Australiano que apoiou o movimento 'Black Power' em 1968 vai ter uma estátua

A Austrália vai homenagear, com uma estátua, Peter Norman, o velocista branco que apoiou no pódio dos Jogos Olímpicos do México-1968 a manifestação a favor do movimento ‘Black Power’ dos atletas afro-americanos Tommie Smith e John Carlos.

Meio século depois, a foto continua a ser uma das mais famosas da história do desporto. Nela, é possível ver Smith e Carlos, primeiro e terceiro colocados da prova dos 200 metros nos Jogos Olímpicos, erguendo o punho fechado e usando uma luva preta durante o hino dos Estados Unidos da América, um protesto silencioso contra a discriminação racial.

No segundo lugar do pódio, Norman, um atleta branco, dá o seu apoio aos dois atletas americanos ao usar um adesivo do “Olympic Project for Human Rights” (OPHR), um movimento pelos direitos humanos que tinha convidados os atletas negros a boicotar os Jogos Olímpicos.

O preço pago pelos trêss atletas pelo gesto foi muito caro. Os dois norte-americanos foram suspensos da delegação americana e banidos por toda a vida dos Jogos Olímpicos. Norman (1942-2006), que nunca lamentou o seu gesto, tornou-se um pária na Austrália.

O velocista não foi selecionado para os Jogos de Munique-1972, mesmo tendo corrido diversas vezes abaixo do tempo necessário para se classificar, e também foi esquecido pela organização dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000.

Foi preciso esperar até 2012, seis anos após a morte de Norman, para que o Parlamento australiano apresentasse um texto pedindo desculpas ao atleta pelo tratamento a que foi submetido.

Momento emblemático

A federação australiana, a Athletics Australia, explicou que o gesto de Norman era agora reconhecido como “um dos momentos mais emblemáticos do desporto australiano e um momento particular na história olímpica”.

A entidade anunciou que uma estátua de bronze de Norman será erguida nos arredores do Estádio Lakeside de Melbourne, no sul da Austrália, um ano após o lançamento de uma campanha para que isso fosse feito.

“As iniciativas para homenagear Peter Norman, com esta estátua, chegam muito tarde”, reconheceu o presidente da federação de atletismo, Mark Arbib.

O dirigente também anunciou que o dia 9 de outubro, data da morte do ex-atleta em 2006, será de agora em diante o “Dia Peter Norman”, uma homenagem respeitada nos Estados Unidos há mais de uma década.

Smith e Carlos foram, em 2006, dois dos carregadores do caixão de Norman. Carlos pediu aos australianos que “contem aos seus filhos a história de Norman”.

Em abril, o Comité Olímpico Australiano concedeu a Ordem ao Mérito a Peter Norman, a título póstumo.

Este artigo foi publicado originalmente no SAPO Desporto


 

 

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