No futebol, nem sempre foram os dribles impossíveis, os golos de outro mundo ou os grandes títulos que fizeram certos jogadores ganhar uma reputação inesquecível.
Durante décadas, houve futebolistas que entravam em campo com uma aura completamente diferente. Jogavam duro, provocavam, intimidavam e, em alguns casos, levavam a agressividade muito além do limite aceitável.
Alguns tornaram-se autênticos símbolos de uma era em que o futebol era muito mais físico e em que um duelo individual podia transformar-se rapidamente numa batalha.
Entre entradas duríssimas, confrontos, expulsões e episódios que ainda hoje são recordados, estes são 10 dos jogadores mais intimidadores e polémicos da história do futebol.
E há um português na lista.
10. Billy Bremner
Clube mais marcante: Leeds United
Com apenas cerca de 1,65 metros, Billy Bremner estava longe de ter uma presença física impressionante à primeira vista.
Mas bastavam poucos minutos dentro de campo para perceber que a altura não significava absolutamente nada.
Capitão do Leeds United durante os anos 60 e 70, Bremner tornou-se conhecido pela intensidade, pelas entradas duras e por uma competitividade levada ao limite.
Era praticamente impossível vê-lo desistir de um duelo.
Uma luta com Kevin Keegan ficou para a história
Um dos episódios mais famosos aconteceu na Charity Shield de 1974, entre Leeds United e Liverpool.
Bremner envolveu-se numa luta com Kevin Keegan e ambos acabaram expulsos.
O incidente resultou numa suspensão pesada e tornou-se uma das imagens mais emblemáticas da reputação feroz do escocês.
9. Vinnie Jones
Clubes mais conhecidos: Wimbledon, Leeds United, Sheffield United e Chelsea
Se existe um jogador que praticamente transformou a intimidação numa identidade própria, esse jogador é Vinnie Jones.
O antigo médio foi uma das figuras mais representativas da famosa “Crazy Gang” do Wimbledon, uma equipa que ficou conhecida pela agressividade, irreverência e enorme intensidade.
Jones não escondia aquilo que pretendia fazer.
Entradas duríssimas, provocações, contacto físico constante e pressão psicológica faziam parte do seu jogo.
A fama de “durão” continuou depois do futebol
A personalidade de Vinnie Jones acabou por acompanhá-lo mesmo depois de abandonar os relvados.
O antigo jogador construiu uma carreira no cinema interpretando frequentemente personagens agressivas, criminosos ou homens intimidadores.
Era quase uma continuação natural da imagem que tinha criado dentro de campo.
8. Graeme Souness
Clubes mais conhecidos: Middlesbrough, Liverpool, Sampdoria e Rangers
Graeme Souness combinava qualidade técnica com uma agressividade que fez dele um dos médios mais temidos da sua geração.
Durante os anos de ouro do Liverpool, era um jogador capaz de controlar o meio-campo com bola, mas também de deixar imediatamente claro aos adversários que não iria facilitar nenhum duelo.
Entrava forte, discutia, liderava e raramente recuava perante confrontos.
Não tinha medo de ninguém
Souness construiu a imagem de um jogador que não distinguia adversários pelo estatuto.
Fosse contra uma estrela mundial ou contra um jogador desconhecido, a abordagem era praticamente a mesma.
Era essa combinação entre talento e dureza que o tornava tão difícil de enfrentar.
7. Zinedine Zidane
Clubes mais conhecidos: Bordeaux, Juventus e Real Madrid
À primeira vista, Zinedine Zidane pode parecer uma presença surpreendente nesta lista.
Afinal, estamos a falar de um dos jogadores tecnicamente mais brilhantes da história do futebol.
Mas por trás da elegância, dos controlos impossíveis e da classe havia também um temperamento explosivo.
A cabeçada a Materazzi tornou-se uma das imagens mais famosas de sempre
O episódio mais conhecido aconteceu na final do Mundial de 2006.
Depois de uma troca de palavras com Marco Materazzi, Zidane virou-se e deu uma cabeçada no peito do defesa italiano.
Foi expulso no último jogo da carreira profissional.
A imagem tornou-se histórica e mostrou que, apesar da aparência calma, Zidane também podia perder completamente o controlo quando provocado.
6. Patrick Vieira
Clubes mais conhecidos: AC Milan, Arsenal, Juventus e Inter de Milão
Patrick Vieira tinha praticamente tudo o que um médio precisava para dominar fisicamente uma partida.
Era alto, forte, tecnicamente muito competente e extremamente competitivo.
Durante a época dourada do Arsenal de Arsène Wenger, transformou-se num dos líderes da equipa.
Os duelos com Roy Keane eram autênticas batalhas
A rivalidade com Roy Keane tornou-se uma das mais famosas da história da Premier League.
Manchester United e Arsenal disputavam títulos e os dois capitães simbolizavam perfeitamente essa rivalidade.
Os confrontos chegaram mesmo aos túneis antes dos jogos, com discussões que mostravam que a batalha começava muito antes do apito inicial.
5. Harald “Toni” Schumacher
Clubes mais conhecidos: FC Köln e Schalke
O guarda-redes alemão Harald Schumacher ficou associado para sempre a um dos choques mais violentos da história dos Mundiais.
O episódio aconteceu nas meias-finais do Mundial de 1982, frente à França.
O choque com Patrick Battiston causou indignação mundial
Patrick Battiston seguia isolado em direção à baliza quando Schumacher saiu ao seu encontro.
O impacto violento deixou o jogador francês inconsciente.
A polémica tornou-se ainda maior porque Schumacher não foi punido pela jogada.
A reação aparentemente fria do guarda-redes após o lance contribuiu ainda mais para a reputação intimidatória que passou a acompanhá-lo.
4. Pepe
Clubes mais conhecidos: FC Porto e Real Madrid
O português desta lista é Pepe.
Durante uma carreira longa e recheada de títulos, o central tornou-se conhecido por uma intensidade absolutamente impressionante.
Pepe não dava qualquer lance por perdido e nunca demonstrava medo perante um adversário.
Um dos defesas mais agressivos da sua geração
Ao longo dos anos, acumulou confrontos, expulsões e episódios polémicos que ajudaram a criar uma imagem de defesa extremamente duro.
Alguns momentos ultrapassaram claramente os limites e valeram-lhe fortes críticas.
Mas a agressividade era apenas uma parte do seu futebol.
Pepe também foi um defesa de enorme qualidade, rápido, forte no jogo aéreo e capaz de competir ao mais alto nível durante muitos anos.
De Portugal a Madrid, nunca perdeu a intensidade
Depois de se destacar no FC Porto, chegou ao Real Madrid, onde passou mais de uma década e conquistou alguns dos maiores títulos do futebol europeu.
Mesmo nos últimos anos da carreira, já novamente no FC Porto, manteve a mesma personalidade competitiva.
Pepe podia envelhecer, mas a intensidade parecia nunca desaparecer.
3. Duncan Ferguson
Clubes mais conhecidos: Rangers, Everton e Newcastle United
Conhecido como “Big Dunc”, Duncan Ferguson era um avançado que impunha respeito apenas pela presença física.
Forte, alto e extremamente agressivo nos duelos, tornou-se uma figura de culto entre os adeptos do Everton.
Mas a reputação também foi construída através de vários episódios disciplinares.
Chegou a ser preso após um incidente num jogo
O caso mais extremo aconteceu durante a passagem pelo Rangers.
Ferguson deu uma cabeçada em John McStay, do Raith Rovers, durante uma partida.
O incidente acabou por resultar numa condenação judicial e numa passagem pela prisão.
É um dos episódios mais invulgares e graves envolvendo um jogador profissional dentro de campo.
2. Gennaro Gattuso
Clubes mais conhecidos: Rangers e AC Milan
Gennaro Gattuso não precisava de ser o jogador mais alto ou tecnicamente mais brilhante para dominar uma partida.
Bastava a intensidade.
Conhecido como “Rino”, o médio italiano jogava cada duelo como se fosse o último da carreira.
Corria, pressionava, discutia e nunca desistia.
O confronto com Joe Jordan mostrou perfeitamente quem era Gattuso
Um dos episódios mais célebres aconteceu num encontro da Liga dos Campeões entre AC Milan e Tottenham.
Gattuso envolveu-se numa discussão com Joe Jordan, membro da equipa técnica inglesa, e acabou por lhe dar uma cabeçada após o jogo.
O momento tornou-se viral e reforçou ainda mais a imagem de um jogador que vivia o futebol com uma intensidade quase impossível de controlar.
1. Roy Keane
Clubes mais conhecidos: Nottingham Forest, Manchester United e Celtic
No topo da lista aparece Roy Keane.
O antigo capitão do Manchester United foi um dos jogadores mais intimidadores que passaram pela Premier League.
Keane tinha qualidade técnica suficiente para jogar ao mais alto nível, mas era sobretudo a personalidade que fazia dele uma figura tão marcante.
Exigia o máximo dos colegas, não aceitava falta de esforço e enfrentava qualquer adversário sem hesitação.
O caso Alf-Inge Haaland tornou-se a maior polémica da carreira
O episódio mais controverso aconteceu frente a Alf-Inge Haaland.
Depois de um histórico de tensão entre ambos, Keane atingiu o norueguês com uma entrada violentíssima durante um dérbi de Manchester.
O irlandês foi imediatamente expulso.
Anos depois, comentários feitos na autobiografia de Keane aumentaram ainda mais a polémica em torno do lance.
Keane impunha respeito até aos próprios companheiros
A reputação do médio não vinha apenas dos confrontos com adversários.
Os próprios colegas sabiam que Keane não aceitava atitudes que considerasse pouco profissionais.
Era capaz de confrontar jogadores no balneário, exigir mais intensidade nos treinos e criticar abertamente quem não atingisse os seus padrões.
Para ele, liderança significava também confronto.
Uma geração de jogadores que provavelmente seria muito diferente no futebol atual
Muitos destes futebolistas atuaram numa época em que os árbitros permitiam um nível de contacto físico bastante superior ao atual.
Entradas que há algumas décadas podiam resultar apenas numa advertência seriam hoje analisadas pelo VAR e provavelmente terminariam em expulsão.
Isso não significa que a violência deva ser romantizada.
Vários dos episódios desta lista ultrapassaram claramente aquilo que deve fazer parte de um jogo de futebol.
Os 10 jogadores mais intimidadores desta lista
- Roy Keane
- Gennaro Gattuso
- Duncan Ferguson
- Pepe
- Harald “Toni” Schumacher
- Patrick Vieira
- Zinedine Zidane
- Graeme Souness
- Vinnie Jones
- Billy Bremner
É uma lista necessariamente subjetiva e muitos outros nomes poderiam aparecer entre os jogadores mais duros, polémicos ou intimidadores da história.
Mas todos estes deixaram uma marca semelhante: quando entravam em campo, os adversários sabiam que o jogo podia transformar-se numa batalha a qualquer momento.
E entre eles está Pepe, o português que durante anos construiu uma reputação mundial como um dos defesas mais intensos, duros e difíceis de enfrentar da sua geração.


