Durante mais de duas décadas, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi protagonizaram uma das maiores discussões da história do futebol: afinal, qual dos dois é o melhor? Sir Alex Ferguson também entrou nesse debate e, apesar de reconhecer o extraordinário talento do argentino, identificou uma característica em que considerava o português superior.
O lendário treinador conhecia como poucos as capacidades de CR7. Foi ele quem apostou no jovem que chegou ao Manchester United em 2003 e lhe proporcionou o palco onde começou a transformar-se numa superestrela mundial. Anos mais tarde, explicou aquilo que, na sua opinião, distinguia verdadeiramente o português do grande rival.
Para Sir Alex Ferguson, a grande vantagem de Cristiano Ronaldo sobre Lionel Messi era a capacidade do português para manter um nível extraordinário independentemente da equipa onde jogasse.
«Ronaldo podia jogar no Millwall e marcar um hat-trick»
As declarações remontam a 2015, quando Ferguson foi questionado sobre o eterno debate entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.
O antigo treinador do Manchester United começou por reconhecer que escolher Messi como melhor jogador do mundo era uma opinião perfeitamente legítima.
«As pessoas perguntam quem é o melhor jogador do mundo. Muitos dizem que é Messi e não se pode contestar essa opinião.»
Mas Ferguson introduziu depois o argumento que, para si, colocava Cristiano Ronaldo numa posição diferente.
«Ronaldo podia jogar no Millwall, Queens Park Rangers, Doncaster Rovers ou em qualquer equipa e marcar um hat-trick em qualquer jogo. Não tenho a certeza de que Messi conseguisse fazer isso.»
A ideia de Ferguson era simples: Cristiano teria características que lhe permitiriam adaptar-se a praticamente qualquer equipa, campeonato ou contexto futebolístico.
Sir Alex considerava Messi mais dependente do Barcelona
O treinador escocês explicou depois aquilo que sustentava a sua opinião.
Ferguson destacou a enorme variedade de recursos físicos e técnicos de Cristiano Ronaldo.
«Ronaldo tem os dois pés, é rápido e também é bom no jogo aéreo. É corajoso e, naturalmente, Messi também é corajoso, mas considero simplesmente que Messi é um jogador do Barcelona.»
Na altura das declarações, Lionel Messi ainda tinha realizado toda a carreira profissional no futebol europeu ao serviço do Barcelona.
Cristiano, por sua vez, já tinha brilhado em contextos muito diferentes, primeiro no Manchester United e posteriormente no Real Madrid.
Para Ferguson, essa capacidade de adaptação era um argumento particularmente importante na comparação entre os dois.
Foi Sir Alex quem entregou a Cristiano a camisola 7
A relação entre Cristiano Ronaldo e Ferguson começou muito antes de o português se transformar num dos melhores jogadores da história.
Quando chegou a Manchester, em 2003, Cristiano era ainda um adolescente extremamente talentoso proveniente do Sporting.
Foi precisamente Ferguson quem tomou uma decisão que acabaria por marcar para sempre a carreira do português: entregar-lhe a histórica camisola 7 do Manchester United.
Cristiano recordaria posteriormente a surpresa quando o treinador lhe comunicou a decisão:
«Olha, gostava que usasses o número 7.»
A camisola tinha um peso gigantesco em Old Trafford. Antes do português, nomes como Eric Cantona e David Beckham tinham utilizado aquele número.
Ronaldo admitiu que ficou surpreendido.
«Fiquei surpreendido porque conhecia todos os grandes jogadores que tinham usado aquela camisola.»
De promessa a Bola de Ouro
A aposta de Ferguson acabaria por ser amplamente recompensada.
Cristiano chegou ao Manchester United como um jovem cheio de potencial e deixou o clube, em 2009, como uma das maiores estrelas do planeta.
Durante a primeira passagem por Old Trafford conquistou três Premier Leagues e uma Liga dos Campeões, além de vários outros troféus.
Foi também enquanto representava o Manchester United que conquistou a sua primeira Bola de Ouro.
O próprio Cristiano reconheceu posteriormente a importância daqueles anos na construção do jogador em que se tornou.
«Foi o início da minha etapa de sucesso no futebol. Não melhorei apenas as minhas capacidades futebolísticas, mas também o meu físico. Aprendi a arte do futebol. Ganhámos muitas coisas juntos. Foi um sonho para mim.»
O argumento de Ferguson no eterno debate Ronaldo-Messi
Sir Alex nunca negou a extraordinária qualidade de Lionel Messi. Pelo contrário, deixou claro que compreendia perfeitamente quem considerava o argentino o melhor jogador do mundo.
Mas havia uma diferença que, para o lendário treinador, favorecia Cristiano.
Ferguson acreditava que Ronaldo podia ser colocado praticamente em qualquer equipa e continuar a decidir jogos, graças à combinação de velocidade, capacidade física, jogo aéreo e qualidade com ambos os pés.
E resumiu essa convicção através de uma comparação que continua a ser recordada mais de uma década depois: Cristiano poderia jogar até por clubes como Millwall, Queens Park Rangers ou Doncaster e, ainda assim, Ferguson acreditava que seria capaz de marcar um hat-trick.
Quanto a Messi, Sir Alex admitiu simplesmente: «Não tenho a certeza de que conseguisse fazer isso.»


