O Benfica entra esta quarta-feira num momento decisivo para o arranque da nova temporada. As águias vão finalmente conhecer o adversário na segunda pré-eliminatória da UEFA Europa League, num sorteio que terá lugar em Nyon, na sede da UEFA, e que começa desde já a definir o primeiro grande obstáculo europeu do clube encarnado.
O cenário tem várias particularidades e uma delas torna tudo ainda mais imprevisível: o Benfica pode até sair do sorteio sem saber exatamente quem vai enfrentar. Isso acontece porque o eventual adversário pode resultar de um emparelhamento vindo da primeira pré-eliminatória, obrigando os encarnados a esperar pelo desfecho dessa ronda anterior para perceberem, em definitivo, com quem vão jogar. O pontapé de saída da época já tem datas marcadas: a primeira mão será disputada a 23 de julho e a segunda a 30.
O Benfica já sabe quando começa, mas ainda não sabe contra quem
O sorteio desta quarta-feira vai definir o primeiro adversário do Benfica na caminhada europeia, mas o enquadramento está longe de ser simples. Nesta fase, as águias entram diretamente na segunda pré-eliminatória da Liga Europa e esperam agora pela definição do nome que terão pela frente no arranque oficial da temporada.
Este é um daqueles momentos que pode parecer apenas formal, mas que tem peso real na forma como a época começa a ser desenhada. O clube precisa de preparar o primeiro confronto europeu, organizar o arranque competitivo e perceber rapidamente qual será o nível de dificuldade do primeiro obstáculo. E é precisamente por isso que este sorteio está a ser acompanhado com tanta atenção.
As datas já estão fixadas, mas o nome do rival continua em aberto. E isso dá ao sorteio um peso ainda maior, até porque pode abrir desde logo um caminho mais limpo ou muito mais carregado de incerteza.
Há 15 possíveis adversários, mas o cenário pode mudar logo antes da definição final
Neste momento, o Benfica tem 15 possíveis adversários. No entanto, esse número não será o mesmo quando chegar a hora da definição total do caminho encarnado. A razão está nas várias combinações possíveis entre equipas que entram em prova na primeira pré-eliminatória e no sistema usado pela UEFA para o sorteio da ronda seguinte.
Como o sorteio da segunda pré-eliminatória é realizado antes de se disputar a primeira, a UEFA usa, em cada emparelhamento, o melhor ranking entre os dois clubes envolvidos. Esse detalhe altera desde logo a leitura da lista de adversários possíveis e cria uma situação muito particular para o Benfica, que pode ver parte do caminho limpo ainda antes de a bola rolar na ronda anterior.
Ou seja, o cenário é tudo menos fechado. Ainda há peças por encaixar e o sorteio desta terça-feira para a primeira pré-eliminatória vai ter impacto direto na definição final dos possíveis rivais encarnados.
O estatuto de cabeça de série protege o Benfica de vários nomes fortes
Há, no entanto, uma vantagem clara para o clube da Luz: o Benfica entra nesta ronda como cabeça de série e, mais do que isso, é mesmo o clube com melhor ranking entre os participantes nas pré-eliminatórias. Esse estatuto dá-lhe proteção importante e afasta desde logo vários adversários de peso do seu caminho nesta fase da prova.
As águias evitam, assim, Viktoria Plzen, Midtjylland, PAOK, Maccabi Telavive, Anderlecht, Pafos, Ferencváros e Qarabag. Este detalhe é particularmente relevante porque reduz desde já o risco de um embate imediato com alguns dos nomes mais complicados desta fase preliminar.
Num contexto em que qualquer escorregadela pode comprometer o arranque europeu, entrar com esta proteção de ranking é um trunfo importante para o Benfica. Ainda assim, isso não significa que o sorteio seja simples nem que o caminho fique totalmente desanuviado.
Ferencváros e Qarabag ainda mexem com o caminho encarnado
Entre os nomes que o Benfica evita nesta ronda, há dois que continuam a ter influência direta no sorteio: Ferencváros e Qarabag. Ambos entram em prova já na primeira pré-eliminatória e, por isso, o sorteio dessa fase, marcado para terça-feira a partir das 15h00, vai definir também mais dois potenciais adversários que saem do caminho encarnado.
É aqui que o mecanismo da UEFA ganha peso. Como o melhor ranking de cada emparelhamento é o que conta para o sorteio da ronda seguinte, os clubes que forem sorteados para enfrentar Ferencváros e Qarabag na primeira pré-eliminatória deixam automaticamente de poder cruzar-se com o Benfica na segunda.
Esse detalhe reduz ainda mais o leque de hipóteses, mesmo antes de se jogar qualquer encontro. E mostra como, neste caso, o sorteio anterior mexe diretamente com o horizonte europeu das águias.
Seis equipas entram nesta conta e duas saem logo do caminho
Os clubes que estão nessa zona de risco são Zilina, Vojvodina, Universitatea Cluj, Aluminij, Derry City e Vistra. Entre estes seis, dois sairão logo da rota do Benfica, precisamente os que forem emparelhados com Ferencváros e Qarabag na primeira pré-eliminatória.
Essa redução é importante porque ajuda a afunilar as possibilidades reais antes do sorteio de quarta-feira. Ainda assim, não fecha totalmente o cenário e deixa margem para que a definição final continue a depender de resultados que só serão conhecidos mais tarde.
É precisamente esse jogo de combinações que torna este processo mais complexo do que parece à primeira vista. O Benfica entra como favorito no plano do ranking, mas continua preso a um mecanismo em que parte da definição do adversário pode ficar adiada.
Dos 15 possíveis, sobrarão 13, mas no sorteio haverá apenas 9 bolas
Depois de saírem do caminho os dois adversários ligados a Ferencváros e Qarabag, o Benfica ficará com 13 potenciais rivais. No entanto, no sorteio de quarta-feira não estarão 13 bolas em jogo. Estarão apenas 9.
A explicação está no facto de quatro desses potenciais adversários resultarem de encontros da primeira pré-eliminatória. Ou seja, não aparecerão como equipas isoladas no sorteio, mas sim como emparelhamentos ainda por resolver. Isso faz com que o Benfica possa sair do sorteio com um confronto definido apenas em parte, ficando à espera de saber quem sobrevive da ronda anterior.
Esse detalhe dá uma dimensão muito particular ao momento. O sorteio define o caminho, mas pode não revelar ainda o rosto exato do rival. E isso acrescenta suspense ao arranque europeu do clube da Luz.
Há 44 por cento de hipóteses de o Benfica ter de esperar
Segundo este enquadramento, o Benfica tem 44 por cento de hipóteses de sair do sorteio sem conhecer de imediato o adversário definitivo. Nesse cenário, o clube teria de aguardar pelo desfecho da primeira pré-eliminatória, cujos jogos estão marcados para 9 e 16 de julho, para perceber finalmente com quem vai disputar a segunda ronda.
Esse número ajuda a perceber o nível de incerteza ainda presente neste momento. O sorteio desta quarta-feira pode trazer definição total, mas também pode empurrar a resposta final para mais tarde. E isso condiciona naturalmente a preparação, a leitura do contexto competitivo e até a forma como o arranque oficial da temporada é organizado.
Num clube com a dimensão do Benfica, esse tipo de indefinição nunca é irrelevante. O adversário pode mudar, o grau de dificuldade também e a forma como o jogo é preparado pode depender muito daquilo que vier a acontecer na ronda anterior.
O Benfica entra nesta fase por causa da vaga ocupada pelo Torreense
O enquadramento que leva o Benfica a começar a competir já na segunda pré-eliminatória da Liga Europa está diretamente ligado à distribuição das vagas europeias. O clube encarnado é obrigado a entrar nesta fase da prova porque a vaga portuguesa na fase de liga foi ocupada pelo Torreense, vencedor da Taça de Portugal.
Esse detalhe alterou completamente o ponto de partida do Benfica na nova campanha europeia. Em vez de entrar diretamente numa fase mais adiantada, o clube vê-se obrigado a antecipar o início competitivo e a preparar-se para uma eliminatória logo no arranque da época.
Essa realidade aumenta o peso do sorteio e a importância de perceber rapidamente qual será o primeiro teste europeu de uma equipa que quer começar a temporada sem tropeções.
O sorteio pode definir muito mais do que apenas um adversário
O sorteio desta quarta-feira não serve apenas para colocar um nome diante do Benfica. Serve também para definir o grau de incerteza com que a equipa vai arrancar a nova temporada, a forma como o clube vai gerir a preparação competitiva e até o tipo de risco que terá pela frente logo nos primeiros dias de competição oficial.
Com datas já marcadas, com possibilidade de enfrentar um emparelhamento ainda por decidir e com um caminho europeu que começa mais cedo do que o desejado, o Benfica entra neste momento com muita coisa em jogo. A condição de cabeça de série protege, mas não resolve tudo. E é precisamente isso que torna este sorteio tão importante.
Na quarta-feira, em Nyon, as águias vão conhecer o primeiro passo da nova caminhada europeia. E esse primeiro passo pode trazer alívio imediato ou mais uma dose de suspense antes de a bola começar realmente a rolar.



