A polémica entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus continua a provocar reações e acaba de ganhar mais um protagonista. Desta vez, foi José Luís Vidigal, antigo internacional português, a pronunciar-se sobre o conflito que abalou a Seleção Nacional. E as palavras do ex-médio não deixam grandes dúvidas sobre o lado em que se posiciona.
Numa entrevista ao jornal italiano “Gazzetta dello Sport“, Vidigal criticou a decisão de Cristiano Ronaldo de abandonar o estágio da Seleção e considerou insuficientes as explicações apresentadas pelo capitão português no comunicado divulgado a 6 de outubro.
O antigo futebolista mostrou-se particularmente crítico em relação à atitude do avançado de 41 anos, defendendo a posição assumida por Jorge Jesus.
José Luís Vidigal perde a paciência com a polémica
Questionado sobre o conflito entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, José Luís Vidigal começou por demonstrar algum cansaço com um assunto que tem dominado a atualidade da Seleção Nacional.
Mas, apesar da reação inicial, não fugiu à questão.
“Por favor, chega (risos). O treinador fez o que tinha de fazer. Quando o Ronaldo apanhou o voo de regresso, pensei logo que se ia arrepender do que estava a fazer.”
Para Vidigal, a decisão de Ronaldo de abandonar a concentração da equipa portuguesa foi um erro que o próprio jogador acabaria por lamentar.
O antigo médio considera que Jorge Jesus agiu de acordo com as responsabilidades que tem enquanto selecionador nacional, não encontrando motivos para censurar a sua atuação no episódio.
Comunicado de Cristiano Ronaldo não convenceu o antigo internacional
As críticas de José Luís Vidigal não ficaram pela decisão de abandonar o estágio.
O antigo internacional português também analisou o comunicado divulgado por Cristiano Ronaldo no dia 6 de outubro, através do qual o capitão procurou esclarecer os motivos que estiveram na origem do desentendimento.
Nessa comunicação, Ronaldo acusou Jorge Jesus de não ter cumprido dois compromissos que, segundo o avançado, tinham sido previamente estabelecidos.
O primeiro estaria relacionado com a sua utilização no encontro frente à Noruega, durante o qual chegou a realizar exercícios de aquecimento, mas acabou por não entrar em campo.
O segundo dizia respeito às explicações públicas que o selecionador alegadamente se tinha comprometido a apresentar depois da partida.
Para Vidigal, porém, nenhuma dessas justificações é suficiente para explicar a decisão tomada pelo capitão português.
“O comunicado que ele fez não justifica muita coisa.”
A posição do antigo médio é clara: mesmo que tenham existido divergências entre jogador e treinador, a saída do estágio não terá sido a forma correta de lidar com a situação.
“Obrigá-lo a ajoelhar-se? Isso não existe em lado nenhum”
Foi, contudo, a parte final da resposta de José Luís Vidigal que mais se destacou.
O antigo internacional português considerou excessiva a pressão que, na sua interpretação, estaria a ser exercida sobre Jorge Jesus para resolver o conflito.
“O Jesus disse que errou, mas querer pô-lo de joelhos, acho que isso é algo que não existe em lado nenhum.”
A declaração representa uma defesa contundente da autoridade do selecionador nacional e uma crítica à ideia de que Jorge Jesus deveria ceder perante as exigências de Cristiano Ronaldo.
Vidigal entende que o treinador já reconheceu a existência de um erro e que isso não deve significar uma perda de autoridade perante o grupo.
As suas palavras juntam-se às intervenções de outras figuras do futebol português que têm tomado posição sobre um dos episódios mais controversos da recente história da Seleção.
Ronaldo acusou Jorge Jesus de faltar à palavra
A origem da polémica remonta ao encontro entre Portugal e a Noruega, disputado em setembro.
Cristiano Ronaldo realizou exercícios de aquecimento, mas acabou por não ser utilizado por Jorge Jesus.
O episódio gerou tensão entre o capitão e o selecionador, culminando com a saída do avançado da concentração da equipa portuguesa antes do compromisso seguinte, frente à Dinamarca.
Posteriormente, Ronaldo divulgou um comunicado no qual apresentou a sua versão dos acontecimentos.
O jogador afirmou que Jorge Jesus não tinha cumprido dois compromissos assumidos consigo, relacionados com o tempo de utilização diante da Noruega e com a comunicação pública sobre a decisão.
No mesmo comunicado, o capitão reconheceu que a sua saída do estágio não tinha sido a melhor decisão e apresentou desculpas aos colegas e aos adeptos.
Apesar do pedido de desculpas, Ronaldo manteve as críticas ao comportamento do selecionador e deixou claro que pretende continuar a representar Portugal.
É precisamente essa explicação que José Luís Vidigal considera insuficiente.
Cristiano Ronaldo responde com golos na Arábia Saudita
Enquanto a polémica continua a alimentar discussões em Portugal, Cristiano Ronaldo procura manter o foco na sua carreira ao serviço do Al Nassr.
O internacional português voltou a marcar no regresso à competição saudita, contribuindo para a vitória por 3-0 frente ao Al Diriyah.
Ronaldo foi titular e voltou a demonstrar a capacidade de finalização que o tem acompanhado ao longo da carreira.
Aos 41 anos, o avançado continua a perseguir a marca histórica dos mil golos, um objetivo que permanece entre os grandes desafios individuais da sua carreira.
O rendimento no clube saudita poderá assumir particular importância numa altura em que o seu futuro na Seleção Nacional permanece envolto em incerteza.
Regresso à Seleção continua sem garantias
Apesar de Cristiano Ronaldo ter reafirmado a vontade de continuar a representar Portugal, a relação com Jorge Jesus ainda não terá sido totalmente restabelecida.
O capitão mantém-se disponível para futuras convocatórias, mas a decisão de o chamar pertence ao selecionador nacional.
As atenções estão agora concentradas na convocatória de novembro, que poderá ajudar a esclarecer se existe margem para uma reconciliação.
Para já, não há confirmação de um entendimento definitivo entre as duas partes.
As declarações de José Luís Vidigal mostram que o caso continua a dividir opiniões no futebol português, com antigos internacionais a defenderem publicamente a autoridade de Jorge Jesus.
O antigo médio não deixou dúvidas: considera que Ronaldo errou ao abandonar o estágio e entende que o comunicado posterior não foi suficiente para justificar a decisão.
Resta saber se Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus conseguirão ultrapassar o desentendimento antes dos próximos compromissos da Seleção Nacional.


