De Eusébio a Cristiano Ronaldo, passando por Luís Figo, Rui Costa, Deco, Pepe e várias das figuras que construíram algumas das maiores páginas da Seleção Nacional. Escolher os 25 melhores futebolistas portugueses da história já seria difícil. Colocá-los por ordem é ainda mais polémico. Este ranking atravessa várias gerações e termina com uma escolha para o número um que dificilmente deixará alguém indiferente.
Portugal pode ser um país relativamente pequeno em dimensão e população, mas o seu peso na história do futebol mundial está muito longe de ser proporcional ao tamanho do território.
Das noites europeias do Benfica de Eusébio e Mário Coluna à geração de Luís Figo e Rui Costa, passando pelo FC Porto campeão europeu de José Mourinho e chegando à equipa que finalmente conquistou o Euro 2016, o futebol português produziu jogadores que marcaram diferentes épocas.
E depois existe Cristiano Ronaldo.
O avançado madeirense levou os números individuais portugueses para uma dimensão que anteriormente parecia inalcançável e tornou-se numa das maiores figuras da história do desporto. Ainda assim, reduzir mais de um século de futebol português a um único jogador seria ignorar uma quantidade impressionante de talento.
Quem merece acompanhar Ronaldo no panteão português? E quem deve ficar imediatamente atrás?
Para elaborar este ranking foram considerados o rendimento e as conquistas pela Seleção Nacional, o percurso nos clubes, os principais títulos coletivos, os prémios individuais e, naturalmente, o legado deixado no futebol português e internacional.
Estatísticas indicadas na fonte: Transfermarkt a 15/06/2026
25.º Ricardo Quaresma
Jogos: 684 | Golos: 112 | Assistências: 166 | Internacionalizações: 80
Talento nunca lhe faltou. Ricardo Quaresma foi um dos jogadores portugueses mais imprevisíveis da sua geração e tornou uma forma de rematar praticamente numa imagem de marca.
A trivela ficou para sempre associada ao extremo português. Quaresma conseguia executar com o exterior do pé passes e remates que a esmagadora maioria dos jogadores nem sequer tentaria.
Um dos exemplos mais famosos surgiu no Mundial de 2018, quando marcou ao Irão com uma trivela perfeita.
A irregularidade impediu provavelmente que atingisse uma dimensão ainda maior, mas o currículo permanece respeitável. Esteve no Inter que conquistou o histórico triplete em 2009/10 sob o comando de José Mourinho e teve um papel importante no Euro 2016.
Foi precisamente nessa competição que marcou, no prolongamento, o golo que eliminou a Croácia nos oitavos de final. Algumas semanas depois, Portugal era campeão europeu.
24.º António Simões
Jogos: 449 | Golos: 72 | Internacionalizações: 40
É um dos grandes nomes de uma geração do Benfica que transformou definitivamente a dimensão internacional do futebol português.
António Simões passou 14 temporadas no clube da Luz e construiu grande parte da carreira a partir da ala esquerda.
Há um recorde que ajuda a perceber a precocidade do antigo internacional português: tornou-se o jogador mais jovem a disputar e vencer uma final da Taça dos Campeões Europeus, com apenas 18 anos e 139 dias, diante do Real Madrid, em 1962.
Terminaria a carreira com uma passagem pelo futebol norte-americano antes de iniciar também um percurso como treinador.
O facto de atualmente existirem relativamente poucas imagens disponíveis de um jogador desta dimensão ajuda a explicar por que motivo Simões acaba muitas vezes esquecido pelas gerações mais novas.
23.º Nuno Gomes
Jogos: 585 | Golos: 219 | Assistências: 68 | Internacionalizações: 79
Nuno Gomes foi um dos rostos mais reconhecíveis da Seleção Nacional na transição entre a geração de ouro e a geração de Cristiano Ronaldo.
Marcou 29 golos em 79 internacionalizações e teve particular destaque no Euro 2000, competição em que Portugal chegou às meias-finais.
Quatro anos depois faria parte da equipa que disputou em casa a final do Euro 2004.
A sua inteligência na movimentação, capacidade para atacar espaços e facilidade de finalização fizeram igualmente dele um dos avançados mais marcantes da história recente do Benfica.
Em duas passagens pela Luz, passou 12 temporadas no clube e marcou 166 golos em 398 encontros.
22.º Fernando Couto
Jogos: 552 | Golos: 34 | Assistências: 4 | Internacionalizações: 110
Fernando Couto representava uma espécie de contraste com a imagem tradicional do futebolista português tecnicista dos anos 90.
Era um defesa central agressivo, intenso, fisicamente poderoso e completamente confortável no confronto direto.
Mas reduzir Couto à agressividade seria profundamente injusto.
Ao longo da carreira desenvolveu a leitura de jogo e a qualidade na organização defensiva, tornando-se num central de enorme dimensão internacional.
Representou clubes como FC Porto, Parma, Barcelona e Lazio e ultrapassou a histórica barreira das 100 internacionalizações por Portugal, terminando com 110.
21.º José Augusto
Internacionalizações: 45
Gabriel Hanot, o jornalista francês ligado à criação da Bola de Ouro, chamou-lhe o “Garrincha português”.
É difícil encontrar uma descrição mais elogiosa para um extremo daquela geração.
José Augusto construiu praticamente toda a sua lenda no Benfica, conquistando 13 títulos, entre os quais oito campeonatos e duas Taças dos Campeões Europeus.
Foi igualmente uma peça importante da histórica equipa portuguesa que terminou o Mundial de 1966 no terceiro lugar.
Teve a particularidade de integrar uma linha ofensiva com nomes como José Águas e Eusébio, circunstância que por vezes lhe retirou algum protagonismo histórico.
20.º João Pinto
Jogos: 604 | Golos: 148 | Assistências: 102 | Internacionalizações: 81
João Pinto pertenceu à célebre geração portuguesa que conquistou dois Mundiais consecutivos de sub-20, em 1989 e 1991.
Era um jogador criativo, tecnicamente refinado e capaz de aparecer em zonas de finalização apesar de não ser um ponta de lança tradicional.
Marcou 23 golos em 81 jogos por Portugal e teve um papel importante na caminhada até às meias-finais do Euro 2000.
O temperamento também fez parte da carreira. No Mundial de 2002, foi expulso frente à Coreia do Sul e acabou suspenso durante seis meses na sequência do incidente com o árbitro.
Ao nível dos clubes conseguiu algo pouco habitual: foi campeão nacional tanto pelo Benfica como pelo Sporting.
19.º Nené
Jogos: 575 | Golos: 359 | Internacionalizações: 66
Nené passou toda a carreira profissional no Benfica, entre 1968 e 1986.
E os números são impressionantes: 359 golos em 575 encontros.
Conquistou dez campeonatos nacionais, foi eleito Futebolista Português do Ano em 1971 e terminou por duas vezes como melhor marcador do campeonato.
Pela Seleção Nacional marcou 22 golos em 66 partidas e integrou a equipa que chegou às meias-finais do Euro 1984.
Nené tinha uma qualidade que dificilmente se ensina: aparecia repetidamente no lugar certo no momento certo.
18.º José Águas
Jogos: 281 | Golos: 290 | Internacionalizações: 25
Antes de Eusébio se tornar no grande fenómeno do futebol português, José Águas já aterrorizava as defesas europeias.
Foi um verdadeiro especialista da grande área e uma das maiores figuras da história do Benfica.
Os 290 golos em 281 jogos oficiais apresentados neste ranking mostram uma eficácia extraordinária.
Conquistou cinco campeonatos e foi o melhor marcador em todos eles. Mais importante ainda, capitaneou o Benfica nas conquistas europeias de 1961 e 1962.
José Águas marcou o primeiro golo dos encarnados nas duas finais: na vitória por 3-2 sobre o Barcelona e no inesquecível 5-3 frente ao Real Madrid.
17.º Rúben Dias
Jogos: 466 | Golos: 14 | Assistências: 19 | Internacionalizações: 76
Formado no Benfica, Rúben Dias tornou-se num dos defesas centrais de referência do futebol mundial depois da transferência para o Manchester City.
Forte fisicamente, agressivo na antecipação, confortável com bola e com uma enorme capacidade de liderança, encaixou de forma praticamente imediata no futebol de Pep Guardiola.
Foi uma das figuras da era mais vitoriosa da história do Manchester City, conquistando, entre outros troféus, uma Liga dos Campeões e quatro Premier Leagues.
Pela Seleção Nacional soma também duas Ligas das Nações.
As lesões retiraram-lhe alguma continuidade em determinados momentos, mas no máximo das suas capacidades pertence à elite mundial da posição.
16.º José Torres
Jogos: 374 | Golos: 217 | Internacionalizações: 34
Chamavam-lhe “O Bom Gigante” e não era difícil perceber porquê.
Com 1,91 metros, José Torres apresentava uma dimensão física invulgar para o futebol da sua época, mas estava longe de depender exclusivamente da altura.
Era também um finalizador de enorme qualidade.
Ao serviço do Benfica marcou 226 golos em 259 encontros, conquistou nove campeonatos e seis Taças de Portugal.
Fez ainda parte dos famosos “Magriços” que levaram Portugal ao terceiro lugar no Mundial de 1966.
15.º Fernando Gomes
Jogos: 431 | Golos: 331 | Internacionalizações: 48
Fernando Gomes foi uma das principais figuras da transformação do FC Porto numa potência europeia.
O avançado integrou a equipa que conquistou a Taça dos Campeões Europeus em 1987 e construiu uma carreira marcada por números impressionantes.
Os 319 golos na Primeira Liga colocam-no entre os maiores goleadores da história da competição.
Conquistou ainda duas Botas de Ouro europeias, em 1983 e 1985, e foi eleito Futebolista Português do Ano em 1983.
Fernando Gomes morreu em novembro de 2022, deixando um legado que permanece inseparável da história do FC Porto.
14.º Pauleta
Jogos: 459 | Golos: 224 | Assistências: 38 | Internacionalizações: 88
A carreira de Pauleta tem uma particularidade extraordinária: tornou-se num dos maiores avançados portugueses de sempre sem disputar qualquer encontro na Primeira Liga portuguesa.
O “Ciclone dos Açores” construiu o essencial da carreira em Espanha e França.
Foi no Paris Saint-Germain que atingiu o estatuto de ídolo, marcando 109 golos e conquistando por três vezes o título de melhor marcador da Ligue 1.
Pela Seleção Nacional conseguiu 47 golos em 88 internacionalizações, tornando-se o recordista português de golos antes de Cristiano Ronaldo ultrapassar a marca.
13.º Fernando Peyroteo
Jogos: 334 | Golos: 544 | Internacionalizações: 20
Se este ranking fosse decidido exclusivamente pela capacidade para marcar golos, Fernando Peyroteo poderia estar muito mais perto do topo.
Os números parecem pertencer a outra realidade: 544 golos em 334 jogos pelo Sporting.
Peyroteo jogou entre 1937 e 1949 e foi uma das figuras da histórica geração dos “Cinco Violinos”.
Terminou seis vezes como melhor marcador do campeonato e conquistou cinco títulos nacionais.
Mesmo pela Seleção Nacional manteve uma média impressionante, com 14 golos em apenas 20 internacionalizações.
É um dos grandes nomes históricos do Sporting e um dos goleadores mais devastadores que Portugal alguma vez produziu.
12.º Nani
Jogos: 631 | Golos: 131 | Assistências: 143 | Internacionalizações: 112
A dimensão que Nani alcançou pela Seleção Nacional acaba por ser por vezes esquecida.
Foram 112 internacionalizações e uma participação absolutamente fundamental no Euro 2016.
Nani foi titular em todos os encontros de Portugal nessa competição e terminou com três golos e uma assistência.
Partilhou grande parte da carreira com Cristiano Ronaldo, primeiro como produto da formação do Sporting, depois no Manchester United e finalmente na Seleção Nacional.
Em Inglaterra conquistou vários títulos, incluindo a Liga dos Campeões de 2008.
A carreira levou-o ainda a campeonatos tão diferentes como os de Espanha, Itália, Turquia, Estados Unidos e Austrália.
11.º Ricardo Carvalho
Jogos: 607 | Golos: 25 | Assistências: 12 | Internacionalizações: 89
Ricardo Carvalho foi um dos melhores defesas centrais portugueses de sempre e uma das peças fundamentais da extraordinária equipa do FC Porto de José Mourinho.
Conquistou a Taça UEFA em 2003 e a Liga dos Campeões em 2004, sendo reconhecido individualmente pelas suas exibições nas competições europeias.
A transferência para o Chelsea voltou a juntá-lo a Mourinho.
Em Londres fez parte da célebre equipa que sofreu apenas 15 golos durante uma edição inteira da Premier League, um dos registos defensivos mais impressionantes da história do campeonato inglês.
Seguiram-se títulos no Real Madrid e, já numa fase adiantada da carreira, uma última conquista inesquecível por Portugal.
Ricardo Carvalho integrou a equipa campeã europeia em 2016 e foi titular nos três encontros da fase de grupos.
10.º Paulo Futre
Jogos: 303 | Golos: 74 | Assistências: 12 | Internacionalizações: 41
No auge, Paulo Futre era praticamente imparável.
Velocidade, drible e uma enorme capacidade para enfrentar adversários fizeram dele um dos extremos mais entusiasmantes da sua geração.
Estreou-se por Portugal com apenas 17 anos e rapidamente chegou à elite europeia.
Foi campeão europeu pelo FC Porto em 1987 e terminou esse mesmo ano no segundo lugar da Bola de Ouro.
Depois mudou-se para o Atlético de Madrid, onde se tornou um verdadeiro ídolo.
As sucessivas lesões nos joelhos acabariam por condicionar a segunda metade da carreira. Sem esses problemas físicos, é legítimo imaginar que Futre poderia ocupar uma posição ainda mais elevada nesta lista.
9.º Bruno Fernandes
Bruno Fernandes construiu a carreira europeia por um caminho pouco convencional.
Depois da formação em Portugal, passou pelo futebol italiano antes de regressar ao país e explodir definitivamente no Sporting.
A transferência para o Manchester United colocou-o num dos clubes mais mediáticos do planeta e o médio rapidamente assumiu responsabilidades.
Na temporada 2025/26 assinou uma marca histórica: 21 assistências na Premier League, estabelecendo um novo recorde da competição e ultrapassando os registos de Thierry Henry e Kevin De Bruyne.
Mesmo durante períodos particularmente instáveis do Manchester United, Bruno continuou a produzir golos, assistências e oportunidades.
Pela Seleção Nacional tornou-se igualmente uma das principais fontes de criatividade.
8.º Bernardo Silva
Bernardo Silva é um daqueles futebolistas cuja importância nem sempre pode ser explicada apenas através de golos e assistências.
Os treinadores parecem perceber isso melhor do que ninguém.
Inteligente na ocupação dos espaços, tecnicamente extraordinário e capaz de atuar em diferentes posições, tornou-se numa das peças mais importantes do Manchester City de Pep Guardiola.
O currículo fala por si: uma Liga dos Campeões, seis Premier Leagues e duas Ligas das Nações.
Guardiola elogiou repetidamente a inteligência e importância do português ao longo dos anos, chegando a descrevê-lo como uma das suas “fraquezas”.
Formado no Benfica, Bernardo passou pelo Mónaco antes de chegar a Manchester e construir uma das carreiras mais tituladas de um futebolista português.
7.º Pepe
Jogos: 740 | Golos: 42 | Assistências: 36 | Internacionalizações: 141
Poucos jogadores portugueses conseguiram manter-se na elite durante tanto tempo como Pepe.
Em 2024, aos 41 anos, ainda competia na Liga dos Campeões e representava Portugal no Campeonato da Europa.
Nascido no Brasil, escolheu representar Portugal e acabaria por acumular 141 internacionalizações.
Ao nível dos clubes conquistou títulos no FC Porto e no Real Madrid, incluindo três Ligas dos Campeões.
Mas uma das maiores páginas da carreira aconteceu com a camisola portuguesa.
Pepe foi um dos pilares da equipa que conquistou o Euro 2016 e manteve-se como referência defensiva da Seleção durante várias gerações.
Terminou a carreira em agosto de 2024.
6.º Deco
Jogos: 553 | Golos: 83 | Assistências: 172 | Internacionalizações: 75
Deco foi o cérebro de uma das maiores equipas portuguesas de clubes de sempre.
Na final da Liga dos Campeões de 2004 marcou frente ao Mónaco e foi eleito Homem do Jogo, fechando de forma perfeita a histórica campanha europeia do FC Porto de José Mourinho.
Seguiu-se o Barcelona.
Na Catalunha partilhou o meio-campo com algumas das maiores figuras daquela geração e voltou a conquistar a Liga dos Campeões, em 2006.
Em 2004 terminou no segundo lugar da Bola de Ouro e foi distinguido como melhor jogador das competições europeias da UEFA.
Nascido no Brasil, estreou-se por Portugal aos 25 anos e fê-lo precisamente contra a seleção brasileira. Para tornar a história ainda melhor, marcou de livre o golo da vitória.
5.º Rui Costa
Jogos: 646 | Golos: 89 | Assistências: 129 | Internacionalizações: 94
“Maestro” não era apenas uma alcunha.
Rui Costa personificava o clássico número 10: cabeça levantada, enorme visão de jogo e capacidade para encontrar um passe que praticamente ninguém mais tinha visto.
Começou e terminou a carreira no Benfica, mas foi em Itália que atingiu grande parte da dimensão internacional.
Primeiro brilhou na Fiorentina e depois chegou ao Milan, onde conquistou, entre outros troféus, a Liga dos Campeões de 2003.
Pela Seleção Nacional fez 94 jogos e integrou algumas das melhores equipas portuguesas do período anterior ao Euro 2016.
No Euro 2004 marcou um dos golos mais memoráveis da carreira, frente à Inglaterra, nos quartos de final.
A derrota contra a Grécia na final seria o seu último encontro por Portugal.
4.º Mário Coluna
Internacionalizações: 57
“Monstro Sagrado”. Só a alcunha ajuda a perceber a dimensão de Mário Coluna.
Foi um dos grandes médios do futebol europeu da sua geração e um dos pilares do Benfica que conquistou a Europa.
Coluna marcou nas duas finais da Taça dos Campeões Europeus conquistadas pelos encarnados, em 1961 e 1962.
Na Seleção Nacional assumiu também um papel central.
Foi capitão em praticamente toda a histórica participação portuguesa no Mundial de 1966, que terminou com o terceiro lugar.
A lista de jogadores presentes no seu encontro de homenagem diz muito sobre o respeito internacional que conquistou: Johan Cruyff, Geoff Hurst, Bobby Moore e Uwe Seeler estiveram entre as estrelas convidadas.
3.º Luís Figo
Jogos: 792 | Golos: 137 | Assistências: 232 | Internacionalizações: 127
Luís Figo não foi apenas um dos melhores jogadores portugueses da sua geração. Foi um dos melhores futebolistas do mundo.
Formado no Sporting, construiu uma década extraordinária em Espanha.
Primeiro brilhou no Barcelona. Depois protagonizou uma das transferências mais polémicas da história do futebol ao trocar diretamente o clube catalão pelo Real Madrid.
A mudança foi tão traumática para os adeptos do Barcelona que a famosa cabeça de porco atirada para o relvado durante um Clássico se tornou numa das imagens mais célebres daquela rivalidade.
Dentro das quatro linhas, porém, a qualidade era indiscutível.
Figo conquistou a Bola de Ouro em 2000 e a Liga dos Campeões pelo Real Madrid em 2002.
Foi ainda eleito Futebolista Português do Ano durante seis anos consecutivos, entre 1995 e 2000.
Pela Seleção Nacional atingiu as 127 internacionalizações e tornou-se um dos símbolos máximos da chamada geração de ouro.
2.º Eusébio
Jogos: 745 | Golos: 733 | Internacionalizações: 64
Durante décadas, discutir o maior futebolista português da história era quase desnecessário.
A resposta chamava-se Eusébio.
O “Pantera Negra” não foi apenas uma lenda do Benfica ou de Portugal. Foi uma das maiores figuras do futebol mundial.
Conquistou a Bola de Ouro em 1965 e, no ano seguinte, protagonizou uma das maiores prestações individuais da história dos Mundiais.
No Inglaterra 1966 marcou nove golos em seis encontros e terminou como melhor marcador da competição.
O jogo contra a Coreia do Norte ficou eternizado. Portugal esteve a perder por 3-0, mas Eusébio marcou quatro golos e liderou uma recuperação histórica até ao triunfo por 5-3.
Portugal terminaria esse Mundial no terceiro lugar.
Ao longo da carreira, os números apresentados neste ranking atribuem-lhe 733 golos em 745 encontros profissionais, incluindo 41 golos em 64 partidas pela Seleção.
No Benfica conquistou 11 campeonatos e a Taça dos Campeões Europeus de 1962.
Em praticamente qualquer outra época da história do futebol português, Eusébio seria o número um.
Mas apareceu alguém que levou os recordes nacionais para uma dimensão nunca antes vista.
1.º Cristiano Ronaldo
Golos na carreira: 979
Com todo o respeito por cada uma das lendas anteriores, o primeiro lugar dificilmente poderia pertencer a outro jogador.
Cristiano Ronaldo é o melhor jogador português da história neste ranking.
O debate sobre o melhor futebolista de sempre a nível mundial poderá continuar eternamente. Pelé, Diego Maradona, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e outras lendas terão sempre argumentos e defensores.
Mas quando a discussão fica limitada ao futebol português, a dimensão estatística e o currículo de Ronaldo tornam a escolha muito mais simples.
O jogador que saiu da formação do Sporting para o Manchester United transformou-se numa superestrela em Inglaterra, atingiu números históricos no Real Madrid e continuou a conquistar títulos e a marcar golos depois de passar pela Juventus.
Conquistou cinco Bolas de Ouro e cinco Ligas dos Campeões, além de campeonatos em Inglaterra, Espanha e Itália.
Individualmente, tornou-se o maior marcador da história da Seleção Nacional e, segundo os números utilizados neste ranking, chegou aos 979 golos oficiais na carreira.
Mas existe uma diferença fundamental relativamente às anteriores lendas portuguesas.
Ronaldo não acumulou apenas recordes individuais. Também foi o capitão da equipa que finalmente conseguiu aquilo que várias gerações extraordinárias de jogadores portugueses nunca tinham alcançado.
Portugal conquistou o Euro 2016.
Foi o primeiro grande título da história da Seleção Nacional.
Ronaldo participou diretamente em seis golos durante os sete encontros da competição e, mesmo depois de sair lesionado muito cedo na final frente à França, permaneceu junto ao banco a incentivar os companheiros.
Mais tarde juntaria ao currículo duas conquistas da Liga das Nações.
A sua longevidade tornou o percurso ainda mais extraordinário. Ronaldo atravessou diferentes gerações da Seleção, diferentes treinadores, diferentes posições em campo e diferentes fases físicas sem deixar de marcar.
E é precisamente essa combinação de longevidade, títulos, recordes, impacto internacional e importância histórica para Portugal que lhe garante o primeiro lugar.
Um top 3 difícil de contestar, mas uma lista cheia de polémica
O pódio deste ranking reúne três vencedores portugueses da Bola de Ouro.
Cristiano Ronaldo, Eusébio e Luís Figo ocupam, respetivamente, as três primeiras posições.
Depois começam as discussões mais difíceis.
Mário Coluna merece estar acima de Rui Costa? Deco deveria ultrapassar ambos? A longevidade de Pepe justifica o sétimo lugar? Bernardo Silva e Bruno Fernandes já fizeram o suficiente para superar nomes históricos como Futre, Ricardo Carvalho e Nani?
E talvez a questão mais complicada de todas seja Fernando Peyroteo.
Comparar diretamente um futebolista dos anos 30 e 40 com jogadores do século XXI é extremamente difícil. Mas os números atribuídos ao lendário avançado do Sporting são tão impressionantes que o 13.º lugar poderá parecer demasiado baixo para muitos adeptos.
É precisamente esse o problema, e também a beleza, de qualquer ranking histórico.
Não existe uma fórmula matemática capaz de colocar Eusébio, Figo, Coluna, Ronaldo, Peyroteo ou Bernardo Silva nas mesmas condições. Jogaram em épocas diferentes, com calendários diferentes, preparação física diferente, regras diferentes e realidades competitivas profundamente distintas.
O que é possível avaliar é a dimensão que cada um atingiu no seu tempo.
Os três portugueses que ganharam a Bola de Ouro
Há outro dado que ajuda a explicar a qualidade existente no topo desta classificação.
Portugal teve três jogadores diferentes vencedores da Bola de Ouro.
Eusébio conquistou o prémio em 1965. Luís Figo venceu em 2000. Cristiano Ronaldo levou o troféu para casa cinco vezes: 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017.
Além deles, outros portugueses estiveram muito perto. Paulo Futre terminou no segundo lugar em 1987 e Deco também foi segundo classificado em 2004.
O Benfica domina o ranking histórico
Olhando para os clubes portugueses representados, a influência histórica do Benfica torna-se particularmente evidente.
Eusébio, Mário Coluna, Rui Costa, Bernardo Silva, José Torres, José Águas, Nené, José Augusto e António Simões são alguns dos jogadores desta lista com uma forte ligação aos encarnados.
O Sporting surge associado a nomes como Cristiano Ronaldo, Luís Figo, Nani, Fernando Peyroteo, João Pinto e Ricardo Quaresma, enquanto o FC Porto tem uma presença particularmente forte através de Deco, Pepe, Paulo Futre, Ricardo Carvalho, Fernando Gomes e Fernando Couto.
É também um retrato da própria evolução do futebol português: diferentes épocas foram dominadas por diferentes gerações, mas os três grandes clubes estiveram repetidamente ligados ao aparecimento ou afirmação dos maiores talentos nacionais.
O ranking dos 25 melhores jogadores portugueses da história
| Posição | Jogador | Principal clube | Internacionalizações |
|---|---|---|---|
| 1.º | Cristiano Ronaldo | Real Madrid / Manchester United | Recordista |
| 2.º | Eusébio | Benfica | 64 |
| 3.º | Luís Figo | Barcelona / Real Madrid | 127 |
| 4.º | Mário Coluna | Benfica | 57 |
| 5.º | Rui Costa | Fiorentina / Milan | 94 |
| 6.º | Deco | FC Porto / Barcelona | 75 |
| 7.º | Pepe | FC Porto / Real Madrid | 141 |
| 8.º | Bernardo Silva | Manchester City | — |
| 9.º | Bruno Fernandes | Manchester United | — |
| 10.º | Paulo Futre | FC Porto / Atlético Madrid | 41 |
| 11.º | Ricardo Carvalho | FC Porto / Chelsea | 89 |
| 12.º | Nani | Sporting / Manchester United | 112 |
| 13.º | Fernando Peyroteo | Sporting | 20 |
| 14.º | Pauleta | Paris Saint-Germain | 88 |
| 15.º | Fernando Gomes | FC Porto | 48 |
| 16.º | José Torres | Benfica | 34 |
| 17.º | Rúben Dias | Manchester City | 76 |
| 18.º | José Águas | Benfica | 25 |
| 19.º | Nené | Benfica | 66 |
| 20.º | João Pinto | Benfica / Sporting | 81 |
| 21.º | José Augusto | Benfica | 45 |
| 22.º | Fernando Couto | FC Porto / Parma | 110 |
| 23.º | Nuno Gomes | Benfica | 79 |
| 24.º | António Simões | Benfica | 40 |
| 25.º | Ricardo Quaresma | FC Porto | 80 |
Perguntas frequentes
Quem é o melhor jogador português de todos os tempos?
Cristiano Ronaldo ocupa o primeiro lugar deste ranking, à frente de Eusébio e Luís Figo. O avançado reúne cinco Bolas de Ouro, cinco Ligas dos Campeões, o Euro 2016, duas Ligas das Nações e inúmeros recordes individuais.
Quem completa o pódio dos melhores portugueses da história?
O pódio é constituído por Cristiano Ronaldo em primeiro, Eusébio em segundo e Luís Figo em terceiro.
Quantos jogadores portugueses ganharam a Bola de Ouro?
Três futebolistas portugueses venceram a Bola de Ouro: Eusébio em 1965, Luís Figo em 2000 e Cristiano Ronaldo em cinco ocasiões, 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017.
Qual é o clube com mais jogadores representados no ranking?
O Benfica tem uma presença particularmente forte na lista, sobretudo graças às suas gerações históricas, com nomes como Eusébio, Mário Coluna, José Águas, José Augusto, José Torres, Nené e António Simões.
Quem é o jogador mais antigo deste ranking?
Fernando Peyroteo pertence à geração mais distante entre os nomes selecionados. O lendário avançado do Sporting jogou entre 1937 e 1949 e os números apresentados neste ranking atribuem-lhe 544 golos em 334 jogos pelo clube.
Que jogadores do ranking continuam no ativo?
Entre os jogadores apresentados, Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e Rúben Dias continuam no ativo, pelo que as respetivas carreiras e números ainda podem evoluir.
Onde aparecem Pepe e Deco?
Pepe ocupa o 7.º lugar e Deco surge imediatamente acima, na 6.ª posição. Ambos marcaram profundamente o futebol português, embora em funções completamente diferentes dentro de campo.
Fernando Peyroteo está entre os melhores portugueses de sempre?
Sim. Peyroteo aparece no 13.º lugar deste ranking. A posição poderá ser discutível tendo em conta os extraordinários números atribuídos ao antigo avançado do Sporting, incluindo 544 golos em 334 jogos pelo clube.


