Bastou o primeiro treino de Jorge Jesus como selecionador nacional para surgir uma enorme curiosidade em torno de Bernardo Silva. O antigo jogador do Benfica foi colocado a trabalhar no grupo dos jogadores de características mais defensivas, numa decisão que imediatamente fez recordar o polémico episódio de 2014, quando Jesus experimentou o então jovem médio a lateral-esquerdo na Luz.
Desta vez, porém, não existe qualquer indicação de que o novo selecionador esteja realmente a preparar Bernardo Silva para jogar como defesa.
Mas a forma como Jorge Jesus organizou o primeiro treino na Cidade do Futebol foi suficiente para recuperar uma história que marcou profundamente o início da carreira do internacional português.
Bernardo Silva treinou com o grupo defensivo
Segundo relata “O Jogo”, Jorge Jesus dividiu os jogadores de campo em dois grupos distintos durante a sessão realizada esta terça-feira à tarde, em Oeiras.
E foi precisamente aí que surgiu a surpresa.
Bernardo Silva trabalhou no grupo onde estavam vários jogadores de características defensivas, entre eles João Palhinha e Rúben Neves.
Do outro lado, jogadores como Vitinha e João Neves trabalharam diretamente com os elementos mais ofensivos da Seleção Nacional.
Diogo Costa, Rui Silva e Samuel Soares realizaram exercícios específicos para guarda-redes, separados dos restantes grupos.
De volta a lateral-esquerdo? Memórias de 2014 regressam imediatamente
A presença de Bernardo Silva naquele grupo teve um significado especial devido à história existente entre o jogador e Jorge Jesus.
No verão de 2014, Bernardo tinha apenas 19 anos e tentava conquistar definitivamente um lugar na equipa principal do Benfica.
Durante a pré-temporada 2014/15, perante problemas no plantel naquela posição, Jorge Jesus chegou a utilizar Bernardo Silva como lateral-esquerdo.
A decisão ficou famosa porque Bernardo, um médio ofensivo de enorme talento formado no Seixal, interpretou aquela experiência como um sinal de que dificilmente teria o espaço que pretendia na equipa principal.
Pouco depois, acabaria por sair para o Monaco.
Jesus já explicou o que aconteceu no Benfica
Ao longo dos anos, Jorge Jesus procurou esclarecer a polémica e explicou que nunca teve intenção de transformar definitivamente Bernardo Silva num lateral.
Segundo o treinador, tratou-se de uma solução circunstancial motivada pelas necessidades existentes naquele momento durante a pré-temporada.
O episódio, contudo, tornou-se uma das histórias mais recordadas da passagem de Bernardo pela formação e equipa principal do Benfica.
Mais de uma década depois, os dois voltam agora a encontrar-se, desta vez na Seleção Nacional.
Bernardo no grupo defensivo não significa mudança de posição
Apesar da curiosidade criada pelo treino, não existem informações que indiquem que Jorge Jesus esteja a considerar utilizar Bernardo Silva como lateral-esquerdo ou defesa.
A divisão dos jogadores poderá simplesmente estar relacionada com os exercícios táticos preparados pelo selecionador e com a organização das diferentes fases do jogo.
A presença de Rúben Neves e João Palhinha no mesmo grupo demonstra igualmente que não se tratava exclusivamente de uma unidade formada por defesas.
Por isso, seria precipitado concluir que Bernardo está novamente a ser preparado para uma posição defensiva.
Jesus começa imediatamente a mexer taticamente em Portugal
A sessão deixou, ainda assim, algumas pistas sobre a abordagem do novo selecionador.
Jorge Jesus começou desde logo a trabalhar aspetos relacionados com a organização defensiva e a versatilidade posicional, dividindo o plantel de acordo com aquilo que pretendia desenvolver em cada exercício.
A curiosidade acabou inevitavelmente por recair sobre Bernardo Silva.
Em 2014, Jesus colocou um jovem Bernardo a lateral-esquerdo no Benfica e o episódio tornou-se parte da história da saída do jogador para o Monaco. Agora, no primeiro treino de ambos na Seleção, o médio voltou a aparecer do lado “defensivo” dos exercícios.
Provavelmente não passa de uma simples coincidência tática. Mas, conhecendo a história entre os dois, foi suficiente para fazer regressar imediatamente uma das histórias mais famosas da carreira de Bernardo Silva.


