuldade de interpretação do episódio.
“Não é um lance consensual”, afirmou.
Já Pedro Henriques, nas análises divulgadas por A Bola e pela Rádio Observador, considerou correta a decisão de Sérgio Guelho.
O antigo árbitro destacou sobretudo a posição do braço esquerdo de Gambor, que estaria aberto e afastado do corpo, apesar de a bola ter tocado anteriormente na mão direita.
“Lance difícil de analisar, mas tanto árbitro e VAR validaram”, observou Pedro Henriques.
Na sua avaliação, atribuiu nota 6 à atuação do árbitro da partida.
As diferentes leituras demonstram que, embora a decisão tenha sido confirmada pela equipa de arbitragem, a interpretação do lance continua a suscitar discussão.
Académico de Viseu protesta e treinador lamenta lance “fortuito”
Do lado do Académico de Viseu, a grande penalidade provocou protestos e deixou um sentimento de frustração.
O treinador Bruno Pinheiro classificou o episódio como um lance “fortuito”, considerando que um momento de acaso acabou por determinar o resultado da eliminatória.
O técnico destacou ainda a capacidade da sua equipa para competir de igual para igual com o FC Porto no Estádio do Dragão.
Já Francesco Farioli preferiu concentrar as declarações no desempenho dos seus jogadores, evitando comentar a decisão de arbitragem que originou o único golo da partida.
Polémica surge depois das críticas de Villas-Boas à arbitragem
O episódio ganha particular relevância devido ao ambiente de tensão que se vive atualmente no futebol português.
Nos últimos dias, André Villas-Boas voltou a criticar o funcionamento da arbitragem nacional, chegando a defender a suspensão de funções do presidente do Conselho de Arbitragem na sequência da polémica em torno de uma grande penalidade não assinalada no Braga-Sporting.
Também o Benfica esteve envolvido numa controvérsia recente, acusando o árbitro Cláudio Pereira de “falsidade” no relatório do encontro frente ao Santa Clara.
Agora, é o próprio FC Porto a beneficiar desportivamente de uma grande penalidade cuja interpretação não reúne consenso entre os analistas.
Isso não significa que tenha existido um erro de arbitragem ou um favorecimento indevido dos dragões. A decisão foi confirmada pelo VAR e considerada correta por pelo menos um dos especialistas citados.
Mas o episódio poderá servir de argumento aos rivais num momento em que a direção portista tem sido particularmente exigente nas críticas às decisões tomadas noutros encontros.
FC Porto continua a ganhar, mas a arbitragem volta a estar no centro da discussão
O FC Porto mantém o excelente momento desportivo da temporada. Além de liderar o campeonato com nove vitórias em nove jornadas, garantiu agora a qualificação para a Final Four da Taça da Liga.
Contudo, o triunfo frente ao Académico de Viseu ficará inevitavelmente associado ao penálti que decidiu a eliminatória.
A questão não é afirmar que o FC Porto venceu graças a um erro de arbitragem, algo que as análises disponíveis não permitem concluir. É reconhecer que também os dragões estão envolvidos em decisões polémicas que podem acabar por lhes ser favoráveis.
Depois das críticas de André Villas-Boas à arbitragem portuguesa, o lance de Hugo Gambor promete tornar-se mais um episódio de discussão entre os adeptos dos três grandes.
O FC Porto segue em frente na Taça da Liga. A polémica, essa, dificilmente ficará pelo jogo desta quarta-feira.


