Quinze anos depois, declarações de Cristiano Ronaldo sobre uma polémica surpreendentemente semelhante àquela que agora protagoniza estão novamente a dar que falar. Em 2011, Ricardo Carvalho abandonou um estágio da Seleção por estar descontente com uma decisão de Paulo Bento. Na altura, CR7 não ficou em cima do muro: defendeu a autoridade do selecionador e afirmou que “ninguém tem lugares cativos na Seleção”.
O passado regressa agora num momento particularmente delicado para Cristiano Ronaldo, depois de o capitão ter deixado o estágio da Seleção Nacional em Copenhaga na sequência do conflito com Jorge Jesus.
Ronaldo não é, naturalmente, o primeiro internacional português a tomar uma decisão desta natureza. E há um precedente que ganha especial relevância porque o próprio avançado assistiu a tudo de perto e pronunciou-se publicamente sobre o assunto.
O protagonista foi Ricardo Carvalho, seu companheiro no Real Madrid.
Ricardo Carvalho também abandonou a Seleção
Em 2011, Ricardo Carvalho deixou a concentração da equipa nacional depois de perceber que não seria titular numa partida sob o comando de Paulo Bento.
O defesa-central explicaria anos mais tarde que se sentiu desrespeitado com a decisão, sobretudo porque Pepe, que não se tinha treinado, entrou diretamente para o onze.
Apesar da proximidade entre os dois jogadores e de partilharem simultaneamente o balneário do Real Madrid, Cristiano Ronaldo não procurou desculpar publicamente o comportamento do companheiro.
Pelo contrário.
Ronaldo foi taxativo: “Ninguém tem lugares cativos”
Ainda durante esse estágio da Seleção, Cristiano Ronaldo foi confrontado com o caso e deixou uma frase que, 15 anos depois, assume um significado completamente diferente perante a sua própria situação.
“Ninguém tem lugares cativos na Seleção. Joga quem estiver melhor e quem o treinador escolher.”
A posição de Ronaldo era, portanto, clara: a decisão sobre quem joga pertence ao selecionador e nenhum futebolista deve considerar que tem um lugar garantido na equipa.
É precisamente esta declaração que ganha agora particular força depois do conflito entre CR7 e Jorge Jesus em torno da utilização do capitão português.
“Ele cometeu um erro”
Mas Cristiano Ronaldo não ficou por aí.
Meses depois, quando já estava em marcha uma tentativa de reconciliação entre Ricardo Carvalho e Paulo Bento, Ronaldo voltou a ser questionado sobre o assunto durante uma conferência de imprensa ao serviço do Real Madrid.
E voltou a considerar errada a decisão do companheiro.
“Ele cometeu um erro, mas todos erramos.”
Ronaldo demonstrava assim compreensão por Ricardo Carvalho enquanto, ao mesmo tempo, não deixava dúvidas sobre aquilo que pensava do abandono de uma concentração da Seleção.
15 anos depois, as palavras regressam para Ronaldo
A comparação entre os dois episódios não significa que as circunstâncias sejam exatamente iguais. Os protagonistas, os selecionadores, os motivos concretos e o contexto são diferentes.
Existe, porém, uma semelhança impossível de ignorar: um jogador descontente com a gestão desportiva do selecionador decidiu abandonar um estágio da equipa nacional.
Em 2011, Cristiano Ronaldo colocou-se inequivocamente do lado de um princípio: ninguém tem um lugar garantido e cabe ao treinador decidir quem joga.
Quinze anos depois, é o próprio Ronaldo que está no centro de uma crise com o selecionador e que decidiu deixar uma concentração da equipa nacional.
E é por isso que duas frases esquecidas de CR7 voltam agora a ganhar enorme significado:
“Ninguém tem lugares cativos na Seleção.”
“Ele cometeu um erro, mas todos erramos.”
Em 2011, Cristiano Ronaldo não teve dúvidas em criticar Ricardo Carvalho por abandonar a Seleção. Quinze anos depois, perante uma situação com alguns paralelismos, as suas próprias palavras tornaram-se provavelmente uma das críticas mais incómodas que poderia ouvir.

