Garrincha, Diego Maradona, Lionel Messi, Ronaldinho, Cristiano Ronaldo ou Luís Figo? Escolher os melhores dribladores da história do futebol é entrar num terreno onde dificilmente haverá consenso. Há, no entanto, jogadores que transformaram o drible numa verdadeira forma de arte e que fizeram gerações inteiras levantar-se das cadeiras.
Antes de o futebol se transformar no jogo altamente organizado e tático que conhecemos atualmente, o drible ocupava um lugar ainda mais importante. Nos primórdios da modalidade, nos colégios ingleses do século XIX, avançar individualmente com a bola era uma das características mais valorizadas. Passar para um companheiro chegou mesmo a ser encarado como uma solução pouco corajosa.
Mais de um século depois, praticamente tudo mudou. As equipas defendem melhor, os espaços diminuíram, a preparação física evoluiu e os jogadores são estudados ao mais pequeno detalhe. Mas uma coisa permanece igual: poucas jogadas conseguem entusiasmar tanto um estádio como um futebolista a deixar um adversário para trás através de uma finta.
Os goleadores podem decidir campeonatos e os grandes defesas podem construir equipas vencedoras, mas são frequentemente os dribladores que ficam guardados na memória dos adeptos.
Este ranking junta épocas completamente diferentes e, por isso, qualquer comparação tem inevitavelmente uma componente subjetiva. Foram considerados fatores como a capacidade individual no um contra um, estatísticas disponíveis de dribles tentados e completados, reputação, nível dos adversários enfrentados, impacto nos maiores palcos e longevidade.
E há presença portuguesa…
30. Rivellino
Um dos grandes símbolos do futebol brasileiro e uma das figuras da seleção que conquistou o Mundial de 1970. Rivellino ficou para sempre associado ao “elástico”, movimento que ajudou a aperfeiçoar muito antes de Ronaldinho o voltar a popularizar.
O brasileiro possuía um controlo de bola extraordinário e uma capacidade de enganar os adversários através do movimento do corpo que o tornava extremamente difícil de travar. Diego Maradona chegou a apontá-lo como uma das suas grandes referências.
Clubes: Corinthians, Fluminense e Al-Hilal
Jogos/golos: 338/105
Principal título: Mundial de 1970
29. Andrés Iniesta
Iniesta não precisava de correr mais depressa do que os adversários. Pensava mais depressa.
A capacidade para receber a bola rodeado por jogadores e sair de espaços aparentemente impossíveis transformou-o num dos médios mais difíceis de desarmar da sua geração. “La Croqueta”, em que deslocava rapidamente a bola de um pé para o outro, tornou-se uma das suas imagens de marca.
O momento mais importante da carreira aconteceu na final do Mundial de 2010. Iniesta marcou o golo que deu à Espanha o primeiro título mundial da sua história e terminou a partida como Homem do Jogo.
Principal clube: Barcelona
Jogos/golos: 885/93
Principais títulos: Mundial, dois Europeus, quatro Ligas dos Campeões, nove LaLigas e três Mundiais de Clubes
28. Pelé
Antes de Maradona, Messi ou Cristiano Ronaldo, houve Pelé. O brasileiro foi a primeira grande superestrela verdadeiramente global do futebol e participou em quatro Campeonatos do Mundo consecutivos.
Embora seja recordado sobretudo pela extraordinária capacidade goleadora, Pelé possuía também uma criatividade, agilidade e qualidade técnica muito acima da média. Conseguia combinar potência física, aceleração e técnica numa época em que os avançados recebiam um tratamento particularmente duro por parte dos defesas.
Principal clube: Santos
Jogos/golos: 766/709
Principais títulos: três Mundiais, seis Campeonatos Brasileiros e duas Taças Libertadores
27. Cristiano Ronaldo
Quem conheceu apenas a versão goleadora de Cristiano Ronaldo pode facilmente esquecer o jogador que apareceu no Sporting e chegou ao Manchester United em 2003.
Aos 18 anos, Cristiano era um extremo absolutamente obcecado pelo duelo individual. Bicicletas, mudanças de direção, acelerações explosivas e fintas sucessivas faziam parte de praticamente todos os jogos.
Com o passar dos anos, transformou completamente o seu futebol. Reduziu progressivamente o número de dribles, aproximou-se da baliza e tornou-se um dos maiores goleadores da história. Mas antes dos recordes de golos, foi através do drible que Cristiano Ronaldo se apresentou ao mundo.
Clubes: Sporting, Manchester United, Real Madrid, Juventus e Al Nassr
Jogos/golos: 1337/979
Principais títulos: Europeu, duas Ligas das Nações, cinco Ligas dos Campeões, três Premier Leagues, duas LaLigas, duas Serie A e quatro Mundiais de Clubes
26. Arjen Robben
Toda a gente sabia o que Arjen Robben ia fazer. E praticamente ninguém conseguia impedi-lo.
Recebia na direita, arrancava em direção à área, puxava a bola para o pé esquerdo e procurava o remate. A jogada tornou-se tão previsível que acabou transformada numa espécie de piada entre adeptos. O problema é que continuava a resultar.
A combinação entre velocidade, mudança de direção e execução técnica permitiu ao neerlandês repetir o mesmo movimento durante anos ao mais alto nível.
Clubes: PSV, Chelsea, Real Madrid e Bayern Munique
Jogos/golos: 614/209
Principais títulos: Liga dos Campeões, oito Bundesligas, duas Premier Leagues e LaLiga
25. Kaká
Kaká driblava de uma forma muito diferente dos pequenos jogadores tecnicistas. Não precisava de uma sucessão de fintas. Bastavam-lhe espaço, uma passada enorme e aceleração.
No auge, recebia a bola no meio-campo e poucos segundos depois estava à entrada da área adversária. A combinação entre velocidade, técnica e capacidade de condução fez dele um dos jogadores mais devastadores em transição.
O auge individual chegou em 2007, quando conquistou a Bola de Ouro.
Clubes: Milan e Real Madrid
Jogos/golos: 654/208
Principais títulos: Mundial, Liga dos Campeões, Serie A, LaLiga e Mundial de Clubes
24. Paulo Futre
Um dos três portugueses presentes neste ranking e, provavelmente, um dos jogadores nacionais mais subvalorizados internacionalmente.
Paulo Futre era explosivo, canhoto e extremamente rápido com a bola nos pés. Ainda muito jovem começou a ser comparado com Diego Maradona devido à forma como atacava os defesas.
Foi uma das figuras do FC Porto que conquistou a Taça dos Campeões Europeus em 1987 e terminou esse mesmo ano no segundo lugar da Bola de Ouro. Depois brilhou no Atlético Madrid, onde se tornou um verdadeiro ídolo.
As sucessivas lesões nos joelhos acabariam por limitar uma carreira que poderia ter ido ainda mais longe.
Clubes: Sporting, FC Porto, Atlético Madrid, Benfica e West Ham
Jogos/golos: 423/103
Principais títulos: Taça dos Campeões Europeus e dois campeonatos nacionais
23. Marc Overmars
Velocidade era a principal arma de Marc Overmars, mas reduzi-lo apenas a isso seria injusto. O neerlandês conseguia transportar a bola a uma velocidade impressionante sem perder controlo.
Brilhou no Ajax que conquistou a Liga dos Campeões em 1995, passou pelo Arsenal e acabou por chegar ao Barcelona. O estilo direto fazia dele um pesadelo permanente para qualquer lateral.
Clubes: Ajax, Arsenal e Barcelona
Jogos/golos: 542/106
Principais títulos: Liga dos Campeões, três Eredivisies, Premier League e Taça de Inglaterra
22. David Ginola
Elegância talvez seja a palavra que melhor descreve David Ginola. O francês não precisava de movimentos excessivamente rápidos para ultrapassar adversários.
Uma receção de bola extraordinária, excelente equilíbrio e enorme rapidez de pensamento permitiam-lhe encontrar soluções onde outros apenas viam um defesa pela frente.
Tornou-se particularmente popular em Inglaterra, onde representou Newcastle, Tottenham, Aston Villa e Everton.
Clubes: PSG, Newcastle, Tottenham, Aston Villa e Everton
Jogos/golos: 614/108
Principais títulos: Ligue 1 e duas Taças de França
21. Luís Figo
O português mais bem colocado neste ranking.
Luís Figo foi um dos extremos mais completos da sua geração. Não possuía apenas capacidade para ultrapassar o adversário. Sabia exatamente quando acelerar, quando cruzar e quando procurar zonas interiores.
Formado no Sporting, tornou-se estrela no Barcelona antes de protagonizar uma das transferências mais polémicas da história ao assinar pelo Real Madrid. Em 2000 conquistou a Bola de Ouro.
A qualidade no um contra um foi uma das características que o acompanharam durante praticamente toda a carreira.
Clubes: Sporting, Barcelona, Real Madrid e Inter
Jogos/golos: 792/137
Principais títulos: Liga dos Campeões, quatro LaLigas e quatro Serie A
20. Eddie Gray
Uma vida inteira dedicada ao Leeds United. Eddie Gray foi uma das peças da grande equipa construída por Don Revie e destacou-se sobretudo pela facilidade com que criava desequilíbrios nas alas.
Um dos melhores exemplos aconteceu diante do Burnley, em abril de 1970, quando atravessou vários adversários antes de bater o guarda-redes.
Clube: Leeds United
Jogos/golos: 579/69
Principais títulos: dois campeonatos ingleses, Taça de Inglaterra e Taça da Liga
19. Gianfranco Zola
Pequeno na estatura, gigantesco com a bola nos pés. Gianfranco Zola possuía um centro de gravidade muito baixo e uma capacidade extraordinária para controlar a bola em espaços mínimos.
Passou pelo Nápoles e Parma antes de se tornar uma das maiores figuras da história do Chelsea.
Brian Laudrup, que partilhou o balneário com o italiano, chegou a descrevê-lo como um “mágico”, destacando a técnica e o equilíbrio que faziam lembrar Maradona.
Clubes: Nápoles, Parma e Chelsea
Jogos/golos: 698/212
Principais títulos: Serie A, Taça UEFA, Taça das Taças e duas Taças de Inglaterra
18. Paul Gascoigne
Poucos jogadores ingleses tiveram tanto talento natural como Paul Gascoigne.
“Gazza” combinava força, criatividade e capacidade técnica com uma personalidade absolutamente imprevisível. A vida fora do relvado acabou por marcar profundamente a carreira, mas dentro dele produziu momentos inesquecíveis.
O golo frente à Escócia no Euro 96, em que levantou a bola sobre o defesa antes de finalizar de primeira, permanece como uma das imagens mais famosas do futebol inglês.
Clubes: Newcastle, Tottenham, Lazio, Rangers e Everton
Jogos/golos: 464/90
Principais títulos: Taça de Inglaterra, dois campeonatos escoceses e Taça da Escócia
17. Roberto Baggio
Um dos grandes génios italianos do século XX. Roberto Baggio tinha a capacidade rara de parecer jogar a uma velocidade diferente dos restantes.
Passava pelos adversários com enorme naturalidade, tinha uma técnica extraordinária e era também um especialista em bolas paradas.
Conquistou a Bola de Ouro em 1993 e terminou em segundo no ano seguinte, quando conduziu a Itália até à final do Mundial.
Clubes: Fiorentina, Juventus, Milan e Inter
Jogos/golos: 660/304
Principais títulos: duas Serie A, Taça de Itália e Taça UEFA
16. Zico
Uma das maiores figuras da história do Flamengo e um dos melhores jogadores brasileiros de sempre.
Zico combinava criatividade, drible e uma capacidade extraordinária na marcação de livres. Entre a segunda metade da década de 1970 e o início dos anos 80 esteve entre os melhores futebolistas do planeta.
Clubes: Flamengo, Udinese e Kashima Antlers
Principais títulos: três Campeonatos Brasileiros, Taça Libertadores e Taça Intercontinental
15. Dennis Bergkamp
Há jogadores cujo primeiro toque já é um drible. Dennis Bergkamp pertence a essa categoria.
O neerlandês tinha uma capacidade extraordinária para receber a bola orientando imediatamente a jogada seguinte. Depois de se formar no Ajax e passar pelo Inter, encontrou no Arsenal o ambiente ideal para mostrar todo o talento.
Durante mais de uma década foi uma das figuras da Premier League.
Clubes: Ajax, Inter e Arsenal
Jogos/golos: 732/264
Principais títulos: três Premier Leagues, quatro Taças de Inglaterra e duas Taças UEFA
14. John Barnes
John Barnes não driblava apenas por instinto. Observava a posição corporal do defesa e atacava precisamente o espaço que este deixava disponível.
O momento mais famoso aconteceu em 1984, num particular entre Inglaterra e Brasil no Maracanã. Barnes ultrapassou sucessivamente vários jogadores brasileiros antes de finalizar uma das melhores jogadas individuais da sua carreira.
Clubes: Watford, Liverpool e Newcastle
Jogos/golos: 830/208
Principais títulos: dois campeonatos ingleses, duas Taças de Inglaterra e Taça da Liga
13. Ronaldo “Fenómeno”
Velocidade de extremo, força de avançado e técnica de número 10. Ronaldo Nazário reunia praticamente tudo.
Quando arrancava em direção à baliza, os defesas tinham um problema enorme. O brasileiro conseguia mudar de direção sem perder velocidade e tinha pés suficientemente rápidos para eliminar vários adversários numa única jogada.
Aos 21 anos tornou-se o mais jovem vencedor da Bola de Ouro. As lesões impediram provavelmente que a carreira atingisse números ainda mais impressionantes.
Clubes: PSV, Barcelona, Inter e Real Madrid
Jogos/golos: 481/309
Principais títulos: dois Mundiais, LaLiga, Taça UEFA e Taça das Taças
12. Eden Hazard
No auge, Eden Hazard era praticamente impossível de tirar da bola.
O baixo centro de gravidade, combinado com uma enorme força nas pernas, permitia-lhe absorver contactos e continuar a avançar. Segundo os dados da Opta citados na base deste ranking, Hazard completou 999 dribles na Premier League entre a chegada ao Chelsea e o final da carreira.
A passagem pelo Real Madrid esteve muito abaixo das expectativas, mas isso não apaga aquilo que fez em Inglaterra.
Clubes: Lille, Chelsea e Real Madrid
Jogos/golos: 749/200
Principais títulos: Liga dos Campeões, duas Premier Leagues, duas LaLigas, Liga Europa e Ligue 1
11. Jay-Jay Okocha
“Tão bom que lhe deram o nome duas vezes.” A frase tornou-se inseparável de Jay-Jay Okocha e ajuda a explicar a dimensão do culto em torno do nigeriano.
Okocha tratava a bola como poucos. Passou pelo Eintracht Frankfurt, Fenerbahçe e PSG antes de chegar ao Bolton, onde teve liberdade para transformar os jogos da Premier League num palco para o seu repertório técnico.
O próprio Ronaldinho apontou-o como uma das suas inspirações.
Clubes: Eintracht Frankfurt, Fenerbahçe, PSG e Bolton
Jogos/golos: 494/101
Principais títulos: Taça das Nações Africanas e ouro olímpico
10. Zinedine Zidane
Entramos no top 10 com um dos jogadores mais elegantes que alguma vez pisaram um relvado.
Zinedine Zidane parecia ter sempre mais tempo do que os restantes. A receção de bola, a capacidade para proteger a posse e a famosa “roleta” transformaram-no num dos médios mais difíceis de pressionar.
Foi campeão mundial pela França em 1998 e conquistou nesse mesmo ano a Bola de Ouro.
Clubes: Bordéus, Juventus e Real Madrid
Jogos/golos: 689/125
Principais títulos: Mundial, Europeu, Liga dos Campeões, duas Serie A e LaLiga
9. Neymar
Numa era em que o futebol se tornou cada vez mais organizado e onde o risco individual é frequentemente desencorajado, Neymar nunca perdeu completamente o espírito do futebol de rua.
Cuecas, chapéus, mudanças de direção, fintas de corpo e improvisações faziam parte do repertório. No melhor momento da carreira, poucos jogadores eram tão difíceis de travar no um contra um.
O rendimento nem sempre foi regular e a carreira ficou marcada por lesões, mas o talento nunca esteve verdadeiramente em discussão.
Clubes: Santos, Barcelona, PSG e Al-Hilal
Jogos/golos: 723/440
Principais títulos: Liga dos Campeões, Taça Libertadores, duas LaLigas e cinco Ligue 1
8. Omar Sívori
Um génio difícil, provocador e absolutamente apaixonado por deixar adversários para trás.
Omar Sívori ficou conhecido como “El Gran Zurdo” pela extraordinária qualidade do pé esquerdo. Gostava particularmente de fazer cuecas aos adversários, muitas vezes repetidamente, algo que ajudou a criar a imagem irreverente que o acompanhou durante toda a carreira.
Foi uma das figuras da Juventus nas décadas de 1950 e 1960 e conquistou a Bola de Ouro em 1961.
Clubes: River Plate, Juventus e Nápoles
Jogos/golos: 389/216
Principais títulos: três campeonatos argentinos, três Serie A e três Taças de Itália
7. Sir Stanley Matthews
Antes de o futebol ter televisão global, redes sociais ou vídeos virais, Stanley Matthews já era conhecido como o “Feiticeiro do Drible”.
A carreira prolongou-se durante décadas e a capacidade para ultrapassar adversários tornou-o num dos primeiros grandes ícones do futebol inglês.
Em 1956 entrou definitivamente para a história ao tornar-se o primeiro vencedor da Bola de Ouro.
Clubes: Stoke City e Blackpool
Jogos/golos: 857/91
Principais títulos: Taça de Inglaterra e Bola de Ouro
6. Ronaldinho
Se este ranking fosse feito exclusivamente com base no espetáculo, Ronaldinho teria argumentos para ocupar o primeiro lugar.
O brasileiro transformava cada jogo numa oportunidade para inventar qualquer coisa. Elásticos, passes sem olhar, chapéus, fintas de corpo e movimentos que pareciam saídos do futebol de rua faziam parte do repertório.
A magia não apareceu por acaso. Ronaldinho passou incontáveis horas a jogar na rua durante a infância, enfrentando crianças, adultos e até o cão da família, Bombom.
No auge no Barcelona, tornou-se praticamente imparável e conquistou a Bola de Ouro em 2005.
Clubes: Grêmio, PSG, Barcelona, Milan, Flamengo e Atlético Mineiro
Jogos/golos: 646/231
Principais títulos: Mundial, Copa América, Liga dos Campeões, Taça Libertadores, duas LaLigas e Serie A
5. Johan Cruyff
Johan Cruyff não fintava apenas para entreter. Cada movimento tinha um objetivo.
Foi precisamente essa eficiência que tornou famosa a “finta de Cruyff”, executada no Mundial de 1974 diante do sueco Jan Olsson. O movimento entrou definitivamente no vocabulário do futebol e continua a ser ensinado décadas depois.
Nesse encontro, Cruyff completou 12 dribles.
Clubes: Ajax e Barcelona
Jogos/golos: 761/433
Principais títulos: três Taças dos Campeões Europeus, nove Eredivisies, LaLiga e três Bolas de Ouro
4. George Best
George Best foi uma das primeiras superestrelas pop do futebol. Mas por trás da imagem havia um jogador extraordinário.
Matt Busby chegou a dizer que Best utilizava tão bem os dois pés que por vezes parecia ter seis. A capacidade para mudar de direção e acelerar fazia dele um pesadelo para qualquer defesa.
Ainda antes de completar 22 anos já tinha conquistado os principais títulos disponíveis no futebol inglês e europeu.
Principal clube: Manchester United
Jogos/golos: 742/260
Principais títulos: Taça dos Campeões Europeus, dois campeonatos ingleses e Bola de Ouro
3. Lionel Messi
Para muitos, vê-lo apenas no terceiro lugar será suficiente para começar a discussão.
Lionel Messi transformou o drible numa combinação quase perfeita entre velocidade, controlo e eficiência. No início da carreira era um autêntico slalomista. Segundo a StatsBomb, aos 20 anos chegou a completar uma média de 8,4 dribles por jogo.
Com Guardiola, tornou o jogo progressivamente mais objetivo. Menos movimentos desnecessários, mais eficácia.
José Mourinho resumiu o problema de enfrentar Messi no um contra um de forma particularmente simples: quando o argentino ficava isolado diante de um adversário, esse defesa estava praticamente condenado.
Clubes: Barcelona, PSG e Inter Miami
Jogos/golos: 1105/856
Principais títulos: Mundial, duas Copas América, quatro Ligas dos Campeões, dez LaLigas e oito Bolas de Ouro
2. Diego Maradona
Há uma imagem do Mundial de 1986 que ajuda a perceber o medo que Maradona provocava: seis jogadores belgas avançam na direção do argentino enquanto este transporta a bola.
Não era exagero.
Segundo os dados da Opta apresentados na base deste ranking, Maradona é o único jogador a ter sofrido mais de 50 faltas numa única edição de um Mundial, feito que conseguiu em 1986 e voltou a repetir em 1990.
No México, em 1986, completou 53 dribles. E foi nesse Mundial que protagonizou aquela que continua a ser uma das jogadas individuais mais famosas da história: recebeu a bola no seu próprio meio-campo contra Inglaterra, percorreu 51 metros e deixou sucessivos adversários para trás antes de bater Peter Shilton.
Clubes: Boca Juniors, Barcelona e Nápoles
Jogos/golos: 680/345
Principais títulos: Mundial, campeonato argentino, duas Serie A e Taça UEFA
1. Garrincha
No topo do ranking está Manuel Francisco dos Santos. Para o mundo, simplesmente Garrincha.
A história do brasileiro parece impossível desde o início. Nasceu em Pau Grande, no Brasil, com uma condição física que deixou as pernas curvadas e que, teoricamente, deveria ter dificultado a prática de futebol ao mais alto nível.
Aconteceu precisamente o contrário.
A forma peculiar de correr tornou-se uma arma. Os defesas tinham enormes dificuldades em perceber para que lado Garrincha iria arrancar e o brasileiro transformou essa imprevisibilidade numa carreira lendária.
Não jogava apenas para chegar à baliza. Jogava também para divertir. Podia ultrapassar um adversário e voltar atrás simplesmente para o enfrentar novamente.
Bicampeão mundial pelo Brasil em 1958 e 1962, tornou-se uma das figuras mais adoradas da história do futebol brasileiro. Numa época sem bases de dados capazes de contar cada drible, são os relatos de quem o enfrentou e viu jogar que ajudam a construir a dimensão da lenda.
Há histórias de árbitros irritados por considerar que Garrincha estava a humilhar adversários e de treinadores que tentaram convencê-lo a driblar menos.
Não conseguiram.
E talvez ainda bem.
Principal clube: Botafogo
Jogos/golos: 395/114
Principais títulos: dois Mundiais
Os três portugueses entre os melhores dribladores da história
Portugal coloca três jogadores entre os 30 primeiros e existe uma curiosidade que une todos eles: Cristiano Ronaldo, Paulo Futre e Luís Figo passaram pela formação do Sporting.
Figo surge como o português mais bem colocado, na 21.ª posição, seguido por Paulo Futre, em 24.º, e Cristiano Ronaldo, em 27.º.
A ausência de outros nomes portugueses também dará certamente discussão. Chalana, Ricardo Quaresma e Rui Costa são alguns dos jogadores que poderiam entrar numa lista mais extensa.
Top 10 dos melhores dribladores da história
- Garrincha
- Diego Maradona
- Lionel Messi
- George Best
- Johan Cruyff
- Ronaldinho
- Sir Stanley Matthews
- Omar Sívori
- Neymar
- Zinedine Zidane
Quem é o melhor driblador da história do futebol?
De acordo com este ranking, Garrincha é o melhor driblador da história do futebol, à frente de Diego Maradona e Lionel Messi.
A comparação entre épocas tão diferentes nunca será totalmente objetiva. Messi dispõe de números e estatísticas detalhadas que simplesmente não existem para Garrincha ou Stanley Matthews. Os jogadores atuais enfrentam organizações defensivas muito mais estudadas, enquanto as estrelas das décadas anteriores jogavam frequentemente em relvados piores e estavam muito menos protegidas pelos árbitros.
Talvez seja precisamente isso que torna a discussão tão interessante.
Podemos discutir a ordem, trocar jogadores de posição e acrescentar outros nomes. Mas há algo que dificilmente mudará: Garrincha, Maradona, Messi, Ronaldinho e companhia pertencem a uma categoria muito especial de futebolistas, aqueles capazes de transformar um simples duelo de um contra um num momento que fica na memória durante décadas.


