A derrota por 2-0 frente ao Benfica deixou o AC Milan profundamente desiludido, mas não provocou uma mudança de posição relativamente a Rúben Amorim. Segundo a “Gazzetta dello Sport”, a direção continua a confiar no treinador português e não coloca, nesta altura, a sua continuidade em causa. Há, contudo, uma exigência imediata: é preciso voltar a vencer já frente ao Lecce.
Gerry Cardinale, proprietário do clube, acompanhou a partida com o Benfica a partir de Nova Iorque e não terá escondido a insatisfação perante aquilo que viu em San Siro.
A deceção não estará relacionada apenas com o resultado. O Milan realizou um forte investimento no mercado e Cardinale esperava uma equipa muito mais próxima da identidade que levou precisamente à escolha de Amorim.
Cardinale ficou desiludido com o que viu frente ao Benfica
Segundo a “Gazzetta dello Sport”, cerca de 65 mil adeptos estiveram em San Siro para acompanhar a estreia europeia dos rossoneri, mas o espetáculo apresentado pela equipa esteve muito longe das expectativas.
Depois de na temporada anterior ter falhado o acesso à Liga dos Campeões e conseguido apenas a qualificação para a Liga Europa, existia uma enorme expectativa em torno do regresso às competições europeias.
O Benfica acabou por estragar completamente a noite.
A derrota por 2-0, mas sobretudo a exibição do Milan, provocou forte desilusão entre os responsáveis do clube.
Cardinale tinha outras expectativas depois do investimento realizado no plantel e do apoio constante concedido ao novo treinador.
Milan mantém confiança total em Amorim
Apesar da deceção, existe uma mensagem importante vinda de Itália: Rúben Amorim continua seguro no banco do Milan.
Cardinale escolheu pessoalmente o português durante o verão, depois de analisar várias possibilidades para o comando técnico.
A juventude de Amorim e, sobretudo, a ideia de construir uma equipa dominante foram fatores importantes nessa decisão.
O projeto pretendido passava por um Milan capaz de controlar a posse de bola e os jogos, jogar com agressividade e intensidade e procurar marcar mais um golo em vez de simplesmente proteger a própria baliza.
Era uma mudança profunda relativamente à equipa da temporada anterior.
Cardinale acompanhou essa aposta com um mercado recheado de investimentos importantes e manteve-se próximo do treinador desde o início da temporada.
Por isso, segundo a publicação italiana, seria impensável abandonar todo o projeto ao fim de apenas cinco encontros oficiais e depois de uma única derrota.
Reuniões depois do Benfica decorreram sem dramatismo
Os contactos realizados depois do encontro com as águias serviram para analisar aquilo que correu mal, mas sem colocar dramaticamente em causa o futuro do treinador.
Amorim continua a ter o apoio dos responsáveis do Milan e Cardinale mantém-se próximo do técnico.
O proprietário regressará brevemente de Nova Iorque e deverá estar novamente nas bancadas de San Siro para assistir ao encontro de domingo frente ao Lecce.
É precisamente aí que surge a principal exigência.
Amorim está praticamente obrigado a vencer o Lecce
Se o lugar não está atualmente em causa, os resultados precisam de mudar rapidamente.
A “Gazzetta dello Sport” aponta o encontro com o Lecce como fundamental para devolver tranquilidade à equipa antes de um período particularmente exigente do calendário.
Entre as pausas internacionais de outubro e novembro, o Milan disputará nove partidas, cinco delas fora de casa, divididas entre Serie A e Liga Europa.
A equipa terá compromissos praticamente a cada três dias e Amorim precisa de encontrar estabilidade antes dessa sequência.
Uma vitória frente ao Lecce serviria não apenas para recuperar pontos, mas sobretudo para reduzir a tensão que começou a instalar-se depois dos últimos resultados.
Amorim passou a noite sozinho em Milanello
Há ainda um detalhe revelador sobre a forma como o treinador português viveu a derrota diante do Benfica.
Segundo a “Gazzetta”, Amorim foi o último a abandonar San Siro e regressou sozinho a Milanello, onde passou a noite a refletir sobre aquilo que tinha acontecido.
O treinador procurou analisar os problemas antes de voltar a receber os jogadores para a sessão de trabalho seguinte.
Amorim pretende igualmente funcionar como um escudo para o plantel, assumindo as críticas e tentando evitar que a pressão exterior afete os jogadores.
O próprio treinador reconheceu que existiu um retrocesso relativamente aos primeiros encontros, tanto na qualidade do futebol apresentado como na intensidade competitiva.
Pulisic e Rabiot deverão voltar ao onze
O encontro frente ao Lecce deverá trazer também alterações importantes na equipa.
Adrien Rabiot e Christian Pulisic deverão recuperar a titularidade, depois das opções tomadas para o encontro europeu.
Amorim chegou mesmo a revelar que Pulisic estava “zangado” com a utilização reduzida, outro sinal de que existem decisões delicadas para gerir dentro do plantel.
Luka Modric, que não conseguiu ajudar a equipa frente ao Benfica, é igualmente uma das figuras cuja gestão terá de ser cuidadosamente ponderada pelo português.
“O tempo compra-se ganhando jogos”
Amorim não esconde que ainda existem vários aspetos táticos para corrigir e que a transformação pretendida para o Milan não poderá acontecer de um dia para o outro.
Mas o próprio português resumiu perfeitamente o problema que enfrenta:
“O tempo compra-se ganhando jogos.”
A revolução tática poderá necessitar de várias semanas. Até lá, Amorim poderá ter de encontrar soluções temporárias e eventualmente apresentar uma equipa menos aventureira, mas mais equilibrada e eficaz.
O Milan continua a acreditar em Rúben Amorim e uma saída não está, nesta altura, em cima da mesa. Mas depois da deceção frente ao Benfica, o treinador português recebeu uma mensagem clara: o projeto continua, a confiança mantém-se, mas agora é obrigatório começar novamente a ganhar.


